Os Pretos-Velhos pertencem à Linha das Almas (Yorimá)
e representam a humildade, a fé, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o
amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam,
curando, ensinando, educando encarnados e espíritos sem luz. Não têm raiva ou
ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no
passado.
Com seus cachimbos, fala pausada, tranquilidade nos
gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam. São extremamente
pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de
karma e ensinar-lhes resignação.
A grande característica desta linha é o conselho. Os
termos "Velho", "Vovô" e "Vovó" são para sinalizar
a experiência de vida destas Entidades, pois quando pensamos em alguém mais
velho, como um vovô ou uma vovó, subentendemos que esta pessoa já tenha vivido
mais tempo, adquirindo assim sabedoria, paciência e compreensão. É baseado nestes
fatores que as pessoas mais velhas aconselham.
No mundo espiritual é bastante semelhante e é
devido a esta característica de aconselhar que diz-se que os Pretos Velhos são
os "Psicólogos da Umbanda".
Normalmente os Pretos-Velhos tratados por Vovô ou
Vovó são mais “idosos” do que
aqueles tratados por Pai, Mãe, Tio ou Tia. E, também, os "Vovôs e Vovós" são aqueles que vieram da África; já os "Pai", "Mãe", "Tio" e "Tia" são os que nasceram em terras brasileiras.
O dia em que a Umbanda homenageia
os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea
(libertação dos escravos).
Os feitores e senhores de engenho eram católicos devido
à influência portuguesa e, assim, não permitiam que os escravos tivessem
liberdade de culto. Eles eram obrigados a aprender e praticar os dogmas
religiosos do catolicismo. Porém, eles seguiram a velha norma: contra a força
não há resistência, só a inteligência vence.
Sendo assim, faziam seus rituais às ocultas,
deixando que os senhores acreditassem que eles haviam sido doutrinados no
catolicismo, cujas cerimônias assistiam forçados. Na época, as crianças
escravas recém-nascidas eram batizadas duas vezes. A primeira, ocultamente, na
Nação a que pertenciam seus pais, recebendo o nome de acordo com a religião. A
segunda vez, na pia batismal católica, sendo esta obrigatória. No batizado
católico a criança recebia o primeiro nome dado pelo seu senhor (proprietário)
e o sobrenome era composto do codinome da fazenda onde nascera (Ex.: Antônio da
Coroa Grande), ou então da região africana de onde vieram (Ex.: Joaquim
D'Angola).
Depois de mortos,
passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao
incorporarem, os Pretos-Velhos trazem os sinais característicos das tribos a
que pertenciam.
Não se pode dizer que
em sua totalidade estes espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da
escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas
anteriores, foram negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres,
iluminados, etc. Mas, para trabalhar na caridade, escolheram ou foram
escolhidos para trabalhar em forma incorporada de Preto-Velho. Alguns, nem
negros foram, mas escolheram como missão voltar nesta roupagem fluídica. Outros
foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram a forma de Pretos-Velhos.
Dia da semana: segunda-feira
Data comemorativa: 13 de maio
Guias: contas brancas e pretas ou lágrimas de Nossa Senhora
Chakra atuante: básico ou sacro
Planeta regente: Saturno
Cor representativa: branco e preto
Saudação: Adorei as Almas ou Cacurucaia
Fumo: cachimbos ou cigarros de
palha
Bebida: café preto amargo, vinho
tinto suave, água, cachaça com mel (alguns gostam de acrescentar ervas e alho)
Comida: feijoada ou tutu de feijão