Blog da Casa de Caridade Luz Divina - dirigente espiritual Vovó Luiza

12 de março de 2012

A Quaresma para os Umbandistas

A Quaresma é um período de 40 dias que tem início após as festas ditas profanas (carnaval), culminando no domingo de Páscoa. Tem como finalidade, segundo os católicos, preparar o indivíduo, mediante processos de conversão e penitência, para a expurgação de influências carnais e mundanas e a absorção de valores sagrados.
Não obstante respeitarmos esta prática religiosa, própria dos católicos, devemos ter em mente que tal habitualidade pertence ao catolicismo, e não a Umbanda. E por que então um número razoável de terreiros fecham suas portas, suspendendo as atividades espírito-caritativas durante este período?
1° Influência dos tempos de Catolicismo: muitas pessoas que hoje são dirigentes Umbandistas, no passado professavam a religião católica. Converteram-se à Umbanda, mas esqueceram-se de deixar na antiga religião preceitos próprios da mesma.

2° Justificação para longas férias: encontram no período católico da Quaresma o meio ideal de justificarem sua vontade particular de descanso, de deleites materiais, sem serem alvos de críticas por estarem suspendendo atividade de auxílio espiritual aos necessitados, uma vez que a maioria não sabe o que é quaresma.
Os Umbandistas, consoante o que foi mencionado, devem ter consciência e convicção de que os terreiros são verdadeiros pronto-socorros espirituais e jamais poderão fechar suas portas a médiuns e assistentes. Ou será que a tristeza, a frustração, as demandas, as doenças, e outras situações negativas deixam de afligir as pessoas durante a quaresma?

Sejamos sensatos. A Umbanda é religião cristã. É fato. Não significa, no entanto, que tenhamos de aplicar atos litúrgicos alheias à mesma.
Se os católicos são de opinião que a melhor forma de expiar suas faltas é jejuar e fazer penitência, ficando na última semana dos 40 dias a chorar o sofrimento de Jesus, bom para eles.

Nós umbandistas somos sabedores que o Meigo Nazareno não quer que soframos por Ele, mas sim que coloquemos em prática suas lições de amor, fé, caridade e fraternidade, virtudes que pregou quando encarnado, como alicerces seguros para a evolução da humanidade.
Reverenciemos o Cristo da Galiléia com trabalhos espirituais, que não podem parar, pois que o socorro é sempre urgente. A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade. E caridade é Jesus em ação.

11 de março de 2012

OS MAIORES ERROS COMETIDOS POR MÉDIUNS UMBANDISTAS RETIRADO DO LIVRO UMBANDA SAGRADA

Todos estamos propensos a cometer erros. Não é só de acertos e harmonia que vivem os templos de Umbanda. E existem erros graves que são praticados por alguns pais e filhos-de-santo. Esses erros tendem a gerar uma vibração negativa, vindo a desestabilizar o foco de equilíbrio. São eles:
·    Dar guarida a comentários maledicentes, ou a mentiras, por ciúmes de alguns médiuns menos preparados em relação a médiuns mais desenvolvidos.
·      Uso indevido de determinados elementos e/ou uso de elementos estranhos ao ritual do culto.
·    Exploração financeira contra filhos da casa e frequentadores. A Umbanda não cobra qualquer incentivo financeiro ou doação de qualquer material sobre seus trabalhos.
·    Mau cumprimento dos preceitos pelos membros da casa.
·    Conduta imprópria ou desrespeitosa de membros da casa.
·    Atividades não relacionadas ao culto dentro do mesmo ambiente da casa.
·    Omissão de socorro, pouco caso ou deboche daqueles que ali buscam auxílio.
·    Ciúmes pelo tratamento dado pelo Sacerdote da casa a um ou outro filho.
·   O Sacerdote da casa favorecer um ou outro filho ou tratar de forma exagerada alguns filhos em detrimento aos outros, ou seja, ter favoritismos.
·      Atenção dispensada ao Sacerdote da casa de forma exagerada, ou seja, ser puxa-saco.
·      Falta de preparo dos filhos da casa nos rituais umbandistas.
·      Elevar um filho da casa para médium de passe ou de atendimento, sem ele estar devidamente preparado.
·      Deixar desavenças de ordem particular interferirem nos trabalhos.
·      Não dedicar pelo menos um trabalho ao mês ao desenvolvimento dos filhos da casa.
·      Não transmitir os ensinamentos adquiridos, não compartilhá-los com os demais.
·      Agregar filhos apenas para fazer volume.
·    Tratar de forma diferente os filhos ou frequentadores da casa, pelo poder aquisitivo ou pela atenção por eles dispensada.
·     Negar-se a auxiliar um filho da casa quando o mesmo procura ajuda.
·    Não respeitar a vida particular do Sacerdote, levando a ele problemas fúteis fora da casa ou do horário de trabalho.
·    Confundir a liberdade dada.
·   Confundir Umbanda com Nações, com Candomblé, com Kardecismo, igreja Católica, etc. Valha-se do conhecimento dos fundamentos da Umbanda para poder ensinar aos demais.
·     Pensar que a entidade com a qual está trabalhando é sempre mais importante que as outras entidades que trabalham na casa.
·  Animismo, que é extremamente prejudicial ao médium e à casa. Animismo é o médium interferir nas comunicações entre a entidade e o consulente, usando e aplicando seus próprios conceitos e ideias, expressando suas opiniões pessoais como se fosse a entidade. Nunca tomar a frente da entidade com a qual está trabalhando. Nunca pense que está incorporado, mas sim tenha certeza disso antes de começar a trabalhar.
·  Demandar contra qualquer pessoa. Os filhos da casa devem ter consciência sobre a manipulação de energia. A Umbanda não utiliza sua magia para prejudicar quem quer que seja. A Lei Divina se encarrega para que todos tenham o que merecem.
·  Usar sangue ou sacrifício de animal em qualquer tipo de trabalho. A Umbanda não se utiliza destes elementos para seus trabalhos. Não é sacrificando um animal ou usando sangue que se alcança a graça Divina, pois nós não temos o direito de tirar a vida de quem quer que seja.
·     Mistificar, abusar da credibilidade, enganar, iludir, burlar, lograr e ludibriar.
·   Usar adornos de metal ou alheios aos rituais e doutrina da Umbanda. O colar de metal dita de “sete linhas” não é guia e não deve ser usado nas giras, assim como não se deve usar colares, brincos, pulseiras, relógios, etc. O que faz parte é apenas as guias de cristais ou porcelana (cruzadas pela entidade), roupa, e toalha de pescoço.
·   Usar roupas insinuantes, pois o templo Umbandista é uma casa santa.
·  Os médiuns iniciantes e que não estão completamente desenvolvidos não devem receber suas entidades fora do Centro Espírita, pois os médiuns iniciantes ainda não sabem diferenciar as energias e podem dar passagem aos kiumbas e outros espíritos que possam querer se passar por entidade.
·   Os médiuns, ao se encontrarem nos dias de trabalho, direcionam suas conversas a rumos antagônicos ao desenvolvimento dos trabalhos da casa. É preciso que os médiuns tenham consciência que a preparação para os trabalhos começam à meia-noite (zero hora) do mesmo dia e que conversas que não são afim ao trabalho desestabilizam o equilíbrio da casa.
·   Falta de conhecimento espiritual é outro grande erro. As entidades valem-se do conhecimento dos médiuns para poderem se comunicar. Quando o médium pouco sabe, pouco estuda, as entidades pouco podem fazer pelo seu desenvolvimento e pelo próximo. Faz-se extremamente necessário o estudo e a aquisição de conhecimento espiritual para atingir a própria evolução e, consequentemente, auxiliar as entidades em sua evolução espiritual. O conhecimento é a base do bem viver, é a estrutura de uma vida de sucessos. Atentem-se, senhores médiuns, que o conhecimento nunca será em demasia e é a única coisa que fará parte de cada um. As casas que possuem médiuns com alto grau de conhecimento espiritual normalmente têm seus trabalhos muito bem desenvolvidos.
·   Excesso de problemas na desincorporação. Muitos médiuns têm o péssimo hábito de mostrar problemas excessivos na incorporação ou desincorporação, muitas vezes somente para se mostrarem ou demonstrar “quão fortes” são suas entidades e para terem um pouco mais de atenção do Sacerdote da casa. Lembrem-se, senhores médiuns, que uma entidade que chega ao templo para trabalhar é normalmente uma entidade com alto grau de evolução e nunca faria um filho sofrer, principalmente durante sua desincorporação. Descarregar o médium na sua partida não tem relação alguma com sofrimento deste. Estabilizar a energia do médium não é aplicar um choque.
·  É comum encontrarmos nos templos médiuns de outras casas ou até mesmo médiuns que não se encontram trabalhando espiritualmente, terem a chance de receber suas entidades durante os trabalhos da casa. Acontece em muitos templos em que os capitães, mostrando absoluta falta de conhecimento e discernimento, mandarem estas entidades subir. Notem que, se uma entidade passou pelo Sr. Tranca Ruas, por todos os Exus que guardam a casa e por todos os Oguns que ali estão rondando para a proteção da casa, é muito provável que esta entidade tenha permissão (por algum motivo). Com entidades não afins (de outra linha que não é do trabalho da casa) deve-se mostrar energia e firmeza, mas nunca desrespeito. É preciso tomar muito cuidado com a autoridade dentro do templo.
·   Por último, e muito importante, outro erro cometido por médiuns iniciantes ou por médiuns vaidosos, que querem mostrar que já recebem todas as entidades, é o fato de escutar determinado ponto e já receberem uma entidade. Tem médium que já trabalhou com determinada entidade, esta já subiu, mas ao ouvir um ponto de sua linha, baixa a entidade novamente, parecendo um elevador – sobe e desce. Cuidado, senhores médiuns! Isto não é ser médium de primeira, e sim, médium despreparado. A entidade evoluída sabe quando deve vir. Se a gira é de preto-velho, o médium não irá receber outra entidade, a não ser que um preto-velho chame, por algum motivo. Pretos-velhos trabalham no auxílio dos consulentes puxando muitos pontos, mas não é porque puxam determinado ponto, que o médium da corrente tem que receber o “santo”.


1 de março de 2012

Ogan

Ser Ogan é muito mais do que ser aquela pessoa no fundo do Terreiro, tocando músicas bonitas para as entidades, médiuns e assistentes. 

Ser Ogan é participar de forma efetiva e consciente nos trabalhos. Isso exige conhecimento, concentração, responsabilidade e mediunidade. Sim, mediunidade. O Ogan também é médium, sabia? É o médium responsável pelo canto, pelo toque, pela sustentação e equilíbrio harmônico dos rituais. Diferente do que muita gente pensa, um Ogan pode incorporar, porém a sua mediunidade manifesta-se normalmente de forma diferente do restante do corpo mediúnico. Manifesta principalmente através da sua intuição, das suas mãos, braços e cordas vocais onde os Guias responsáveis pelo toque e pelos cantos imantam os seus médiuns, tal como fazem os demais, e comandam todo setor da curimba. Esses mestres da música atuam ativamente, mas de forma pouco perceptível à grande maioria dentro do ritual de Umbanda e, muitas vezes, são poucos lembrados ou sequer é conhecida a sua existência. Mas não é verdade que todos os Guias da casa saúdam “os atabaques” quando incorporados nos seus médiuns? Na realidade, eles estão saudando seus “colegas anônimos” de trabalho, a magia e força lá assentada e que se manifesta através dos seus médiuns (Ogãs) que os representam junto ao atabaque.

26 de fevereiro de 2012

Adversários Espirituais

A ação do bem provoca, inevitavelmente, uma reação de violência naqueles que se comprazem no clima da viciação.
O esforço desprendido em favor da mudança emocional e psicológica das criaturas desperta um sentimento de revolta em muitos que se demoram nas licenças perniciosas, porque há tentativas em prol de um mundo menos infeliz, surgem movimentos que pretendem manter o estado vigente.
Há mentes que conspiram contra a tua dedicação e fidelidade ao ideal do bem.
Não te causem estranheza as dificuldades que se apresentam ante as tuas disposições de serviço edificante. São inspiradas e promovidas pelos adversários ocultos, que se atribuem o direito de malsinar e perseguir.
Eles crivam a alma dos que lhe caem em desagrado com as farpas do ódio, gerando, em sua volta, cizânia, mal-estar e antipatia. Promovem inveja de curso perigoso e estabelecem mal-entendidos de efeitos desagradáveis.
Excitam uns e adormecem outros, enquanto expõem o bom e o belo. Recorrem a expedientes desonestos, desde que te desanimem o esforço. Atrevem-se à agressão e armam os insensatos que convivem na mesma faixa vibratória, desejando paralisar-te o trabalho.
São os Espíritos imperfeitos, os impiedosos, que se alimentam dos pensamentos mais sórdidos, vivendo uma psicosfera densa, onde estabelecem o seu campo de ação e aí se movimentam, que se fazem adversários gratuitos.
Respeita-os, sem os recear.
Não sintonizes com os seus ardis, nem reajas pela revolta ou mágoa, a fim de que não sincronizes psiquicamente com eles ou os que se lhes fazem dóceis instrumentos.
O bem dá-te uma couraça de resistência e defesa.
Jesus, por todos os títulos, o Amigo Excelente, foi por eles visitado e, na ignorância em que se debatiam, não tergiversaram em intentar dificultar-Lhe o superior ministério. Como nada podiam conseguir diretamente, não desistiram: insuflaram invejas, ódios, perseguições e desequilíbrios contra o Senhor, que os venceu como amor transcendente e sublime de que era dotado.
Não desanimes, não sintonize nesta faixa vibratória inferior, continua no caminho do bem e da espiritualidade.
Emannuel por Chico Xavier

18 de janeiro de 2012

20 de Janeiro - dia de Oxossi

A linha de Oxossi é famosa por ser a linha da grande maioria dos Caboclos. Oxossi é conhecido na Umbanda como o senhor das matas e de todos os Caboclos. Dessa linha provêem uma força de grande poder que emana diretamente de Oxossi.
Os Caboclos, seus enviados ao nosso plano físico, são hoje conhecidos como os caçadores e catequizadores de almas. Deles emanam o sentimento e a força para lutar e vencer qualquer situação.
Os Pretos Velhos também evocam Oxossi em seus trabalhos nos terreiros e utilizam essas mesmas energias em seus trabalhos.
A grande maioria dos trabalhadores da linha de Oxossi é formada pelos nossos índios, tais como os Tupis, os Guaranis, os Tapuias, os Xavantes, os Caetés, algumas nações de índios norte americanos e também guerreiros africanos. Todos grandes guerreiros que combatem e desmancham trabalhos de feitiçaria e magia negativa.

9 de janeiro de 2012

Esclarecendo sobre a diferença de fundamentos entre a Umbanda e o Candomblé

Salve, irmãos de fé!

Diante de alguns absurdos e mal entendidos, decidi fazer este post sobre a diferença de doutrina, fundamentos e rituais que há entre a Umbanda e o Candomblé. Não farei a descrição, mas salientarei as duas diferenças básicas e incontestáveis.

A primeira diferença que há é em relação à incorporação propriamente dita. O Candomblé trabalha com os Orixás, onde estes incorporam no médium para realizarem suas danças, cada Orixá com sua dança e ritual próprio e com suas roupas típicas.
Candomblé

A Umbanda trabalha com as Entidades e Guias, não incorporando Orixás, pois na Umbanda Orixá não incorpora - eles enviam sua falange para trabalhar com os médiuns. A Umbanda não tem luxo, sua característica é a simplicidade e humildade, sendo que os médiuns trajam roupas brancas e usam as cores apenas em festividades de homenagem aos Guias. Muitas pessoas confundem ao ouvirem dizer que fulano incorporou Oxossi, por exemplo. Na Umbanda, na verdade, o médium, neste caso, incorporou um Caboclo de Oxossi, e não o Orixá Oxossi - diferente do Candomblé.
Umbanda
Mas a outra diferença, e a mais importante, se refere ao fundamento do uso do sangue em rituais de obrigações. O Candomblé usa sangue de animais em suas obrigações e preceitos, conforme a finalidade e o Orixá de cabeça do médium.
A Umbanda NÃO usa, de jeito nenhum, sangue de animais, não faz sacrifício de bichos, pois os considera como nossos irmãos menores. Por falta de conhecimento, pela confusão de rituais, por ignorância, por preguiça, por mudarem de casa, o que está acontecendo é que muitos Pais e Mães de Santo da Umbanda estão incorporando este fundamento do Candomblé na Umbanda e, ainda, fazendo errado e conforme suas próprias cabeças!
A Umbanda utiliza, em qualquer ritual, inclusive obrigações, somente ervas, plantas, frutas, amacis, água, flores, enfim, elementos da natureza que fazem parte do mundo daquela Entidade ou Guia.
O que se vê é que muitos dirigentes estão inventando coisas que não existem, mais do que misturar os fundamentos, estão criando de suas próprias mentes, realizando verdadeiras matanças em cada obrigação! E ainda deram um nome para esta "nova religião": Umbandomblé!!! Isto não existe!!! Ou é Candomblé ou é Umbanda!!!

Vamos respeitar a escolha e religião de cada um, mas sem fazer esta panacéia, sem fazer esta bagunça e misturança - e o pior: fazendo errado!

Axé!

31 de dezembro de 2011

Fechando ciclos! Onde você está?

Vem o dia e ele acaba, depois vem a noite e ela acaba. E vem o dia e vem a noite. Vem uma emoção boa e ela termina, vem uma emoção ruim e ela vai embora e vem outra emoção qualquer. Vem o ano novo e vai embora, e vem o outro ano e ele terminará também. Nada é para sempre, tudo se transforma em ciclos. Como viver sem apegos? Não adianta mais, o ano acabou. Não dá mais para degustar as tardes de outono, não dá mais para curtir um friozinho debaixo da manta de lã. Não dá mais pra sentir o perfume do início da primavera. Não dá mais. Não dá mais para recuperar o ano letivo, o amigo que se distanciou, a relação que esfriou. O fim do ano bate à porta, impondo suas comemorações. O que passou, passou. Vamos escolher chorar pelo leite derramado ou seguir em frente? Vamos nos lamentar pelo que não fizemos, não temos ou criarmos novos propósitos para o novo ciclo que inicia? No mundo tudo se transforma em ciclos. Dia e noite, as estações, o fim e recomeço do ano. Nosso ciclo pessoal na data do nosso aniversário. Morte e renascimento. E no seu mundo interno como acontecem os ciclos? Levamos 21 anos para crescer fisicamente, outros 21 para completar o crescimento psicológico, e mais 21 para nos espiritualizarmos. Onde você está? O que nos pede cada ciclo de vida? De quem precisamos? Qual a aprendizagem em cada etapa que vivemos? Até os 7 anos buscamos crescer fisicamente. Então precisamos da MÃE. Da fantasia dos contos de fada, do amor e calor humano. Pensamos: O MUNDO É BOM. Até os 14 anos buscamos ritmo, disciplina, autoridade como exemplo. Então precisamos do PAI. Das lendas e fábulas, dos valores morais e da arte. Pensamos: O MUNDO É BELO. Até os 21 anos buscamos nossos sentimentos, então precisamos dos AMIGOS. Dos modelos de pensamento, da liberdade com responsabilidade, da procura de ideias, de discutir com brilho e pouca ação. Pensamos: O MUNDO É VERDADE. Até os 28 anos buscamos nosso próprio EU. Então precisamos de um CHEFE. É o início da fase emocional. Sentimento que conquistamos o mundo. A busca de parceiros, emprego. Mas falta experiência e há perigo de excessos. Pensamos: O MUNDO É ILIMITADO. Até os 35 anos buscamos encontrar nossa missão. Então precisamos de uma PROFISSÃO. Para ver nossos próprios defeitos nos outros, sentir os perigos e prazeres do poder, desenvolver a capacidade de empreender. É o início da fase racional, sentimento de estar organizando o mundo, responsabilidade social, compreensão racional do(a) parceiro(a). Pensamos: O MUNDO É LÓGICO. Até os 42 anos buscamos encontrar nossos objetivos. Então precisamos definir o nosso SENTIDO DA VIDA. Pela necessidade de parâmetros e do conceito próprio do mundo. É o início da fase da maturidade psíquica, de questionamento dos nossos princípios. E também o início do declínio físico. Pensamos: O MUNDO TEM LIMITES. Até os 49 anos buscamos ser altruístas. Então precisamos DA NOSSA PRÓPRIA VISÃO DE MUNDO. Aprender a fazer diferente, ser aprendiz onde se era mestre, abrir novas iniciativas. Pensamos: O MUNDO TEM POSSIBILIDADES. Até os 56 anos buscamos uma postura moral elevada. Então precisamos colocar NOSSA EXPERIÊNCIA A SERVIÇO DAS NECESSIDADES ALHEIAS. Dedicação aos outros, ensinar a quem precisa, atitude colaborativa. Usar nossa visão sistêmica do todo, entender o mundo a partir das interdependências. Pensamos: O MUNDO PRECISA DE MIM. Até os 63 anos buscamos alcançar a espiritualidade. Então precisamos da INTEGRAÇÃO. Somar os valores atuais, os valores da infância, a procura dos valores espirituais, e a própria biografia. Estar a serviço do bem geral pelo tempo que nos for permitido. Pensamos: A VIDA E O MUNDO FAZEM SENTIDO. Onde você está? Você está aqui e agora comigo, lendo esta Crônica? Sim? Então pare o mundo um pouquinho e avalie sua vida. Não perca a oportunidade. Avalie cada fase... Permita-se uma viagem no tempo da sua biografia! O que você fez, ou deixou de fazer em cada etapa, o que ficou perdido no tempo, como escondeu os buracos, as faltas, dores e impossibilidades? Como celebrou suas vitórias, aprendizagens conquistadas em cada ciclo? Um último olhar para avaliar sua relação com você mesmo, com o outro e com o mundo... Você está em paz com pelo menos 80% de sua biografia? Se a resposta é sim, siga em frente com humildade e se disponha a ajudar quem está apegado ao passado. Se a resposta é não, então não perca mais tempo. Você é o responsável por reinventar sua história. O autor e ator de sua própria vida. O papel de vítima não cabe bem a nós, seres espirituais passando por uma vivência humana. Apegar-se às dores ou faltas do passado só rouba o momento presente de viver o aqui e agora. A vida acontece no hoje. O passado passou, não volta mais. Desapegue-se. Questões com mãe e pai na infância, precisam ser resolvidas dentro de você com sua mãe e seu pai internalizados. Você acaba repetindo com você mesmo o que aconteceu na relação com eles: “Saudade emocional da infância”. Reclamar das críticas e carências e criticar a eles, que fizeram o que podiam fazer, é fazer com eles o que fizeram com você. Adianta para alguma coisa? Você se sentiu sempre só, com poucos amigos, pare pra escutar o que você pensa de você mesmo. Se você se acha péssima companhia, não vai arriscar a se aproximar de ninguém. Mude a imagem interna de você. Crie situações para aumentar o convívio social. Não viveu a adolescência? Viva agora. É muito bom, vivenciar a adolescência com a responsabilidade de adulto. Sente-se preso(a) no contexto social? Vá para um lugar onde ninguém conheça você. Tem medo da crítica dos outros ou da autocrítica de você mesmo? Ou você não confia em você mesmo e fica com medo de extrapolar? Você se conhece bem? Sabe o que quer e a que veio nesta vida? Qual a sua missão? Mas se você tem dúvidas quanto a você mesmo, o que faz, com quem está, qual o sentido da sua vida, aproveite a crise e amplie o “caos”. Aumente sua capacidade de refletir sobre todos os aspectos possíveis de todos os caminhos imaginados. Não tenha medo de expandir seu campo. Não apresse decisões. Sinta no silêncio interno do seu ser qual o caminho que faz sentido e experimente. Aceite sua perfeita imperfeição humana. Volte atrás, tente de novo se não foi desta vez, cavalo encilhado anda em círculos, a oportunidade volta. Só não viva situações onde sua alma não esteja presente. Não vá só de corpo. Se não está bom pra você, não está bom para o outro também. Mude, não desista de ser feliz. O que ficou aberto, volta, clama, chama, vem em sonhos, pesadelos, repetições pela vida afora. Fique atento e decifre os sinais. Dê a você mesmo o que seu ciclo vital está pedindo. Os ciclos de vida são conexões imperfeitas, deixando espaço no presente para fechar questões do passado. A vida manda situações de repetições para fecharmos questões abertas dos ciclos anteriores no aqui e agora. Por isso, viva o hoje e desapegue-se dos sentimentos do passado. Não permita que sua mente voe para lá. Só não se machuque. Segure a auto-sabotagem. Às vezes, a gente se acostuma tanto em se queixar da vida e ver o lado ruim, que se assusta com o bom, ou não se autoriza a viver melhor. Invista na sua paz para alcançar a condição de estar na maior missão humana, que é servir ao outro, ao mundo. Viemos para fazer do mundo um lugar melhor. Faça a sua parte. Comece pelo seu mundo interno e amplie para o mundo externo. Comece o ano cuidando mais de você. O mundo agradece. Eu agradeço!
De: Telma P. Lenzi