Blog da Casa de Caridade Luz Divina - dirigente espiritual Vovó Luiza

28 de fevereiro de 2014

Visão Espiritual do Carnaval



O benfeitor espiritual Manoel Philomeno de Miranda procurou retratar, através de psicografia pelo médium Divaldo Franco, numa visão espírita as ocorrências mais importantes durante o transcorrer do Carnaval no Brasil.

"O Carnaval é originário das bacanália, da Grécia, quando se homenageava o deus Dionísio, os trácios e a maioria dos povos antigos já se atiravam aos infrenes prazeres coletivos. Posteriormente, estas festas ocorriam em Roma, como Saturnália, e nessa ocasião sacrificava-se uma vida humana em louvor aos gozos sensuais que iriam ser procedidos, numa demonstração bem característica da fria crueldade do sentimento pagão.

No entanto, foi a partir da Idade Média que ficou estabelecida uma comemoração anual, quando era lícito a todas as pessoas, práticas e atos censuráveis sem qualquer constrangimento.

Nos tempos modernos este costume foi oficializado, particularmente no Brasil, durante três ou mais dias, justificado como uma necessidade para que sejam descarregados os recalques e tensões, acumulados no transcorrer do ano. Surgiu então neste comenos a palavra Carnaval, formada das silabas iniciais dos vocábulos carne nada vale.”

A visão do plano espiritual desdobra-se em cores vivas e chocantes, descreve Miranda: 

“Enquanto no plano físico a multidão sequiosa de divertimentos e prazeres carnais se movimentava pelas vias públicas principais de determinada cidade brasileira, numa crescente excitação da sensualidade, a psicosfera nessas áreas carregava-se de vibrações escuras e pestilenciais, fomentando a atração de Espíritos desencarnados vivendo em idêntica volúpia, que se atiravam a desmandos de orgias escabrosas, difíceis de serem descritos do ponto de vista terreno.

Misturando-se com as pessoas em perfeita sintonia mental, os seres desencarnados, aglomerados pelos desejos desenfreados, agrediam os transeuntes, atingindo-lhes os centros do discernimento com ideias infelizes, nefastas, colocadas imediatamente em prática de conformidade com as tendências de cada indivíduo.

Formas invisíveis de aspecto vampiresco buscavam as suas vítimas para sugar os plasmas vitais, notadamente o genésico, induzindo-as aos descalabros de toda ordem, inclusive iniciando quadros obsessivos de consequências imprevisíveis. As cenas se sucediam em seus aspectos deprimentes e constrangedores, demonstrando que uma faixa expressiva das criaturas humanas ainda se encontra nos limites do instinto, comandada pelos impulsos das sensações animalizantes, sem qualquer sensibilidade pelas emoções superiores.

Justamente nesse clima de excessos lastimáveis, dois casais que tinham ingressado recentemente nas hostes espíritas resolveram, a pretexto de se despedirem da vida profana e para não sentirem frustrações futuras, pular e dançar nesse verdadeiro caldeirão de sentimentos malsãos.”
José Ferraz
(Trabalhador Espírita da Mansão do Caminho em Salvador-BA e membro do Projeto Manoel Philomeno de Miranda)

Esta descrição serve também para os Umbandistas. Salienta-se que pode-se brincar o Carnaval, desde que seja de forma sadia, sem excessos, sem bebedeiras e sem luxúria. Pois os Espíritos do Baixo Astral estão à postos para obsediar a todos que mantenham o mesmo padrão vibratório deles.

Saravá!

16 de fevereiro de 2014

Recado aos médiuns


O que eu vou falar agora é algo que quase nenhum dirigente fala, mas que é fundamental para que o médium (iniciante ou não) entenda o que acontece quando aceita entrar para a corrente em um Terreiro de Umbanda.

Dentro do Terreiro existe uma hierarquia entre os Guias, claro. Os Guias chefes, geralmente os Guias do dirigente, comandam o exército espiritual que está ali presente. Ou seja, comanda sua própria falange, as entidades que estão diretamente abaixo dele na hierarquia, inclusive aqueles que não se conhece, pois muitos deles não chegam a baixar no terreiro, e também os Guias dos outros médiuns da corrente, como em um exército e, consequentemente, os Guias que estão abaixo deles, que quase nunca (ou nunca) se apresentam também.

Parece óbvio, né? Mas o que ocorre quando alguém entra em um Terreiro não é tão claro...

O Guia (leia-se Entidade) “abre um trabalho” para um consulente quando ele vem tomar um passe, fazer uma consulta. Isto quer dizer que o Guia se torna responsável por esta pessoa, assumindo os “inimigos” espirituais, os desafetos, os verdugos, como sendo seus. O Guia passa a proteger o consulente, a ser aquele que vai bater de frente com quem quer que seja que venha lhe prejudicar. Isto é parte do tratamento e a outra parte tem a ver com o próprio consulente melhorar sua conduta.

Entende o que o Guia faz pelas pessoas? O Guia, seja qual for, passa a dar sua própria “cara à tapa” em seu lugar. Isto é muito sério. Não dá para assumir inimigos à toa. E todo Guia sabe disso.

Quando uma pessoa resolve aceitar o convite e entrar para a linha de trabalhos da casa, para a corrente, isto é ainda mais sério. Todos os Guias da casa passam a fazer tal proteção (não importa quanto tempo a pessoa tem de corrente) e, além de assumir seus inimigos e zelar pelo filho da casa, ainda passarão a fazer certos acordos com outros espíritos para que o médium possa se desenvolver mediunicamente. Existe toda uma movimentação para que isto aconteça da melhor forma para este novo filho.

E quando ele entra na linha de passes e começa a dar consultas, então, novos acordos são forjados, novas alianças são feitas, tudo para que este filho possa caminhar o mais suavemente possível. Pelo menos do lado espiritual.

Lógico que tudo isto sempre depende do próprio filho. Não adianta um Guia de Luz se matar fazendo alianças, recuperando verdugos, batalhando ao seu lado se este médium não se melhorar também. Isto só vai desperdiçar as forças do Guia, pois assim que ele terminar com tudo isso, o próprio filho abrirá campo para que os verdugos (kiumbas) retornem. Se o médium se mantiver negativo, não há trabalho que possa ser feito para afastar dele as coisas ruins – o próprio médium se encarregará de trazê-las de volta.

Os Guias trabalham muito por nós. Nós devemos, no mínimo, repensar nossa forma de agir, se quisermos evoluir e não mais sucumbir ao sofrimento espiritual imposto pelos kiumbas e inimigos espirituais. Devemos também sermos dedicados ao Terreiro e às Entidades, sermos gratos pela oportunidade que nos foi dada para diminuirmos nosso karma e evoluirmos!

Saravá!

4 de fevereiro de 2014

Livro sobre a Umbanda!


Este livro foi feito em formato de perguntas e respostas, de forma didática para todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre a Umbanda.

Quem desejar adquirir um exemplar, deixe mensagem in box em nossa página: Yalorixá Patrícia ou Ogã Aguinaldo.

Cada exemplar custa R$ 35,00.

2 de fevereiro de 2014

Linha dos Baianos


Na Umbanda pura, sem mistura com Candomblé, Nações ou catolicismo, dia 02 de fevereiro é dia de Nosso Senhor do Bonfim - o padroeiro do Povo Baiano. Por este motivo, esta data ficou instituído, na Umbanda, como o dia de se homenagear a Linha dos Baianos.

O Baiano representa a força daquele que fica à margem da sociedade, o que sofreu e aprendeu na "escola da vida" e, portanto, pode ajudar as pessoas. O reconhecido caráter de bravura e irreverência do nordestino migrante parece ser responsável pelo fato de os baianos terem se tornado uma entidade de grande frequência e importância nas giras paulistas e de todo o país, nos últimos anos. Os baianos da Umbanda são pouco presentes na literatura umbandista. Povo de fácil relacionamento, comumente aparece em giras de Caboclos e Pretos-Velhos, sua fala é mais fácil de se entender que a fala dos caboclos. Conhecem de tudo um pouco, inclusive a Kiumbanda, por isso podem trabalhar desfazendo feitiços.

Enfrentam os invasores (kiumbas, obsessores) de frente, chamando para si toda a carga com falas do gênero "venha me enfrentar, vamos vê se tu pode comigo". Buscam sempre o encaminhamento e doutrinação, mas quando o kiumba não aceita e insiste em perturbar algum médium ou consulente, então o Baiano se encarrega de "amarrá-lo" para que não mais perturbe ou até o dia que tenha se redimido e queira realmente ser ajudado. 
Costumam dizer que se estão ali trabalhando é porque não foram santos em seu tempo na terra, e também estão ali para passarem um pouco do que sabem e principalmente aprenderem com o povo da terra. São amigos e gostam de conversar e contar casos, mas também sabem dar broncas quando vêem alguma coisa errada. 
Nas giras eles se apresentam com forte traço regionalista, principalmente em seu modo de falar cantado, diferente, eles são “do tipo que não levam desaforo pra casa”, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversando bastante, falando baixo e mansamente, são carinhosos e passam segurança ao consulente que tem fé. Os trabalhos com a corrente dos Baianos trazem muita paz, passando perseverança para vencermos as dificuldades de nossa jornada terrena. 
A Entidade pode vir na linha de Baianos e não ser necessariamente da Bahia, da mesma forma que na linha das crianças nem todas as entidades são realmente crianças. Os Baianos são das mais humanas entidades dentro do terreiro, por falar e sentir a maioria dos sentimentos dos seus consulentes. Adoram trabalhar com outras entidades como Erês, Caboclos, Marinheiros, Exus, etc. São grande admiradores da disciplina e organização dos trabalhos. São consoladores por natureza e adoram dar a disciplina de forma brusca e direta, diferente de qualquer entidade. 
Os Baianos não têm filhos de cabeça, pois são entidades auxiliares.

Cor
Amarelo
Fio de Contas
Amarelo
Ervas
Arruda, guiné, espada de São Jorge
Símbolo
Cactus ou Cruz
Pontos da Natureza
Campina
Flores
brancas ou do campo
Essências
Arruda
Pedras
Ágata amarela
Metal
Latão
Saúde
Psíquica e emocional
Planeta
Terra
Dia da Semana
Segunda-feira
Elemento
Terra
Chacra
Umbilical
Saudação
É da Bahia
Bebida
Água de coco, cachaça, batida de coco, caldo de cana
Animal representativo
Galinha angolana
Comidas
Coco, cocada, aipim com melado
Número
2
Data Comemorativa
2 de Fevereiro
Sincretismo
não há

20 de janeiro de 2014

Oxossi


Oxossi significa ação envolvente ou circular dos viventes da Terra, ou seja, o caçador de almas, que atende na doutrina e na catequese. Suas entidades falam de maneira serena e seus passes são calmos, assim como seus conselhos e trabalhos. 

Seus pontos cantados traduzem beleza nas imagens e na música e geralmente são invocações às forças da espiritualidade e da natureza, principalmente as matas. São caracterizados pela cor verde que corresponde ao elemento verde da natureza, as matas e o povo que as habita, os índios e seus mestiços, os Caboclos.

É a força cósmica da natureza comandando a mente por intermédio dos aromas e princípios curativos das ervas, inclusive da descarga humana, por meio dos banhos e defumações purificadoras que recebem das selvas os elementos primordiais dessas magias. Na Umbanda, é sincretizado com São Sebastião.

A linha de Oxossi é famosa por ser a linha da grande maioria dos Caboclos. Oxossi é conhecido na Umbanda como o senhor das matas e de todos os Caboclos. Desta linha provém uma força de grande poder que emana diretamente de Oxossi.

Você já deve ter ouvido a expressão "Todo Caboclo é de Oxossí". Esta afirmação é porque esta linha é apadrinhada deste Orixá, mas temos caboclos que vibram para Ogum (Caboclo Araribóia, Ubirajara, etc.), que vibram para Xangô (Caboclo Sete-Pedreiras, Cachoeira, etc.), que vibram para Oxalá (Caboclo Pena-Branca, Aymoré, etc.), que vibram para Cosme e Damião (Caboclinho da Mata, Tupizinho, etc.), na linha de Iemanjá (Cabocla Estrela do Mar, Indaiá, etc.), na linha de Iansã e outras linhas.

Características

Cor
Verde
Fio de Contas
Verde (ou verde e branca)
Ervas
Alecrim, Guiné, Vence Demanda, Abre Caminho, Taioba, Espinheira Santa, Jurema, Jureminha, Mangueira, Desata Nó, Erva de Oxossi, Erva da Jurema, Alfavaca, Caiçara, Eucalipto
Símbolo
arco e flecha
Pontos da Natureza (campo de força)
Matas
Flores
Flores do campo ou flores brancas
Essência
Alecrim ou alfazema
Pedras
Esmeralda, Amazonita, Quartzo Verde, Calcita Verde
Metal
Bronze
Saúde
Aparelho Respiratório
Planeta
Vênus
Dia da Semana
Quinta-feira
Elemento
Terra
Chacra
Frontal
Vibração
Vegetal
Campo de atuação
Conhecimento
Saudação
Okê Caboclo, Okê Oxossi
Bebida
Vinho branco, água de coco, água mineral
Animal representativo
pavão
Comidas
Axoxô (milho com fatias de coco), frutas, pamonha
Número
6
Data Comemorativa
20 janeiro
Sincretismo
São Sebastião

Atribuições
Oxossi é o caçador por excelência, mas é o caçador de almas, pois sua busca visa o conhecimento e o desenvolvimento espiritual. Logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados, tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso.

Oxossi é o Orixá da fartura, é ele quem traz para o homem as plantas curativas. Vibra sobre tudo que nasce sobre a terra, exceto as plantas tóxicas e venenosas.
Os Caboclos, seus enviados ao nosso plano físico, são hoje conhecidos como os caçadores e catequizadores de almas. Deles emanam o sentimento e a força para lutar e vencer qualquer situação.

Oxossi é um vencedor, traz para o povo a sobrevivência, a fartura, a cura das doenças pela natureza, a saúde plena. Esta linha representa mudanças, o movimento, tudo o que é novo e vibrante. Ligado às alterações mentais e físicas, Oxossi é o constante movimento da natureza, que está sempre em evolução, é a essência, ou seja, é aquilo que anima, que dá vida.

As Características dos Filhos de Oxossi
O filho de Oxossi apresenta arquetipicamente as características atribuídas ao Orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.

Os filhos de Oxossi são geralmente pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Têm, portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir. 

Fisicamente, os filhos de Oxossi, tendem a serem relativamente magros, um pouco nervosos, mas controlados. São reservados, tendo forte ligação com o mundo material, sem que esta tendência denote obrigatoriamente ambição e instáveis em seus amores. 

No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, a fim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. 

Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade do caçador. Assim os filhos de Oxossi trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver a observação, tão importantes para seu Orixá. Quando em perseguição a um objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos atentos. Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e disposição. 

Os filhos de Oxossi, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo. 

Os filhos de Oxossi tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo ou família. Podem ser paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família. Não é estranho que, quem tem Oxossi como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou mesmo relacionamentos emocionais muito estáveis. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente independentes, já que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas individualidades que nunca se misturam. 

Os filhos de Oxossi compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá. Gostam de viver sozinhos, preferindo receber grupos limitados de amigos. É, portanto, o tipo coerente com as pessoas que lidam bem com a realidade material, sonham pouco, têm os pés ligados à terra. 

São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma. 

O tipo psicológico do filho de Oxossi é refinado e de notável beleza. É dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias, volúveis em suas reações amorosas, muito suscetíveis e tidos como "complicados". É solitário, misterioso, discreto, introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbravador, um pioneiro. Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito emotiva e romântica.

Okê, Caboclo! Saravá, Oxossi!


1 de janeiro de 2014

A simbologia do 7


O ano de 2014, pela numerologia, soma 7. Então, vamos ver o que este número significa em termos astrais, em diferentes culturas, e para a Umbanda.

O sete é o número místico por excelência. É o número da Criação (que é o 3, representando o Céu / Trindade Divina – lembrando que para a Umbanda a Trindade Divina é diferente do significado católico, é formada por Zambi, o Criador, Oxalá e Orixás), mais o 4 (representando a Terra com seus quatro elementos), somando 7. Por isto é o número que indica a relação viva entre o divino e o humano.


Isso está implícito na estrela de Oxalá ou de Davi, onde dois triângulos se cruzam: um ascendente e outro descendente. As seis pontas, mais o ponto central, somam o sete místico, simbolizando a união do céu e da terra, do bem e do mal, do divino e do humano.
O círculo da eternidade, com os triângulos superior (Deus/Zambi) e inferior (homem/terra) tendendo para direções opostas, uma vez que estão em luta constante. Resolvido este impasse, o homem reconhecerá que o seu Eu, seu Centro (ponto central), é o mesmo que o de Deus/Zambi.
Todos os livros sagrados estão cheios de exemplos da excelência do número sete, principalmente a Bíblia.

No livro Gênesis, por exemplo, vamos encontrar o 7 como o número da Criação. No primeiro dia Deus criou a luz, separando-a das trevas; no segundo dia Deus criou a abóbada celeste, separando as águas de cima das águas de baixo; no terceiro, criou a terra firme, separando-a das águas, e espalhou nela a vegetação; no quarto, criou o Sol, a Lua e as estrelas; no quinto dia criou os peixes, os monstros marinhos e os pássaros; no sexto, criou os animais, os répteis e o homem; e, no sétimo dia, Ele descansou.

“Assim foram acabados o céu e a terra e todos os seus ornatos. E Deus acabou no sétimo dia a obra que tinha feito; e descansou no sétimo dia de toda a obra que tinha feito. E abençoou o dia sétimo, e o santificou, porque nele tinha cessado de todo a sua obra, que tinha criado e feito” (Gênesis, 2, 1-3).

Desta forma, desde a criação do mundo, um tempo foi imprimido ao ritmo universal quando Deus decidiu que a semana teria sete dias e não cinco ou dez. Ao mesmo tempo, Deus dedicou o sétimo dia ao descanso. O sétimo dia é sagrado.

São 7 as Ciências Naturais, são 7 as virtudes, são 7 os pecados capitais, assim como são 7 os sacramentos, as notas musicais, os gênios persas, os arcanjos judaico-cristãos.

No cristianismo encontra-se o 7 na base da sua principal oração. O pai-nosso inicia com uma invocação e termina com uma dedicatória. Entre o princípio e o fim encontramos 7 petições:
1- Santificado seja o Vosso nome;
2 - Venha a nós o Vosso reino;
3 - Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu;
4 - O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
      5 - Perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos aos nossos devedores;
6 - Não nos deixeis cair em tentação;
7 - Livrai-nos do mal.

Como vemos, das 7 petições presentes no pai-nosso, as 3 primeiras são dirigidas a Deus e as 4 seguintes ao homem. Isso nos remete a um outro mistério que cerca o número 7 enquanto número da Criação. O sete é a junção do 3 (divino) e do 4 (físico e humano).

No Livro Gênesis, vimos que Deus, ao criar o mundo, dedicou os três primeiros dias à criação dos “campos” onde as criaturas agiriam nos quatro dias restantes.
Essa divisão é válida e pode ser observada na maioria dos exemplos onde o sete servir de base.

Nas 7 virtudes, 3 são sobrenaturais (fé, esperança, caridade) e quatro são cardeais (prudência, justiça, fortaleza e temperança).

Os 7 pecados capitais se dividem em três que pertencem ao espírito (soberba, ira, inveja) e quatro que pertencem ao corpo (luxúria, gula, avareza e preguiça).

Portanto, para entendermos totalmente o significado do número sete, temos que analisar anteriormente os números 3 e 4, ou seja, o ternário e o quaternário.

Na Grécia antiga, entre os pitagóricos, o 3 era considerado o número perfeito por ter princípio, meio e fim. Por essa razão, o 3 era considerado o símbolo do divino. Os gregos tinham ainda três destinos, três fúrias e três graças. Os deuses eram sempre representados com um triplo instrumento de poder: o tridente de Netuno, o raio triplo de Júpiter. Os antigos imaginavam o mundo composto de três partes: céu, terra e subsolo. Assim, o homem tinha que ser dividido em três partes, a saber: corpo, alma e mente. A mente se subdivide em consciente, subconsciente e inconsciente ou ego, superego e id.

Porém, o uso mais claro do poder divino do número três é a descrição que normalmente se faz da divindade como sendo trina. No dogma cristão esse aspecto aparece quando se afirma que Deus é Um na essência, mas possui três aspectos distintos, ou seja, Pai, Filho e Espírito Santo. Entre os Nórdicos a divindade também possuía o seu aspecto triplo: Har, Janfar, Thridi.

Entre os Babilônicos; Anu era o deus-chefe da trindade composta ainda pon Enlil e Ea. Entre os Egípcios, a trindade divina seguia o protótipo de uma outra espécie: pai-mãe-filho, ou seja, Osíris, Ísis e Hórus. Entre os Etruscos, Tina, Cupra e Menrva apareciam sempre juntas e representavam o fogo, a fertilidade e a sabedoria.

Quanto aos Hindus, todos sabem que eles adoravam separadamente as três divindades distintas: Brahma, Shiva e Vishnu. Porém, a primeira lição ensinada aos discípulos na iniciação aos mistérios profundos era de que esta separação é ilusória, sendo que os três representam aspectos do Uno.

Portanto, o 3 é o número das forças da Criação. Essas forças são representadas por dois pólos que se opõem e um terceiro fator de interação e equilíbrio. Nesse sentido, o símbolo real da divindade é o triângulo equilátero. Ora, colocando-se um triângulo com um dos vértices voltado para cima (símbolo do superior) sobre um triângulo com um dos vértices voltado para baixo (símbolo do inferior), teremos a estrela de Salomão e de Oxalá. Colocando-se um ponto no centro dessa estrela (ou um círculo á sua volta) teremos novamente o número sete, simbolizando aqui o encontro do homem com Deus.

O símbolo do número 3 é o triângulo.

Quanto ao número 4, desde a mais remota antiguidade ele sempre foi considerado o número do mundo físico. A primeira e mais racional das explicações para esse fenômeno diz que o mundo físico é composto por quatro elementos: terra, ar, água e fogo. A outra explicação é que o quatro estaria relacionado aos quatro pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste). Acredita-se ainda que este conceito seria derivado da simetria do corpo humano.

Os exemplos tirados da Bíblia confirmam a ideia do 4 relacionado ao mundo físico. O rio que sai do Paraíso se divide em quatro outros rios. O Altar dos Sacrifícios tem quatro pontas, dirigidas aos quatro pontos cardeais. Os quatro animais que sustentam o Trono da Revelação referem-se aos quatro elementos. No Novo Testamento vamos encontrar o quatro de uma forma bastante dramática: os soldados romanos dividem em quatro partes as roupas de Jesus crucificado. Esta separação das vestes de Cristo simboliza a dissolução do seu corpo material e o seu regresso aos quatro elementos de que era composto.

Entre os Maias, o quatro também aparece ligado ao mundo material: eles tinham quatro deuses, sendo que cada um suportava um dos quatro cantos da Terna —Cauac (sul), Mulac (norte), Kan (este) e Ix (oeste).

E ainda devemos lembrar que são quatro as estações do ano (primavera, verão, outono, inverno); são quatro as fases da Lua (crescente, minguante, nova e cheia); são quatro as partes do dia (madrugada, manhã, tarde e noite).
E tudo isso equivale às quatro fases da vida do homem: nascimento, crescimento, maturidade e morte.

Em sua autobiografia, intitulada Memórias, Sonhos e Reflexões, o psicólogo suíço Carl Gustav Jung refere-se a ideia da quaternidade: “A quaternidade é um arquétipo de ocorrência quase universal. Constitui a base lógica para qualquer raciocínio completo. Se alguém desejar transmitir esse raciocínio, ele deverá ter esse aspecto quaternário. Por exemplo, se quisermos descrever o horizonte como um todo, referir-nos-emos aos quatro quartos do céu... Há sempre quatro elementos, quatro qualidades principais, quatro cores, quatro castas, quatro formas de desenvolvimento espiritual, etc. Do mesmo modo, existem quatro aspectos de orientação psicológica. Para nos orientarmos, temos de possuir uma função que nos garanta que qualquer coisa está ali (sensação); uma segunda função que estabeleça o que é (pensamento); uma terceira função que estabeleça se serve ou não, se aceitamos ou não (sentimento); e uma quarta função que nos indique de onde uma coisa veio e para onde vai (intuição). Sempre que as coisas se passem desta maneira, nada mais há a dizer... A perfeição ideal é o círculo ou esfera, mas a sua divisão natural mínima é uma quaternidade”.

O quadrado e a cruz são os dois símbolos universais do quaternário. A cruz, ao contrário do que muita gente pensa, é um símbolo que foi englobado pelo cristianismo, mas que o antecede em milhares de anos. Os escandinavos já colocavam cruzes sobre os túmulos dos seus mortos muitos anos antes do aparecimento do cristianismo. Para os egípcios, a cruz simbolizava a vida, e entre os astecas, antes de qualquer contato com os cristãos, a cruz já era um símbolo sagrado.

Ainda entre as culturas antigas, vamos encontrar o sete simbolizado no Caduceu, símbolo ainda usado pela medicina e que foi descoberto na forma utilizada ainda hoje em uma taça suméria datada de 2.600 a.c. O caduceu consiste em duas serpentes iguais, enroscadas em um bastão, sendo que o seu significado original era, sem dúvida alguma, triplo. Pode ter sido o símbolo do bem e do mal (as duas serpentes) que se reconciliam em um terceiro elemento (o bastão), visto por muitos como o símbolo da eternidade. Na versão original sumeriana as serpentes se cruzam sete vezes, incluindo-se as pontas das caudas e as duas cabeças que apenas se tocam.

Sabendo-se que os sumérios tiveram um contato muito grande com a civilização hindu, alguns autores acreditam que o caduceu dos sumérios também se referia aos sete chacras, centros ou gânglios que podem ser despertados pelos que praticam ioga, quando conseguem ver o kundalini, a feroz força da serpente que, segundo a hatha-ioga, encontra-se enroscada na base da espinha. O despertar do sétimo chacra equivale, para o iogue, a entrada no sétimo paraíso maometano. Existe uma simetria entre esses dois símbolos. O fato de os iogues referirem-se ao kundalini como a força da serpente faz do caduceu a representação ideal do despertar dessa força.

Mas, enfim, seja qual for a sua forma ou origem cultural e religiosa, o número quatro se relaciona sempre ao mundo físico (ou terrestre) em oposição ao número três, que se refere ao divino (espiritual). Assim sendo, o número 7 (3 + 4) é o número da Criação. Além do mais, é um número magístico para a Umbanda e, por este motivo, é muito utilizado.

Chaboche, em seu livro “Vida e mistério dos números”, disse: “Sete... a liberdade, a luz, o sucesso e a alegria de viver”. Sendo assim, podemos concluir que 2014 será um bom ano, pois a soma de seus números é 7!

Fonte: Antônio Zago e Vovó Luiza de Guiné