Blog da Casa de Caridade Luz Divina - dirigente espiritual Vovó Luiza

27 de abril de 2012

CONSULTA NA UMBANDA É COISA SÉRIA

Existem muitas pessoas que vêm perguntar aos guias sobre assuntos os mais variados: saúde, vida sentimental, vida material e até mesmo vida espiritual. 
Querem emprego, namorados, dinheiro, posição. 
... Querem se livrar dos inimigos, dos aborrecimentos; querem ganhar na loteria, saber do marido ou mulher e com quem andam. 
Querem que os guias dêem respostas para qualquer pergunta por mais indiscreta e complicada que seja e que, além disso, resolva rapidamente as situações mais escabrosas, os problemas mais difícieis. 
Nada disso é sério.
Consulta na Umbanda é esclarecimento, conselho amigo e sábio dado por um guia de Luz e que enxerga longe para ajudar a quem necessita, para caminhar na estrada difícil da escola da vida.
Para guiá-lo para a luz. 
O médium que dá consultas, quando incorporado com seus guias, assume uma grande responsabilidade para com a pessoa atendida.
Essa tem, habitualmente, propensão para acreditar cegamente em tudo o que ouve do médium incorporado. 
Uma palavra leviana pode ter consequências gravíssimas e irremediáveis, pode levar a erros e injustiças, pode afastar o consulente do caminho da luz, pode provocar dramas. 
Alguns assuntos são espinhosos, saúde por exemplo:
médium não é médico, logo não tem direito de diagnosticar nem receitar remédio de farmácia. 
Os Guias verificam se a doença é de origem espiritual ou material e, então, aconselham o paciente, porém, sem ter a pretensão de substituir o médico da Terra. Só Ela pode fazer algo. 
Alguns guias receitam banhos de ervas ou chás.
Para estes últimos é preciso muito cuidado e o médium responsável deve conhecer bem as ervas receitadas para evitar possíveis aborrecimentos ou acidentes. 
Em todos os casos, temos que encarar os seguintes fatos:
os guias, por mais esclarecidos e evoluídos que sejam, não são infalíveis nem dotados do conhecimento integral de tudo que acontece no Universo.

O saber de cada guia é fator de sua evolução.
Os guias podem ignorar ou não ter licença para dizer certas coisas.
Ora, uma Entidade de luz é disciplinada e prefere calar-se a dizer o que não deve.
No que se trata de bens materiais, o assunto é complexo, a maioria dos guias prefere ajudar sem falar, por vários motivos: 
- a pessoa está na Terra para aprender uma lição de vida
– a mãe pode ajudar o filho e explicar o dever de casa, mas não pode fazê-lo.
- a pessoa tem que lutar para conseguir o que deseja e ela tem um carma a pagar.
Numa prova cármica, em regra geral, ninguém pode interferir.
Muitas vezes o pedido formulado é altamente prejudicial à evolução espiritual do consulente, ou à sua felicidade material futura.
Os guias preferem ouvir os pedidos em silêncio para poder agir em seguida da melhor forma.
Não devemos esquecer que o guia não é onisciente. 
Ele corre gira para ficar ciente de todas as circunstâncias.
Ele também não é todo-poderoso.
Só pode dar com licença do Alto e conforme o merecimento de cada um. 
Há pedidos sobre o futuro aos quais nem sempre o guia pode responder, o futuro é aleatório e seu conhecimento não é aberto a todos. 
Estamos lançados numa trajetória porém temos livre-arbítrio e podemos nos desviar dela. 
Algumas perguntas não passam de fofocas e os guias não tem tempo a perder com este gênero. 
A parte espiritual é que justifica a existência das consultas. 
Um guia que está dando passe não precisa conversar para saber do que é que a pessoa necessita; nem precisa colocar seu médium a par dos problemas que a afligem. Ele vai ajudar no que for possível. 
A utilidade da consulta vem da necessidade que as pessoas têm de contar seus problemas a um amigo discreto, compreensivo e que pode lhe dar bons conselhos, esclarecendo dúvidas, ajudando de fato, explicando, encorajando, consolando.

As pessoas precisam de um ouvido atento, de um amparo afetivo. Necessitam poder se abrir sem constrangimento.
Tudo isso elas encontram na figura amiga dos guias.
O médium deve vivenciar a síntese da Sabedoria: 
1- FÉ no Poder Eterno da Vida; 
2- ESPERANÇA de atingir a perfeição; 
3- CARIDADE para retribuir a Misericórdia do Alto; 
4- PAZ para sentir a Harmonia da Lei que rege os Espaços; 
5- AMOR para com todos os seres e para com todas as forças da Natureza; 
6- SABEDORIA como humildade, reconhecendo que somente Deus é possuidor da Sabedoria Divina; 
7- CRISTO como presença íntima em nosso coração; 
8- COMPREENSÃO - por saber que os seres atuam em planos diferentes de entendimento; 
9- SERVIÇO – reconhecendo de que deve colocar-se como servo do Mestre e nunca como senhor; 
10- VIGILÂNCIA – observação das falhas que lhe são próprias, antes da constatação dos erros alheios; 
11- HUMILDADE – todas as tarefas são importantes e feitas para Aquele que é maior do que todos os companheiros; 
12- DAR – sem pensar em receber, agradecendo.



De: Áurea Oliveira

21 de abril de 2012

Ogum orienta filha de fé

A encruzilhada estava muito escura, muito vento, sozinha ela sentia muito medo de alguma violência, mesmo com o marido dentro do carro com os faróis acesos para clarear um pouco aquela intensa escuridão.
Trêmula e temente, ela saúda os quatro cantos da encruzilhada, posta-se no meio e ajoelha-se, imediatamente é tomada por uma dor profunda e chora, chora muito, com dificuldade posiciona o alguidar, abre a cerveja, corta as frutas e tenta acender as velas sem sucesso devido tanto vento, acende com dificuldade o charuto e saúda alto: “-Valei-me meu Pai 
Ogum!” e mais uma vez o pranto toma conta dos seus sentidos, as lágrimas caem no alguidar e banha a singela oferenda…
Do lado espiritual um clarão ilumina aquela inóspita encruzilhada e de frente à oferenda ele se posiciona, é um mensageiro de Ogum, com ele simultaneamente aparecem dezenas de Guardiões Exus, formam um verdadeiro cinturão no perímetro da encruzilhada, desenhando uma roda de proteção.
Ogum dos Sete Caminhos toca a ponta de sua espada na cabeça de Eliza que “desmaia”, quando se dá conta está do lado espiritual, vê seu corpo no chão e se alegra com a miragem daquele mensageiro à sua frente.
- Porque tanta dor minha filha?
- Meu Pai Ogum, não aguento tanto sofrimento, tudo dá errado para mim, tudo foge do controle, dívidas que não acabam, problemas no casamento, desarmonia na família. Meu Pai, sinto que tenho muito olho gordo na minha direção, também desconfio que estou sob efeito de forte “magia negra” e estou convencida de que isso é o que está fechando meus caminhos.
- Filha, segure minha mão.
Ao encostar as mãos nas de Sr. Sete Caminhos, uma luz intensa envolveu o corpo de Eliza, que foi projetada ao passado de sua memória presente agora vista por um ângulo que não gostava de imaginar, seguiram algumas cenas:
“A casa toda bagunçada, os dois filhos pequenos brincando com o pai, Eliza na cozinha preparando a janta, enquanto cortava os legumes reclamava baixinho da própria vida: – Não aguento mais cuidar desta casa, fazer comida, limpar, educar filhos. Queria mesmo é estar agora num restaurante, voltar para casa e dormir, não ter hora para acordar amanhã…”
“É dia do aniversário de casamento de 10 anos de Eliza e Roberto, ela acorda depois dele, vai para a cozinha, onde o marido o espera com a mesa posta e flores decorando o ambiente:
- Bom dia querida!
- O que é isso Roberto? Enlouqueceu? Tá gastando dinheiro com florzinha, bolachinha e besteiras?
Decepcionado e triste pelo constante desânimo da esposa e pela nítida demonstração de esquecimento da data por parte dela, ele responde: – Não meu bem, hoje completamos uma década de casados e venho guardando há três meses um dinheirinho para lhe surpreender com este café, gostaria de lhe oferecer mais para externar meu amor… Mas isso é o que eu pude fazer… Desculpe por lhe importunar com meus sentimentos…”
“- Mamãe, mamãe, mamãe.
- Fala muleque! – esbraveja Eliza.
- Mamãe, eu fiz na escolinha, é para você! Diz Juninho feliz da vida com o primeiro cartão de dia das mães feita por ele mesmo.
O cartão tinha o formato de um coração com braços grandes, com os dizeres na capa: Mamãe…, e dentro ‘Te amo um tantão assim’!
- Tá bom muleque, vai brincar e me deixa descansar.”
Ainda seguiram outras cenas como estas e Sr. Sete Caminhos tirou Eliza do “transe”, que imediatamente tomada por vergonha chorou.
- Pois então minha filha. Acredita que sua vida ainda não está a contento por ação mágica? A vida vai mal ou você que não se permite olhar para a mesma?
Acaso pensa que haverá amor sem cultivo? Pensa que haverá conquistas sem luta, derrota e aprendizado? Acreditas mesmo que pode viver em paz sem gratidão?
Você tem o marido que escolheu, os filhos que pretendeu, a casa que idealizou e a rotina que pediu. Onde sua vida vai mal? Que tanta insatisfação é essa? Por que é tão difícil contentar-se com o que se tem?
É pertinente que almeje sempre mais, mas não sem antes ser justa com o que se tem, com o que escolheu, pediu e optou.
Retribua o carinho do seu marido que só não lhe abandonou por tê-la como uma boa lembrança e querer a todo custo retomar o que você deixou num passado sem motivo. Seus filhos só precisam da sua atenção e legítimo carinho.
Falta-lhe emoção? É disso que reclama? Mas o que tem feito para alterar a rotina?
Quer mais conquistas materiais? Do que você precisa? O que tem feito para atingir seus objetivos?
Tem falta de um passado jovial? Entenda que tudo passa, o tempo passa e você passa pelo tempo. Lembranças são o que são, memórias para que você não se esqueça do é, foi e o que não quer ser ou voltar a ser.
Seja sincera, a vida lhe foi muito boa e você, por ser movida por uma ingratidão constante, por uma necessidade de ser mais do que faz por ser e não mover um grão de areia para que sua realidade seja ao menos diferente, diz ainda ter a “certeza” que é algo de inveja e magia?
Desfaça você mesma a magia da ilusão que criou a si mesma. Saia deste quadro de lamentos gratuitos e olhe para o que tem, antes de almejar o que poderá ter e ser.
Após estas duras e verdadeiras palavras, Eliza no choro compulsivo de vergonha não conseguia falar, talvez nem pensar.
- Agora você voltará ao corpo, lembrando de tudo o que ocorreu aqui e estará de volta à sua realidade, seja melhor consigo e com os seus.
E Sr. Ogum Sete Caminhos recostou a ponta de sua espada na cabeça de Eliza, novamente um clarão tomou conta da encruzilhada e Eliza acordou com seu marido desesperado lhe chamando: – Meu bem, acorda, acorda, Eliza, meu amor, por favor!
Ao abrir os olhos, ele sorriu amorosamente, Eliza mais uma vez foi tomada por uma vergonha incalculável, abraçou Roberto e chorou…
Esta foi mais uma ação daqueles ordenadores espíritos que trabalham sob os ditames de Pai Ogum. Que quando evocados não estão à disposição do evocador, mas tão somente da Lei, da Verdade e do Caminho reto.
Esta história de Eliza retrata um pouco dos milhares de casos constantes de pessoas que abarcam aos terreiros de Umbanda, e vestidos com a “máscara do desafortunado” lamentam sobre tudo, e que não são capazes de reconhecer o que têm e o que podem vir a ter por serem capazes de ter.
Muitos destroem seus casamentos por falta de zelo, respeito e maleabilidade. Outros minam suas relações familiares pelo insistente relapso de retribuição e gratidão. Outros pedem empregos e os desprezam por não serem gratos ao que têm antes de se preparar para algo a mais.
Assim, num fluxo contínuo e constante de uma espécie de torpor comportamental, os filhos desta matéria, deste plano físico, perpetuam uma cultura de crise existencial em prol de uma necessidade mal expressa e incompreendida…
Desejo que Pai Ogum, aquele que reflete a Lei do Criador, a Ordem no Universo, através de seus milhares de falangeiros e intermediários, esteja ao lado destes filhos na matéria, e que possam ser corrigidos e reposicionados no caminho reto da evolução.
Ogum abençoe, Ogum proteja, Ogum encaminhe!

14 de abril de 2012

Oração a Ogum

Eu estou vestido e armado com as roupas e as armas de São Jorge,
para que os meus inimigos tenham pés e não me alcancem,
tenham mãos e não me toquem,
tenham olhos e não me vejam,
e nem mesmo em pensamento eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão.
Facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar.
Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça.
Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições,
e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.
Assim seja, com o poder de Deus, de Jesus e da Falange do Divino Espírito Santo!

12 de abril de 2012

Ogum - Ogunhê, meu Pai!

Ogum representa ou se manifesta através da luta pela sobrevivência e por isso está associado à defesa de todos os reinos, além de estar diretamente associado ao início de tudo, ao novo, à conquista.
 Ao encontrarmos a energia do Orixá Ogum, cujo elemento é o fogo, manifestando-se no reino do Orixá Omulu - que é a terra, o chão, o solo, através do calor do sol e traduzimos isso para a calunga pequena ou cemitério, que em termos ritualísticos de Umbanda é o reino de Omulu - temos a formação do desdobramento de Ogum, chamado de Ogum Megê. Ou seja, é o Orixá Ogum atuando na defesa do reino do Orixá Omulu em combinação vibratória com o mesmo, formando este desdobramento de Ogum. É o Ogum magista, ou seja, conquista/defesa através da magia.
 Quando o Orixá Ogum manifesta-se na defesa do reino de Xangô, encontramos o desdobramento chamado de Ogum de Lei, ou seja, combinação vibratória do Orixá Ogum com o Orixá Xangô. Em nível de necessidade nossa de terra (ou terreiro) é quando Ogum atua na execução de justiça. É o Ogum da ponderação, ou seja, conquista/defesa através da ponderação, da estratégia.
 Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com o Orixá Oxossi dá-se o nome de Ogum Rompe-Mato. É o Ogum do imediatismo, ou seja, conquista/defesa através da expansão.
 Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com a Orixá Oxum, ou seja, Ogum atuando na defesa dos rios e cascatas, dá-se o nome de Ogum Iara. É o Ogum da diplomacia, ou seja, conquista/defesa através da concórdia, diplomacia.
 E o Orixá Ogum atuando na defesa do reino de Iemanjá, juntamente com a Orixá Iansã (ação sazonal dos ventos e tempestades causando a turbulência das ondas) dá-se o nome a esta manifestação de Ogum Beira-Mar. É o Ogum do inesperado, ou seja, conquista/defesa através de ações inesperadas.
 Uma observação importante a se fazer é que cada vez que um Orixá se desdobra por combinar-se com outro, ele absorve algumas de características do Orixá com o qual se combinou, gerando e atendendo assim outras necessidades nossas.
Especificando:
Ogum Megê – este desdobramento de Ogum, gerado pela união dos elementos terra (Omulu) e fogo, está presente nos assuntos atinentes a desmanche de magia.
Ogum de Lei – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a execução de justiça.
Ogum Iara – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquistas diplomáticas.
Ogum Rompe Mato – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos pertinentes a coisas de solução rápida, revigorantes e de conquista de espaço de maneira geral.
Ogum Beira Mar – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquista material e de fortuna.
Estas são as manifestações mais comuns que se apresentam nos terreiros e são considerados chefes de linha, outras encontradas em nível de terreiro são consideradas desdobramentos destes desdobramentos.
 Em função de sua característica básica de luta e guerra, o Orixá Ogum foi associado ao planeta Marte, que rege a terça-feira, e por extensão é o dia da semana em que cultuamos Ogum na Umbanda. O dia em que homenageamos Ogum é 23 de abril.
Ogunhê, meu Pai!

9 de abril de 2012

A oração Creio umbandista

Creio em Deus, onipotente e supremo.
Creio nos Orixás e nos Espíritos Divinos que nos trouxeram para a vida por vontade de Deus.
Creio nas Falanges Espirituais, orientando os homens na vida terrena.
Creio na reencarnação das almas e na justiça divina, segundo a Lei do Retorno.
Creio na comunicação dos Guias Espirituais, encaminhando-nos para a caridade e a prática do bem.
Creio na invocação, na prece e na oferenda, como atos de fé.
E creio na Umbanda, como religião redentora, capaz de nos levar pelo caminho da evolução até o nosso Pai Oxalá.
Assim seja!

7 de abril de 2012

A Páscoa para os umbandistas

Apesar de já ter postado anteriormente sobre o significado da Páscoa para os umbandistas, mas por ver muitos irmãos de fé agirem como se fossem católicos, é que resolvi voltar a falar sobre os rituais e simbolismos católicos nesta data.

Jejuar, não comer carne, comer peixe e bacalhau = esta é uma tradição especificamente católica, que está tão arraigada na mente das pessoas, por milênios de monopólio da Igreja Católica no mundo, que as pessoas repetem este rito sem ao menos se perguntarem qual é o fundamento. Em primeiro lugar, desculpa informar, mas peixe também é carne. Em segundo lugar, espíritas e umbandistas verdadeiros não seguem este ritual católico. É certo que não há, nas sagradas escrituras (Bíblia), nenhuma norma ou referência que regulamente o consumo de peixe na semana santa. Esta foi uma prática regulamentada por interesses comerciais do Vaticano. Sim, o Vaticano! Isto porque o Vaticano, na virada dos séculos XV e XVI, financiava a maior parte das expedições marítimas e era proprietário da maior frota de bacalhoeiros (barcos de pesca de bacalhau). Acontece que seus armazéns estavam abarrotados de bacalhau, quase não havia saída, seu consumo era muito baixo, pois naquela época as pessoas eram ainda mais carnívoras. Então, antes que sua mercadoria de bacalhau estragasse, pensaram em como escoar a produção, advindo daí a ideia de maximizar seus lucros, com o Vaticano e seus padres proibindo o consumo de carne na Quaresma, dizendo que era pecado e que podiam substituir a carne dita vermelha por peixes e bacalhau. Não deu outra: o consumo de bacalhau explodiu! Grande sacada comercial! E até hoje as pessoas repetem este ritual e nem se perguntam por que... Além do mais, se a ideia é o sacrifício, é jejuar, não tem cabimento se fartar de pratos feitos de peixe e bacalhau! Falando em sacrifício, a Umbanda não trabalha com esta estória de sacrifício, pois não adianta a pessoa "se sacrificar" na semana santa e passar o resto do ano sendo egoísta, mau, fofoqueiro, maledicente e outros tantos defeitos. Os Orixás e Entidades desejam que as pessoas evoluam espiritualmente, praticando a caridade e sendo boas umas com as outras, tratando-se como irmãos.

Ressurreição = a Umbanda não acredita na ressurreição, mas sim na vida eterna e na reencarnação. Ressurreição, segundo o dicionário, é renascer, é o corpo físico voltar à vida. Ora, sabe-se que isto é cientificamente impossível e que todos os nossos Orixás, Entidades e espíritos iluminados, falam em vida após a morte física, o espírito vive, mas a carne (corpo) não. Então, não tem cabimento chorar e se lamentar pela morte de Jesus Cristo (Oxalá para nós umbandistas). Na verdade, ele não morreu, apenas foi para outra dimensão, uma dimensão muito melhor e superior, devido a sua adiantada evolução espiritual. Respeita-se o sacrifício físico que o grande Mestre se impôs e mais ainda respeita-se o ensinamento que ele quis passar: que existe vida após a morte e que a vida espiritual é mais importante do que a vida carnal. Portanto, Páscoa, para nós umbandistas, é época de reflexão e agradecimento a Oxalá pelo ensinamento e exemplo repassado. Mas sem sacrifícios, pois o fato de estarmos vivendo neste planeta de provações já é sacrifício suficiente...

Ovo e coelho de chocolate = o ovo e o coelho são símbolos de fertilidade desde a antiguidade. Entre diversos povos, era hábito presentear nesta data com ovos de verdade pintados e coloridos, como forma de lembrar a passagem dos hebreus pelo deserto. Os franceses tiveram a ideia de fazer estes símbolos de chocolate. Outra grande sacada comercial! Muito gostosa, por sinal... Não que devemos abandonar este ato, até porque é um gesto simpático presentear as pessoas queridas com algo que simboliza carinho e doçura, mas sem nos endividarmos o restante do ano por causa deste costume...

Então, como o umbandista deve se comportar perante a Páscoa? Simplesmente respeitando e agradecendo em oração a Cristo, mas não apenas nesta época, mas durante toda a sua vida. Devemos continuar em nossa missão de ajudar o próximo, sermos caridosos e procurarmos sempre melhorar como seres humanos.

Feliz Páscoa a todos os irmãos de fé!

4 de abril de 2012

Salve São Jorge, salve Ogum!

OGUM é o Orixá que examina os problemas e dá seu parecer, fornecendo os elementos necessários para que XANGÔ possa exercer a justiça. É o guerreiro valente, que enfrenta a luta do dia-a-dia sem receio e capaz de reverter uma derrota em vitória.
Há um estreito relacionamento de OGUM com EXÚ, que se encontram nas encruzilhadas da vida, abrindo caminhos e expurgando as vibrações negativas para que possamos nos orientar na busca da luz. E quando as situações vivenciais não nos apontam qualquer perspectiva é a OGUM que devemos recorrer para nos livrar da adversidade.
Nas aberturas dos trabalhos rituais, após a evocação de EXÚ, a saudação se faz a OGUM. São os nossos guardiães e principais responsáveis pela segurança espiritual dos Templos.
Na Umbanda é um Orixá muito solicitado e querido por seus filhos.
Suas falanges são imensas e trabalham abrangendo uma extensa área vibratória e dependendo da tarefa a que estão se dedicando poderão atuar junto às matas (OGUM ROMPE-MATO), com a falange das Almas (OGUM MEGÊ), no mar (OGUM BEIRA-MAR).
Sincretizado no Rio de Janeiro com São Jorge é muito popular e festejado no dia 23 de Abril, onde os Templos Umbandistas reverenciam o grande Orixá.
É o Orixá que tem sob sua responsabilidade a força magnética que atua no planeta Terra. O equilíbrio magnético de nosso mundo, o armazenamento desta energia nos grandes depósitos minerais com a predominância do metal ferro, a sua liberação gradual quando solicitada dos seres encarnados, ou não, e todas as demais inúmeras aplicações das forças magnéticas são de atuação do Orixá OGUM.

DIA DA SEMANA - terça-feira
CONTAS - em Nação: azul rei ou verde claro; na Umbanda: vermelhas
FLORES - vermelhas (Crista de Galo ou cravo vermelho)
MINERAL - ferro
FRUTAS - cajá; manga
COMIDA - inhame; camarão seco no dendê
BEBIDAS - em Nação: vinho de palma; na Umbanda: cerveja branca
SÍMBOLO - espada (adaga)
SAUDAÇÃO - PATAKORI OGUM ou OGUNHÊ
 INFLUÊNCIA DO ORIXÁ SOBRE SEUS FILHOS (ARQUETIPO)

POSITIVAS - Quando prevalece a vibração do Orixá: são corajosos, intrépidos, ordeiros, elegantes, etc.
NEGATIVAS - Quando prevalece o livre arbítrio negativo: são arrogantes, indisciplinados, ciumentos, covardes, etc.

OGUM, nosso guerreiro invencível, Orixá protetor dos viajantes e dos oprimidos, estenda a sua vibração até nós para que possamos caminhar na estrada da vida, no cumprimento tranquilo de nossa tarefa cármica.
PATAKORI OGUM!