Blog da Casa de Caridade Luz Divina - dirigente espiritual Vovó Luiza
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5 de novembro de 2016

Conhecendo um pouco mais sobre os Orixás regentes de 2017

Oxossi

Orixá das matas, alegre, jovial, expansivo e irrequieto. Oxossi é o Orixá que revela a importância da caça entre os povos africanos, com reflexos no culto religioso, lembrando que antigamente na África os caçadores eram os responsáveis pelo sustento e manutenção das aldeias.

Sendo um caçador, é o Orixá que garante a fartura, o sustento, a alimentação e a prosperidade ao ser humano. Em seu lado negativo, porém, pode ser também o pai da míngua e da falta de provisão. Muitas vezes é chamado de “Caçador dos Céus”.

Na Umbanda, Oxossi é patrono da linha dos Caboclos, uma das mais ativas da religião e recebe o título de Rei das Matas. Oxossi é caçador por excelência, mas sua busca visa o conhecimento, logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso.

Oxossi é a busca, é a procura, é a curiosidade, é o movimento contínuo na evolução dos seres, na apresentação de novos conhecimentos e de novos horizontes. Simbolicamente representamos Oxossi com sete setas que são as sete buscas contínuas do ser. Oxossi expande, irradia e impele os seres.

Data festiva: 20 de janeiro

Saudação: Okê Arô! (Salve o Grande Caçador!)

Sincretismo religioso:
São Sebastião

Cores: Verde (e alguns tipos de Umbanda, é verde, branco e vermelho)

Ponto de força: Matas


Oxum

É a força dos rios que correm sempre adiante, levando e distribuindo pelo mundo sua água que mata a sede. É a Mãe da água doce, Rainha das cachoeiras, Deusa da candura e da meiguice.

Orixá da prosperidade e da riqueza interior, ela é a manifestação do Amor. O amor puro, real, maduro, solidificado, sensível e incondicional, por isso é associada à maternidade e ligada ao desenvolvimento da criança ainda no ventre da mãe, da mesma maneira que Iemanjá.

A regência de Oxum se dá no processo de fecundação, na multiplicação da célula mater. É Oxum quem gera o nascimento de novas vidas que estarão no período de gestação numa bolsa de água – como ela, Oxum, rainha das águas.

É Oxum que “tomará conta” até o nascimento, quando, então, entrega à Iemanjá, que será responsável pelo destino daquela criança. Oxum não vê defeitos nos seus filhos. Os seus filhos são verdadeiras joias e ela só consegue ver o seu brilho. É por isso que Oxum é a mãe das crianças, seres inocentes e sem maldade, zelando por elas desde o ventre até que adquiram a sua independência.

Como acontece com as águas, nunca se pode prever o estado em que encontraremos Oxum; como também não podemos segurá-la em nossas mãos. Assim, Oxum é o ardil feminino, considerada a deusa do amor, a Vênus africana. O casamento, o ventre, a fecundidade e as crianças são de Oxum, assim como, talvez por consequência, a felicidade.

De menina-moça faceira, passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Oxum é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser relegada a segundo plano, afirmando-se em todas as circunstâncias da vida. Oxum é o amor, é a capacidade de sentir amor.

Ela é o elo que une os seres sob uma mesma crença, trazendo a união espiritual. É o elo que une dois seres sob o mesmo amor, agregando-os onde se dá inicio à concepção de uma nova vida. Ela é quem agrega os bens materiais que torna um ser rico, portanto, é conhecida como Orixá da riqueza, Senhora do ouro e das pedras preciosas.

Essa doçura de encanto feminino, porém, não revela a Orixá por inteiro. Pois ela é também guerreira intrépida e lutadora pertinaz. Como as águas dos rios, a força de Oxum vai a todos os cantos da terra. Ela dá de beber aos animais e plantas de Oxossi, esfria o aço forjado por Ogum, lava as feridas de Obaluaê. Oxum está em tudo, pois, se amamos algo ou alguém é porque ela está dentro de nós.

Data festiva:
08 de dezembro

Saudação:
Ora ie iê!
Ai iê ieu Mamãe Oxum (Salve Senhora da Bondade e da Benevolência)

Símbolo:
Um coração (do qual nasce um rio).

Sincretismo religioso:
Nossa Senhora da Conceição

Cor: Azul royal (e alguns tipos de Umbanda, a cor é Amarelo dourado; e no Candomblé é cor de Rosa)

Instrumento:
Abebé (um leque em forma circular dourado ou feito em latão que traz um espelho no centro)

Ponto de força:
Cachoeiras e rios

21 de julho de 2016

Nanã Buruquê

Dia 26 de julho é o dia que, devido ao sincretismo com Santana, comemora-se na Umbanda o Orixá Nanã Buruquê.

Nanã é a divindade que, junto com Zambi, fez parte da criação; é a mais antiga de todos os Orixás, a mais velha e a mais respeitada. Historiadores afirmam que  Nanã “surge” anterior à Idade do Ferro, provocando uma relação “conturbada” com Ogum. É responsável pelo elemento barro, que deu forma ao primeiro homem e a todos os seres viventes da terra.

Segundo a lenda africana, quando Zambi, o ser Supremo, encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, Oxalá tentou vários caminhos. Tentou fazer o Homem de ar, como Ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada. Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde Ela morava, a lama sob as águas, que é Nanã. Oxalá criou o homem e o modelou no barro. Com o sopro de Zambi ele caminhou. Com a ajuda dos Orixás povoou a terra.
Com o barro, Nanã propicia o uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver a cultura.

Orixá que auxilia as passagens difíceis da vida, que pode trazer riquezas, assim como a miséria, é a própria evolução do Ser, o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte. Nanã tanto rege a vida como a morte, pólos da mesma realidade.

Pertencem a Nanã os búzios, que simbolizam morte por estarem vazios e fecundidade porque lembram os órgãos genitais femininos, entretanto, o que a melhor sintetiza é o “grão”, pois, além de Nanã possuir domínio sobre a agricultura e desenvolvimento do homem, todo “grão” tem que morrer para germinar. Nanã é que dá nascimento às sementes permitindo transmutação e transformação contínua para que nada se perca.

Atributos: calma e misericórdia. Nanã é o momento inicial em que a água brota da terra ou da pedra. É a soberana de todas as águas; é também a lama, a terra em contato com a água; é o pântano, o lodo, sua principal morada e regência. Ela é a chuva, a tempestade, a garoa. Nanã é a mãe, boa, querida, carinhosa, compreensível e sensível; a senhora da passagem desta vida para a outra, comandando o portal mágico, a passagem das dimensões.
Este Orixá relembra a nossa ancestralidade mística, o momento em que fomos criados como espírito. A água foi necessária na Terra para a geração da vida, tendo o barro ou a lama um simbolismo correspondente ao momento em que fomos "feitos" pelo Pai. Assim, Nanã é considerada a Grande Mãe. Ela reconduz os espíritos desencarnados ao mundo espiritual, aconchegando-os em seus braços.

Tipo psicológico dos filhos de Nanã: os filhos deste Orixá podem ser tímidos e ao mesmo tempo serenos. Por vezes, são severos nos seus valores morais e austeros na educação da família. Não raro, são rabugentos, o que os fazem ser temidos. Geralmente não são sensuais e não se ligam às questões da sexualidade. Outras vezes, por medo de serem amados e virem a sofrer, se dedicam com afinco à profissão, sendo dispostos à ascensão social.
Quanto à calma e à lentidão que lhes são peculiares, nos momentos das decisões, acabam gerando conflitos com pessoas ativas e dinâmicas. Em equilíbrio, são pessoas bondosas, simpáticas, bonachonas e dignas de confiança.

Aspectos positivos: sensatez, perseverança, ordem, objetividade, paciência, respeitabilidade, calma. Sem pressa para realização, o tempo não os aflige. São benevolentes, gentis, mansos, como se fossem bons e amorosos avós.

Aspectos negativos: conservadorismo extremado, preguiça, avareza, indiferença, estupidez. Demorados, teimosos e rabugentos, adiam as decisões e podem ser vingativos.

Planeta: Lua, que é o regente do signo de câncer – ligação com as águas; junção da água das chuvas e solo barrento e pantanoso, demonstrando que precisam trabalhar o passado, libertando e deixando ir embora o que não serve mais.

Signo: escorpião, que é regido por Plutão – ligação com as águas paradas e profundas (o mangue), refletindo a expressão "eu calo" do escorpiano que observa e que é profundo no sentir os ambientes e a psiquê humana; possuem a capacidade de vivenciar a dor e o sofrimento e renascer mais forte, com maior capacidade de domínio sobre as próprias emoções.

Flores: hortênsia, sempre-viva roxa, crisântemo roxo, hibisco, violeta, orquídea roxa
Chacra: frontal
Dia da semana: sábado
Saudação: Saluba, Nanã!
Florais de Bach: Centaury, Hornbeam, Clematis e Willow
Mineral: ametista
Metal: ouro branco, estanho
Bebidas: champagne rosé, água mineral, água com mel
Animais: rã, pata branca
Comida: batata doce com mel, figo roxo, ameixa vermelha escura, amendoim torrado sem sal (partido ou farofa), purê de batata doce
Cor: roxo / lilás
Domínios: chuva, pântano, morte, lamaçal
Elementos: água e terra
Símbolo/ emblema: Iberim, búzios
Ervas: alfavaca, avenca, dinheiro em penca, folha da fortuna
Essências: guiné, noz moscada, cravo, camomila
Frutas: figo, ameixa, uva escura, jaca, fruta do conde
Função: criação e transformação
Doenças: erisipela, artrite, estomatite. Cuidar com multidões e instrumentos de metal
Morada: cemitério, pântano, lamaçal
Números: 6 e 13
Partes do corpo: barriga, útero, genitais feminino, protege mulheres gestantes

Oração para Nanã:
Senhora da renovação da vida
Mãe de toda criação
Orixá das águas paradas
Mãe da sabedoria
Dai-me a calma necessária para aguardar com paciência o momento certo para tomar minhas decisões.
Que a tua luz neutralize todas as forças negativas à minha volta.
Dai-me a tua serenidade e faz de mim um filho abençoado nos caminhos da paz, do amor e da prosperidade.

Saluba, Nanã!


22 de abril de 2016

Ogum iê!


Ogum é o Orixá que rege as batalhas. Todos os instrumentos são consagrados a Ogum, uma vez que, acima de tudo, é ele o Orixá da forja e da metalurgia, processo de manipulação dos metais.
Por isso, um dos símbolos deste Orixá são as sete ferramentas juntas, que representam exatamente este poder sobre os metais, em especial o ferro, considerado o metal negro, símbolo da relação de Ogum com o elemento terra.
Entendemos Ogum, acima de seu papel mitológico, como o impulso Divino primordial. Este Orixá é a força que rege todo início de movimento, força que rompe a barreira estática de todo início de processo. Quem não percebe que o começo de um processo pode parecer lento e difícil, mas que a continuidade de um processo já iniciado não parece tão maçante assim? É Ogum aquela energia que possibilita o início do que quer que seja. É a explosão inicial e a quebra do equilíbrio estático.
Também em Ogum vemos uma forte relação com todos os Orixás. Ele é considerado um dos Orixás mais antigos, já que estava lá quando tudo foi iniciado. É considerado a força irmã da energia de Exu (o movimento), sendo que Exu e Ogum andam sempre juntos.
Ogum é o Orixá do movimento e do impulso. Sua energia se relaciona com todo processo de revolta que gera uma mudança em relação ao padrão anterior. É a energia da conquista que não se preocupa com a manutenção do conquistado. Por isto, diz-se que Ogum é a figura mitológica do grande guerreiro, o grande general que lidera e vence todas as batalhas. O guerreiro valente e impulsivo que, com sua ira e suas armas, submete todos os inimigos e derruba todos os obstáculos.
É um Orixá fortemente relacionado com os elementos terra e fogo, este último mais comum em nossa Umbanda e explicitado pela cor deste Orixá, o vermelho. O branco também atribuído a Ogum mostra sua relação primordial com a Criação, enquanto impulso original de todo o criado.
O modelo do arquétipo demonstrado pelos filhos de Ogum é o das pessoas rebeldes, briguentas e impulsivas. Que perseguem energeticamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Possuem humor mutável, passando por furiosos acessos de raiva ao mais tranquilo dos comportamentos. É o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas. Os filhos de Ogum nada temem, são atléticos, agressivos e de mau humor, conquistadores, rápidos, agem sem pensar, ofendem-se facilmente, insistem naquilo que desejam, emotivos, impacientes, brigões, arrependem-se facilmente, gostam de comer bem e de beber, temperamento difícil e com muita iniciativa. Os filhos de Ogum não podem ter vícios, principalmente com bebidas e drogas. Não conseguem falar manso, gostando das disputas até no falar. São práticos e não são egoístas, gostando de fazer doação de suas coisas. São apaixonados por viagens, mudanças de endereços, curiosos, adoram inovações tecnológicas. Ogum rege, no corpo humano, o sistema nervoso, as mãos, os pulsos e o sangue. As doenças mais associadas a Ogum são relacionadas às articulações, aparelho digestivo e fígado.
Ogum toma a vanguarda, vai na frente dos outros, o que precede, é o símbolo do primogênito que, através de sua agressão, abre o caminho para quem o segue. É um desbravador em todo o sentido do termo. Por estas características, anda e trabalha junto com Exu, indo na frente, abrindo caminho para Exu passar e trabalhar no Baixo Astral, nas zonas umbralinas, ajudando a combater o mal e defende os Exus dos ataques dos kiumbas nos locais sombrios. Assim, em toda firmeza para Exu, Ogum faz a ronda, também fazendo papel de guardião.
É o protetor dos militares e guerreiros. Tem ânsia de conquistas, mesmo que não tenha nenhuma estratégia, o que o difere de Xangô. Diz-se que Ogum não pede, Ele toma. Tem grande dificuldade de manter as suas conquistas. Ogum é um excelente executor de ideias; é impaciente, sincero, violento e brigão. Abre os caminhos junto com Exu. É objetivo. É o senhor das contendas sempre atacando pela frente, de peito aberto. Sabe armar arapucas para pegar o inimigo.
É o Senhor dos objetos cortantes e armas de fogo. Carrega a força de qualquer impacto, vibrando em todos os momentos impactantes. É o que ferve o sangue. Está presente no calor das coisas, principalmente no fogo. É a força instintiva de Marte, sendo este o planeta regente desse Orixá. Padroeiro de todos aqueles que manejam o ferro, como lanterneiros, maquineiros e ferreiros. Ogum é o símbolo do trabalho, da atividade de criação e expansão.
Ogum representa ou se manifesta através da luta pela sobrevivência e por isso está associado à defesa de todos os reinos, além de estar diretamente associado ao início de tudo, ao novo, à conquista.
Ao encontrarmos a energia do Orixá Ogum, cujo elemento é o fogo, manifestando-se no reino do Orixá Omulu - que é a terra, o chão, o solo, através do calor do sol e traduzimos isso para a calunga pequena ou cemitério, que em termos ritualísticos de Umbanda é o reino de Omulu - temos a formação do desdobramento de Ogum, chamado de Ogum Megê. Ou seja, é o Orixá Ogum atuando na defesa do reino do Orixá Omulu em combinação vibratória com o mesmo, formando este desdobramento de Ogum. É o Ogum magista, ou seja, conquista/defesa através da magia.
Quando o Orixá Ogum manifesta-se na defesa do reino de Xangô, encontramos o desdobramento chamado de Ogum de Lei, ou seja, combinação vibratória do Orixá Ogum com o Orixá Xangô. Em nível de necessidade nossa de terra (ou terreiro) é quando Ogum atua na execução de justiça. É o Ogum da ponderação, ou seja, conquista/defesa através da ponderação, da estratégia.
Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com o Orixá Oxossi dá-se o nome de Ogum Rompe-Mato. É o Ogum do imediatismo, ou seja, conquista/defesa através da expansão.
Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com a Orixá Oxum, ou seja, Ogum atuando na defesa dos rios e cascatas, dá-se o nome de Ogum Iara. É o Ogum da diplomacia, ou seja, conquista/defesa através da concórdia, diplomacia.
 E o Orixá Ogum atuando na defesa do reino de Iemanjá, juntamente com a Orixá Iansã (ação sazonal dos ventos e tempestades causando a turbulência das ondas) dá-se o nome a esta manifestação de Ogum Beira-Mar. É o Ogum do inesperado, ou seja, conquista/defesa através de ações inesperadas.
Uma observação importante a se fazer é que cada vez que um Orixá se desdobra por combinar-se com outro, ele absorve algumas de características do Orixá com o qual se combinou, gerando e atendendo assim outras necessidades nossas.
Especificando:
Ogum Megê – este desdobramento de Ogum, gerado pela união dos elementos terra (Omulu) e fogo, está presente nos assuntos atinentes a desmanche de magia.
Ogum de Lei – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a execução de justiça.
Ogum Iara – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquistas diplomáticas.
Ogum Rompe Mato – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos pertinentes a coisas de solução rápida, revigorantes e de conquista de espaço de maneira geral.
Ogum Beira Mar – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquista material e de fortuna.
Estas são as manifestações mais comuns que se apresentam nos terreiros e são considerados chefes de linha, outras encontradas em nível de terreiro são consideradas desdobramentos destes desdobramentos.


Em função de sua característica básica de luta e guerra, o Orixá Ogum foi associado ao planeta Marte, que rege a terça-feira, e por extensão é o dia da semana em que cultuamos Ogum na Umbanda. O dia em que homenageamos Ogum é 23 de abril. Na Umbanda é sincretizado com São Jorge, mas NÃO é este Santo! Suas cores são o vermelho e branco. Seus domínios são as estradas, encruzilhadas, cachoeiras e o mar. Seu Amalá é a feijoada feita de feijão fradinho ou feijão vermelho.

Ogum iê, meu Pai! Saravá!



11 de março de 2016

Inveja: a tristeza pela felicidade do outro

A tristeza em relação às coisas boas dos outros. É essa a definição de Tomás de Aquino para a inveja. Napoleão Bonaparte, por sua vez, costumava afirmar que "a inveja é um atestado de inferioridade". Ao contrário dos demais pecados, a inveja é um pecado que causa vergonha, que não goza de boa reputação.
Dizer-se guloso não é problema para ninguém. Dizer-se luxurioso é, muitas vezes, motivo para gabar-se. O pecado da ira é, em nossos dias, comum no trânsito, nas relações de trabalho e nas familiares. Mas dizer-se invejoso, ah isso não. Quase nunca admitimos que temos inveja de algo. E quando admitimos, dizemos que é uma inveja branca, o que não existe!
Para Espinosa, “Se imaginarmos que alguém se alegra com uma coisa que pode ser possuída apenas por um só, esforçar-nos-emos por fazer de maneira que ele não possua esta coisa. [...] Vemos assim como os homens são geralmente dispostos por natureza a invejar aqueles que são felizes e a invejá-los com um ódio tanto maior quanto mais amam a coisa que imaginam na posse do outro”.
Renato Mezan, em um artigo publicado em Os Sentidos da Paixão, vai nos dizer que a “inveja tem parentesco com o desejo, a agressividade, a astúcia e a sagacidade, o roubo e a rapina; há algo nela que tem a ver com os olhos; seu objeto é indeterminado, variando do ‘qualquer coisa’ ao ‘tudo’”. E, por isso, devemos estar atentos à diferença entre a cobiça e a inveja. Cobiçar é desejar o que os outros têm. E esta pode ser positiva. Agora a inveja nunca é positiva, é sempre tristeza pela alegria alheia, pelo que o outro tem.
Neste aspecto, voltamos à etimologia da palavra, que vem do latim invidia, aquele que não vê. O invejoso não vê a si, só vê os outros. No Inferno de Dante, os invejosos têm os olhos costurados com arame. O que está relacionado com a não visão que a inveja provoca.
Pintada como uma mulher sinistra por Giotto, a inveja tem uma serpente que sai de sua boca e que retorna a ela, penetrando-a pelos olhos, parecendo querer dizer que a energia enviada pela pessoa invejosa retorna sobre o sujeito, cegando-o, envenenando seu olhar, infundindo-lhe um olho mau.

Ainda sob o aspecto da visão, não é demais lembrar o “olho gordo” da inveja, que seca, esteriliza e mata. A palavra também quer dizer olhar com malícia. É comumente associada à cor verde, como na expressão "verde de inveja". A frase "monstro de olhos esverdeados" se refere a um indivíduo que é motivado pela inveja. A expressão é retirada de uma frase de Otelo de Shakespeare, cuja personagem Iago é a personificação da inveja.
A inveja está fundada no ódio e a espoliação se faz com agressividade. No entanto, é importante atentar-se para o fato de que, embora esteja ligada à voracidade, a inveja não se confunde com ela: o voraz quer obter algo para si, o invejoso, não. O objetivo do invejoso é tirar algo do, o invejoso não inveja o que precisa para si, mas algo que precisa tirar do outro. É o que ocorre entre Caim e Abel:
1Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: “Possuí um homem com a ajuda do Senhor.” 2E deu em seguida à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor e Caim lavrador. 3Passado algum tempo, ofereceu Caim frutos da terra em oblação ao Senhor. 4Abel, de seu lado, ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele; e o Senhor olhou com agrado para Abel e para sua oblação, 5mas não olhou para Caim, nem para os seus dons. Caim ficou extremamente irritado com isso, e o seu semblante tornou-se abatido. 6O Senhor disse-lhe: “Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante? 7Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo”. 8Caim disse então a Abel, seu irmão: “Vamos ao campo.” Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre seu irmão e matou-o (Gn 4,1-9).
A representação de Ovídio é peculiar:
A inveja habita no fundo de um vale onde jamais se vê o sol. Nenhum vento o atravessa; ali reinam a tristeza e o frio, jamais se acende o fogo, há sempre trevas espessas [...]. A palidez cobre seu rosto, seu corpo é descarnado, o olhar não se fixa em parte alguma. Tem os dentes manchados de tártaro, o seio esverdeado pela bile, a língua úmida de veneno. Ela ignora o sorriso, salvo aquele que é excitado pela visão da dor [...]. Assiste com despeito o sucesso dos homens e esse espetáculo a corrói; ao dilacerar os outros, ela se dilacera a si mesma, e este é seu suplício (OVÍDIO, 1996, p. 770 e seg.).
A inveja está relacionada com alguém próximo a nós. Não invejamos a quem está longe, mas invejamos o cunhado, o colega de trabalho, o vizinho. E muitas vezes colocamos a inveja como o motivo de nossa falta: o fato de não ter conseguido um emprego, o fato de não ter conseguido uma vaga na universidade, o fato de não ter conseguido uma bolsa de estudos.
Se postarmos agora no Facebook o seguinte: “Estou muito feliz, fui promovida, estou bem de saúde e amando!”. Que respostas teremos? “Hummm...”, “Sei.”, ou o silêncio. Mas e se postarmos “Luto”, logo teremos uma lista enorme de solidariedade. O invejoso não se reconhece, o invejoso não vê (novamente a etimologia da palavra).
Espiritualmente, o invejoso é um vampiro de energia e, sendo assim, com certeza acarretará muitos problemas para si, tanto na vida presente quanto no seu karma em geral.
O invejoso sempre almeja o que não tem. Machado de Assis nos diz que, em vez de pensar-se a si mesmo, a inveja nos dá a cegueira para não enxergar a nós mesmos. Estamos, sempre, buscando o que nos falta, pela comparação com o outro. E sempre haverá alguém pior e alguém melhor do que eu.
Fonte: Kyldes Batista Vicente


11 de fevereiro de 2016

A UMBANDA E A QUARESMA


Umbanda é uma religião que tem em seu núcleo de formação influência de algumas outras religiões, coisa que acho válida até certo ponto, a aceitação deste fato só vem a confirmar que a Umbanda é uma religião que acolhe a todos e que graças a sua diversidade existe “uma Umbanda para cada fiel”.
Adotamos as datas de comemorações dos Santos Católicos para homenagearmos nossos Orixás, devido à sincretização, mas isto não é uma regra, o fazemos apenas como referência.
Quando falamos em Quaresma estamos falando de um termo católico, que diz respeito a um período consagrado PELOS CATÓLICOS.
Respeito as casas que suspendem ou alteram sua forma de trabalho por conta da quaresma, mas não aceito as estórias que inventam para justificar isto. No meu entende,r isto deve ficar no campo das tradições.
Vou dar o exemplo de duas “explicações” que já ouvi e que retratam isto:
“Na quaresma a carga de energia negativa se acentua por conta do carnaval”
Pois bem, se isto ocorre não seria neste momento que nós Umbandistas deveríamos nos doar mais? Trabalhar com mais afinco para ajudar na limpeza desta energia?
“Na quaresma as almas são soltas por São Miguel, para que procurem a luz.”
Mais um motivo para trabalharmos, pois seria mais fácil para estas almas “encontrarem a luz” se alguém se dispuser a ajudar.
Estes são apenas dois exemplos, já escutei inúmeros mais…
Quaresma é uma data católica, está na hora de nós UMBANDISTAS termos nossa própria identidade.
Marco Boeing

A tradição de se fechar os Templos de Umbanda quando não havia liberdade de crença, não tem razão de ser no mundo atual. Muito ao contrário, é nessa época que NÃO DEVEMOS PARAR, é nessa época em que a quimbanda maligna trabalha à vontade, que o Templo deve estar preparado para que, com o auxílio das entidades de luz, denunciar qualquer trabalho negativo que tenha sido feito para atrapalhar seus filhos de fé ou frequentadores.” (Pai Ronaldo Linares)
A quaresma não é umbandista, então não devemos e nem precisamos tomar providências litúrgicas ou ritualísticas por conta dela.
Saravá!

17 de janeiro de 2016

Conselhos para os médiuns


Acredito que todo mundo já se deparou com aquele médium que reclama de tudo, que a vida não está boa, que o dinheiro está curto, que não consegue trabalho, que o relacionamento está indo de mal a pior, etc., etc., etc.
O que acontece com esse médium? Por que de um lado vemos um médium próspero e do outro um médium que parece uma tartaruga emborcada que não consegue sair do lugar?
Cada caso é um caso e deve ser analisado com critério. Mas, em termos gerais, um dos fatores que observamos a respeito dessas pessoas é que elas simplesmente ouvem, mas não escutam o que os guias lhes aconselham.
Outro fator é que elas querem ser ajudadas, mas não querem se esforçar para que isso aconteça. Há muito comodismo, conveniência.
Na maioria das vezes o médium está em desequilíbrio pelas suas próprias escolhas e postura perante a vida e, nesse caso, é preciso que ele esteja disposto a fazer concessões e reforma íntima.
As Entidades costumam dizer que o médium é um imã e quando está em desequilíbrio ele se autodestroi. Quando os guias-chefes de um Terreiro e mesmo os guias do próprio médium percebem tais declínios, lhes mandam mensagens através de outras pessoas, por sonhos, por intuições. Enviam recados e orientam para o que deve ser feito.
Acontece que muitos médiuns simplesmente não fazem o que está sendo pedido, negligenciam suas próprias necessidades espirituais, e o mais difícil ainda é saber o porquê os médiuns não fazem o recomendado... talvez por ego, orgulho, arrogância, preguiça, falta de fé. O médium na frente do guia ou mesmo do dirigente concorda e se predispõe a fazer, só que nos bastidores faz justamente o contrário ou faz de qualquer jeito, não utiliza o que foi pedido, faz às pressas, quando pior, acabou de fazer o que lhe foi pedido, já está indo para lugares carregados de energia negativa (exemplo: bares), na primeira indisposição familiar já surta, xinga, pragueja contra si mesmo e o mundo.
Será que ele irá obter o resultado tão esperado? Claro que não, tempo perdido.
Muito pelo contrário, acaba por desequilibrar ainda mais. 
Um tratamento que um guia receita é algo muito sério, tem as precauções corretas, as ervas certas de acordo com aquele filho e o problema.
Outro fator que atrapalha a vida do médium é o fato deste achar que tudo é espiritual e que o espiritual tem que resolver tudo na sua vida. Ou seja, cruzam os braços esperando que tudo caia do céu. Tem médiuns que acham que só porque são da corrente estão imunes aos problemas e que tudo vai ser dado sem precisar se esforçar. Pedem emprego aos Guias, mas não entregam currículo, não buscam cursos de aperfeiçoamento em suas carreiras, não saem em busca de trabalho, pois acham que o Exu tal ou o Preto Velho X vai trazer o emprego batendo na porta do cidadão. Pois é! Nada disso! Lembrem-se da máxima: “faça a sua parte que eu te ajudarei”. 
Os Guias não estão aqui para viver a nossa vida por nós e muito menos correr atrás de trabalho, de amor para ninguém.
Eu, como dirigente, fico pensando no que faz um médium ter tamanha displicência em relação a um bom conselho, a um bom tratamento? Em muitos casos lhes falta fé verdadeira e sobra egoísmo e vaidade.
Ser médium não é fácil, devemos muitas vezes dar até o que não temos em prol do nosso semelhante. Mas, para isso, devemos fazer todo o esforço necessário para nos mantermos em equilíbrio. É muito fácil se manter em equilíbrio quando tudo corre bem, mas quando as coisas começam a não dar tão certo e as provas da vida começam a aparecer, aí a fé fica frágil e duvidosa para alguns médiuns. Muitos se revoltam contra as Entidades e a religião, queixando-se que Elas não ouviram as preces e súplicas e que não lhes ajudaram.
Portanto, antes de cobrar a assistência espiritual, antes de reclamar que nada caminha na sua vida, observe suas condutas e reveja se você está realmente fazendo sua parte, se você realmente está seguindo as orientações prescritas pelos guias e mentores! Os guias querem o melhor para seus filhos, por isto, quando um guia lhe der um conselho, escute, confie e acate. A escolha cabe a cada um de nós! Temos o livre-arbítrio, então, nenhum Guia irá fazer o que cabe a cada um de nós realizar! A escolha é sua e a colheita também!

Saravá!
Adaptado de Cristina Alves


27 de dezembro de 2015

Como fazer a sua oferenda de Ano Novo para Iemanjá

Os Orixás não são consumistas. O consumismo é uma característica perniciosa da sociedade contemporânea. Os Orixás não se importam com presentes caros, mas se importam com presentes que venham do coração.
Segue orientações para sua oferenda de final de ano:
Se você está na praia:
- Não deposite oferendas em barquinhos de isopor. Os peixes, baleias, golfinhos, tartarugas e outros animais marinhos engolem o isopor e a maioria deles morre no mar engasgados. 
- Não deixe frascos de perfume na praia. Tire a tampa do perfume e jogue o líquido nas águas. Os frascos podem quebrar e machucar os pés das pessoas. Recolha os frascos e jogue-os no lixo. 
- Não deixe resíduos de materiais não-orgânicos no mar (velas, tecidos, pentes de plástico, espelhos, etc.). Eles demoram para se decompor. Lembre-se: o mar é a casa de Iemanjá. Portanto, tenha respeito por ele. 
- Escolha flores diversas, brancas e azuis, monte seu arranjo (no caso de cabos com espinhos, não se esqueça de retirar os espinhos) e jogue-o no mar. Jogue também o líquido do perfume. Ao entrar nas águas faça seus pedidos e pule sete ondas. Em seguida jogue a sua oferenda no mar. 
- Não se esqueça de, ao pisar na areia da praia, saudar Ogum. A areia da praia é um dos locais sagrados desse Orixá.
Se você está em casa:
- Monte um altar para Iemanjá. Decore-o com flores brancas e azuis. Coloque aos pés da imagem de Iemanjá (uma estátua ou até uma imagem impressa) um pente pequeno, um espelho, um sabonete e um frasco de perfume. Você pode incluir fitas brancas e azuis e velas brancas e azuis. Cuidado com as velas. Acenda-as em um suporte seguro. Quando der meia-noite, faça a sua oração a Iemanjá e faça seus pedidos e agradecimentos.
- Como 2016 vai ser regido por Oxalá, faça um altar para esse Orixá também. Coloque velas e flores brancas, água ou vinho branco.
Feliz Ano Novo! Saravá 2016!

13 de novembro de 2015

Carta Magna de Umbanda


Dia 15 de novembro comemora-se o Dia Nacional da Umbanda, pois foi nesta data que Zélio Fernandino de Moraes, através de sua entidade o Caboclo das 7 Encruzilhadas, promulgou o nascimento dessa religião. Apesar da Umbanda ter 107 em nosso país, somente agora foi executada uma Carta Magna, a qual dá as diretrizes fundamentais.
Abaixo segue o texto completo da Carta Magna de Umbanda que será lançada nesta sexta feira dia 13/11/2015, na câmara municipal de São Paulo:

CARTA MAGNA DE UMBANDA
1 - Umbanda é uma religião espiritualista de doutrina afro-indígena-euro brasileira.
2 - É uma religião monoteísta, que crê na existência de um Deus único, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, eterno, onipotente, onipresente, soberanamente bom e justo.
3 - A Umbanda crê e cultua de forma própria os Orixás Africanos, sincretizados com os santos Católicos, guias e mentores espirituais que, como ministros de Deus, zelam e O auxiliam na realização de suas obras.
4 - A Umbanda crê na reencarnação e na incorporação das entidades espirituais, em vidas sucessivas, no aprimoramento espiritual e aperfeiçoamento do ser humano para conduzi-lo a Deus.
5 - O espirito denominado Sr. Caboclo das Sete Encruzilhada, incorporado no médium Zélio Fernandino de Moraes, no dia 15 de novembro de 1908, em São Gonçalo das Neves – RJ, data que reconhecemos como sendo o nascimento da Umbanda, anunciou:
6 - A Umbanda considera a natureza com tudo que ela encerra como obra máxima do Criador, sendo o altar de Deus, o lugar onde se pode com Ele conversar, portanto, preservar a natureza é obrigação de fé de cada umbandista.
7 - A Umbanda é uma religião sincrética fruto da cultura religiosa de três segmentos: Branca do elemento europeu colonizador; Negra escravizada na África para laborar na terra e a Indígena que já ocupava esta terra.
8 - A Umbanda tem liturgia e ritos próprios derivados da diversidade de raças e culturas que a fundamentam. São práticas litúrgicas umbandista
8.1 - A preparação e formação mediúnica e sacerdotal;
8.2 - O Batismo;
8.3 - O Casamento;
8.4 - Os Ritos Fúnebres.
9 - Constituem símbolos da Umbanda:
9.1 - O Hino da Umbanda;
9.2 - A bandeira da Umbanda;
9.3 - Juramento Umbandista.
10 - Sendo a Umbanda a manifestação de espirito para a prática da caridade deverá sempre ser exercida sem a remuneração pecuniária, salvaguardada a sustentação financeira da organização religiosa.
11 - Deve o adepto da religião de Umbanda sempre seguir a ética religiosa e a lei dos homens.
12 - Todo irmão umbandista que desejar fazer parte do corpo mediúnico de um templo deverá prestar o “Juramento Umbandista”.
13 - A Umbanda defende uma sociedade em que todas as religiões sejam igualmente respeitadas, a promoção da tolerância como princípio republicano e a preservação da educação pública laica.
14 - A Umbanda estará sempre de portas abertas para todos.

Justos e perfeitos, os subscritores desta, a qual estará aberta a adesões, reafirmam o compromisso permanente com o engrandecimento da Umbanda e seus valores magnos.

São Paulo, 13 de novembro de 2015.

18 de outubro de 2015

O sentido da oferenda na Umbanda

Para melhor compreensão e para acabar com a crítica, a explicação do sentido da oferenda na Umbanda terá uma comparação com a Santa Ceia do catolicismo.

Segundo a história do Mestre Jesus na Bíblia Sagrada, um dia antes de sua prisão Cristo realizou uma ceia onde reuniu seus apóstolos proferindo as seguintes palavras:

“Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. 
Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (1 Coríntios 11:24-25).

Lendo estas belas passagens da Bíblia Sagrada podemos entender que a Santa Ceia foi um ritual “Mágico” na qual Mestre Jesus ensinou aos apóstolos um ritual para que eles pudessem se conectar à força espiritual de Cristo que vos levaria a Deus.
Neste ritual, Cristo transforma o pão em sua carne e o vinho em seu sangue, ambos elementos sagrados que purificariam e uniriam seus apóstolos ao amor e fé do Mestre Jesus. Mas, olhando com atenção esse ritual, Cristo transforma simples alimentos em componentes mágicos, assim despertando o lado sagrado da vida, o lado sagrado do alimento, da bebida, da união.
Agora, com isso em mente, voltamos nossa atenção para os rituais de Umbanda, sendo as oferendas um dos rituais mais criticados por quem não tem conhecimento sobre nossa religião.

As oferendas são criticadas por acharem que é um desperdício de alimento. As oferendas são oferecidas às Divindades (Orixás) para “n” motivos que os seres humanos necessitem no momento e estas oferendas de alimentos ou as mesas feitas dentro dos Terreiros de Umbanda com alimentos que homenageiam os Guias têm o mesmo sentido que a Santa Ceia, pois o mesmo ato que Cristo teve ao consagrar aquele alimento aos seus apóstolos, também nós fazemos com os alimentos e bebidas em nossas oferendas; nós as consagramos aos Orixás, pedindo que irradiem suas energias vivas e divinas para que possam ser direcionadas em nossas vidas, nos trazendo paz, conforto, amor, entre outros sentimentos.

Mas também é importante frisar que toda oferenda ou mesa pode e deve ser aproveitada pela comunidade ou pelo Terreiro, assim não desperdiçando o axé ali imantado.
Da mesma forma que a oferenda de alimentos tem o mesmo sentido que a Santa Ceia, também tem o mesmo sentido a bebida que os Guias bebem com o cálice que Cristo ofereceu aos seus apóstolos. 
No momento que Cristo oferece o vinho a todos, ele consagra e transmuta o vinho, virando assim uma bebida purificadora e assim também é nos Terreiros de Umbanda, pois quando um Guia pega seu copo e faz seus rituais de consagração, nesse momento aquela bebida deixa de ter um significado pejorativo e passa a se tornar um líquido mágico, composto por energias fortes, capazes de purificar energias densas internas tanto do médium incorporado como do consulente em atendimento.

Lembrando que os Guias de Umbanda bebem por um fundamento já difundido na Umbanda e não porque Jesus o fez. As oferendas por si antecedem o nascimento de Cristo e sempre foram um ritual de agradecimento que hoje na Umbanda também já é fundamentada e bem difundida no meio.

Fonte: Nikolas Peripolli (Umbanda eu curto)


11 de agosto de 2015

Incorporação e Irradiação

O ato de incorporar não é simples. Um espírito não “entra” no médium como se entra em um carro. Na verdade, a plena incorporação leva tempo e precisa estabelecer outros processos anteriores. Um deles é a irradiação.
A irradiação é o período de tempo variável que as Entidades irradiam suas vibrações no médium, preparando seus corpos sutis para posteriores incorporações. Nesta etapa, o médium pode captar a vibração da Entidade e ter contato fluidicamente com o corpo astral da Entidade. Isto dará ao médium uma impressão de como é a Entidade, como ele a sente. O médium pode, nesta fase, captar muitas ideias oriundas das Entidades, mas pode se confundir muito com seus próprios pensamentos. Pode sentir uma forte força o conduzindo a andar, sentar ou manipular algo. O médium sente muitas reações corporais: suor, tremores, mãos frias e molhadas ou então calores, falta de noção de espaço e possível visão embaçada, além de dormência, taquicardia (palpitações), fraqueza nas pernas, tonteira, torpor, dor em determinadas áreas do corpo. Esses são alguns sintomas que o médium pode sentir.
Estas reações são variáveis de pessoa para pessoa, resultado da manipulação energética que as Entidades operam em seus médiuns e o resultado dessa manipulação é a desobstrução dos chacras, reparo dos buracos na aura, além de preparar as áreas responsáveis para estabelecer futuras incorporações.
A ansiedade, o medo, a angústia e falta de esclarecimento podem dificultar essa fase, pois o médium, muitas vezes, não permite receber de forma plena as irradiações espirituais, bloqueando parcial ou totalmente.



O que o médium pode fazer para melhorar e captar bem as irradiações e a transição para as incorporações
Quando o médium sentir as primeiras ações de sua entidade é aconselhável esvaziar a mente de pensamentos, perguntas, dúvidas e medos. Deve deixar o corpo leve, sem tensões. Nesta fase, o médium pode ter visões, ou seja, imagens lançadas ao médium pela própria entidade. E quanto mais relaxado e livre de pensamentos ele tiver, mas vai sentir sua entidade e interagir com ela.
Ao iniciante, chega sempre um momento que é difícil distinguir o que são seus pensamentos, ações das entidades ou reações dele mesmo. Uma incorporação se estabelece quando o médium perde parcial ou total consciência sobre seu corpo e este passa a ser dirigido por uma força estranha a ele. O médium não comanda o seu corpo e, se tentar sentar, caminhar, agir normalmente, não irá conseguir.
Quando o médium de Umbanda perder o controle de seu corpo e perceber uma força o conduzindo de forma equilibrada, controlada e ordenada, a Entidade estabeleceu uma excelente sintonia com o aparelho. A Entidade pode demorar um pouco para falar, mas não é via de regra. O médium vai perceber que as ideias lhe chegam e são pronunciadas de forma rápida, sem que fique perdido em pensamento e reflexões para depois falar. A fala da entidade é direta. Muitas vezes, no início, as palavras podem passar pelo mental do médium antes de serem ditas, mas, com o tempo, isso se torna praticamente automático. E muitas vezes o médium pode passar pela situação de pensar uma coisa e de sua boca sair outra completamente diferente. Lembre-se: é a Entidade que está no controle e não o médium.
O médium consciente vê e ouve tudo, mas mesmo assim perde completamente o domínio de seu corpo. O que ocorre é uma perda de noção tempo-espaço, além da sensibilidade corporal, que se altera.
Portanto, além de cuidar dos pensamentos e energia vibratória, o médium deve também cuidar do corpo, da alimentação e fazer os resguardos para que tudo esteja equilibrado para que a Entidade tenha um “aparelho” satisfatório para trabalhar. Pois água limpa em copo sujo jamais será de boa qualidade para o consumo.
Nos médiuns em idade avançada, as manifestações são simplesmente mentais, pela fragilidade do corpo físico.
Então, a boa incorporação não depende somente das Entidades, mas principalmente dos médiuns, pois quanto mais disciplina e prática tiverem, mais firmes serão suas atividades mediúnicas no Terreiro.


Fonte: Marcelo Fernandes

12 de julho de 2015

Função da glândula Pineal



A pineal está localizada no meio do cérebro, na altura dos olhos. Ela é um órgão cronobiológico, ou seja, é um relógio interno. Ela age captando as radiações do Sol e da Lua, obedecendo aos sincronizadores energéticos.
O Sol é um sincronizador energético externo que rege a noção de tempo e que influencia a pineal, regendo o ciclo de sono e de vigília, quando esta glândula secreta o hormônio melatonina. Isso dá ao organismo a referência de horário. Existe também o sincronizador energético interno, que são os genes, trazendo o perfil de ritmo regular de cada pessoa.
Nós vivemos em três dimensões e nos relacionamos com a quarta, através do tempo. A pineal é a única estrutura do corpo que transpõe essa dimensão, que é capaz de captar informações que estão além desta nossa dimensão, sendo o ponto em que a alma se liga ao corpo. A pineal é um terceiro olho, literalmente, e converte ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos.
O espiritual age pelo campo eletromagnético. A pineal capta informações do mundo espiritual por ondas eletromagnéticas, como “um telefone celular”, e as transforma em estímulos neuroquímicos.
A pineal está ligada a dois centros nervosos, um de cada ouvido. Estes dois centros nervosos, e mais o centro situado na própria glândula, formam um triângulo, com a pineal no centro da cabeça com o ápice ou vértice superior, e dois centros nervosos dos ouvidos formando a base. Assim, tudo o que afeta os tímpanos afeta a pineal e qualquer princípio que afeta a pineal irá afetar também os tímpanos.
Isso porque a glândula pineal está localizada em uma área cheia de líquido. O som faz o líquido vibrar, provocando uma reação na glândula, convertendo ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos.
Tudo é vibração e nós vibramos em diferentes frequências e também somos influenciados em diferentes frequências, por meio natural ou não. Constantemente estamos sendo bombardeados com energias vindas do universo e da espiritualidade.
Quanto mais se intensifica a frequência vibracional, mais a pineal “trabalha”, quanto mais ela trabalha, mais se intensifica a vibração, formando um círculo que nos leva rapidamente ao estado de projeção consciente.
Sendo assim, os barulhos, zumbidos, apitos, sininhos que algumas pessoas escutam são produzidos pelo trabalho/desenvolvimento da glândula pineal e todo um fator externo está contribuindo para isso. Nós estamos, literalmente, escutando-a trabalhar, cujo trabalho é se conectar com outra dimensão.
Portanto, médiuns, ao escutarem um zunido em seu ouvido, estejam certos que sua glândula pineal está sincronizando com a espiritualidade!