Blog da Casa de Caridade Luz Divina - dirigente espiritual Vovó Luiza

15 de março de 2013

A Luz dos Orixás



Em uma noite escura e assustadora, Ogum, o Orixá das "guerras", saiu do local onde guarda todos os caminhos e dirigiu-se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram-se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso. Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso.
— Ah, Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? — ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade. 
— Desculpe, sabe, ando meio ocupado. — respondeu um triste Ogum. 
— Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste. 
— É, vim até aqui para "desabafar" com você "mãezinha". Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a "Espada da Lei", que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das "supostas" demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles... Estou cansado... 
Ogum retirou sua espada e a colocou no chão. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda. Chorava por ninguém entender que se ele era protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria vida por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Ogum amava a humanidade, amava a vida. Mas, infelizmente, suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada a força que corta as trevas do ego e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não via nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não viam em sua lança a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna. 
Não! Infelizmente ele era entendido como o "Orixá da Guerra", um homem impiedoso que utiliza-se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram "quebras e cortes" de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isto torna-se uma guerra de vaidade, um show "pirotécnico" de forças ocultas. Muita "espada", muito "tridente", muitas "armas", pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual. Isso magoava Ogum. Como magoava... 
— Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Zambi. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá-la com a mão esquerda da soberba, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando-a em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição...
Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado... 
Logo, um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido, Obaluaê apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não aguentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia como ele, o guardião da vida, podia ser invocado para atentar contra ela. Magoava-se por sua alfanje da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens. Ele também deixou sua alfanje aos pés de Iemanjá e retirou seu manto escuro como a noite. Logo se via o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que se irradia de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que se perderam na senda do Criador. Infelizmente, os filhos de fé esquecem-se disto... 
Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar, aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas. Faziam isto em respeito a Ogum e Obaluaê, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isto por si mesmos. 
Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Zambi, que espalha as sementes de luz do seu amor. 
Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. 
Um a um, todos foram se despindo e pensando o quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás. 
Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Guia das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado da Pombo-gira, sua eterna companheira de jornada. Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente se apresentam. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face a expressão do cansaço. E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá: despiram–se de tudo. Exu e Pombo-gira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Inúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito que o próprio umbandista ajudou a criar dentro da sociedade, associando-o à figura do Diabo, então, em meio ao seu sorriso, as lágrimas também desciam. 
Iemanjá estava desesperada... Estavam todos lá pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer.
— Espere... Pensou Iemanjá — Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver esta situação. E logo Iemanjá colocou-se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou-se na frente de todos. Também despiu-se de sua roupa sagrada, para igualar-se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do mundo: 
— Zambi manda uma mensagem a todos vocês, meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem não medem esforços para disseminar estas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido por mãos de sérios e puros trabalhadores neste abençoado planeta Terra. Estes verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Estes que, muito além de apenas prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Estes que passam por cima das dificuldades materiais e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras bases de luz na crosta, aonde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão se manifestar. Estes que realmente nos compreendem e nos buscam dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro amor reside e existe. Estes incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Estes fantásticos trabalhadores anônimos espalhados pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a religião de Zambi brilhar e sorrir... 

Quando Oxalá se calou os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado e, talvez, daqui a algum tempo, muitos outros iriam se juntar neste ideal. E aquilo os alegrou tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram-se em amor e compaixão pela humanidade. 
Na Aruanda, os Caboclos, Pretos-velhos e Crianças fizeram o mesmo. Largaram tudo, também se despiram e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria, comungando a benção dos Orixás. 
Na Terra, Baianos, Marinheiros, Boiadeiros, Ciganos e todos os povos da Umbanda sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem-aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam-se. O alto os abençoava... 
Mas uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da Lei nas trevas, também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombo-giras foram tocados pelo amor dos Orixás e, com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz. 
Miríades de espíritos foram retirados do baixo–astral e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada.

Aos tolos que pensam que os Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta: os Orixás amam a humanidade inteira e por todos olham carinhosamente. Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou-se uma benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Alto, a morada celestial dos Orixás. 
Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como "armas" para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos se esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem–se disso. 
E quanto a todos aqueles que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira lembrem-se das palavras de Oxalá expressas na lenda acima. Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não têm olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade. Lembrem-se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança.
Honrem a Eles. Sejam Luz, assim como Eles!

9 de fevereiro de 2013

O Carnaval e a Quaresma para o Umbandista


CARNAVAL
Muitos me perguntam: afinal de contas, o umbandista pode ou não pode pular o carnaval? Pode se divertir nesta data? Outros afirmam que o umbandista pode se divertir desde que não use máscara ou fantasia. Isto é um mito... Bem, vamos às explicações sobre este mito.
Conheço pessoas que durante todo o ano deixam de fazer o que querem, subjugam-se a modos de vida que acham mais prático, porque aparentemente não há tantos embates. Não sentem necessidade de se situarem com os pés no chão em suas ações cotidianas, pois acreditam que atingiram zonas confortáveis de segurança na rotina das suas vidas, na interdependência do círculo familiar, na eterna tolerância ao tédio no trabalho e aparentes relações amistosas com todos ao redor. Ou seja, fingem ser o que não são... tornam-se hipócritas.
São pessoas que vivem como que na superfície da verdadeira vida. Aqueles que passam a vida a ver as sombras na parede, se formos lembrar do mito da caverna de Platão. Só que chega o carnaval e parece que na mente e no íntimo destas pessoas ocorre uma espécie de desbloqueio, e todas as barreiras morais e sociais se neutralizam, entrando em clima de “vale tudo”, como se fosse uma compensação pelo “comportamento exemplar de todo o resto do ano”. Alegam que “merecem” ser felizes por um dia e caem na folia.
Muitos se divertem sadia e equilibradamente, apenas usando o momento para abolir as preocupações e afastarem-se das obrigações e responsabilidades diárias, nem que seja por uns poucos dias. Outros, porém, cometem todo o tipo de desvarios, comprometendo-se e, às vezes, levando outros de roldão em atos de imprudência, selvageria, colocando em risco sua integridade física e moral.
Tentar resolver ou esquecer os problemas pessoais durante os dias de folia carnavalesca é o pior caminho que alguém pode tomar. Pois o carnaval, que parece na sua manifestação física como explosões de cores e alegria, traz a beleza descompromissada, mas ocorre que não há equilíbrio nas forças emocionais e passionais que estão libertas, ricocheteando no ambiente uma energia sem ajustes e sem limites, onde no meio das quais estão à espreita outros seres com as piores intenções, que absorvem avidamente estas energias, vampirizando intensamente os foliões invigilantes.
São portais que se abrem em regiões profundas e obscuras, deixando passar entidades vingativas, perversas, artífices na arte do ilusionismo, mostrando para os incautos que se “divertem”, situações de êxtase, realizações, todo tipo de engodo auxiliado pelas drogas, pelo álcool, pela sexualidade exacerbada, de modo a aprisionarem facilmente quantos estejam à descoberto de sua proteção, inseguros de seus projetos de vida, desequilibrados emocionalmente, esvaziados de verdadeiros sentimentos, minados por angústias e rancores mal resolvidos.
Os blocos, a fuzarcas, escondem verdadeiros campos de batalha nos paralelos astrais.
Não existe acaso, e a Ordem e a Lei nunca se cumprem aleatória e injustamente. Não há que se ter medo do carnaval e o posterior período da quaresma. Em diferentes pontos do planeta, desde o início dos tempos, há periodicamente estes bolsões, estes “gaps” energéticos a sugarem aqueles que precisam ser acordados e sacudidos diante das Verdades, ou o resgate daqueles que abusaram da fé de outros, negociaram com o destino que não lhes pertencia, que esqueceram valores como respeito, amizade, cortesia.
Este post não quer mostrar conceitos de falso moralismo, de ostentação de um comportamento sisudo e sombrio. Pelo contrário, o umbandista, quando alcança o auto-conhecimento e a verdadeira paz, tem um constante sorriso nos lábios, seu coração nunca está vazio, suas mãos, sempre laboriosas. Não há espaço para tédio ou rotina na sua vida, porque aprendeu a fazer acontecer, aprendeu a guiar seus dias e suas horas de maneira proveitosa, sem perder tempo em contendas menores, pelejas inúteis. Não sente necessidade de compensar nada, pois já se encontra bem e em equilíbrio. Não sente necessidade de “sair do sério”, “compensar o resto do ano”, “cair na gandaia”… Até porque sabe que por detrás do ambiente glamuroso há um outro ambiente, ávido e perigoso.
E que uns poucos dias de alienação compulsória não mudarão o cenário de um mundo que está passando por profundas modificações socioeconômicas, geológicas, ideológicas, num panorama preocupante com as frequentes catástrofes ambientais, com a miséria descortinada, e lugares com profundos estremecimentos políticos.
O Carnaval, para o umbandista, deve ser um momento de reflexão. Repensar os verdadeiros valores, observar que nada é tão precioso como os relacionamentos puros e sinceros, que se fortalecem ao passar dos anos e se renovam em meio a crises.
Pode, sim, perfeitamente ser um momento de descanso e descontração do físico, sair um pouco da rotina pesada de trabalho, estudo, numa oportunidade de maior interação com a família e amigos, na meditação saudável sobre planos, resolução de metas, construção de sonhos. Na vibração positiva pela humanidade e sua evolução, na reflexão profunda sobre seu caminho, suas certezas, suas metas. No pensamento de paz e harmonia universal, obtenção de uma reserva de serenidade, clareza de mente, esperança e fé.
Alguns umbandistas, com menos conhecimento ou que não refletem sobre os mitos repassados, acreditam que os Orixás afastam-se do planeta, e que até os Exus, nossos guardiães, “ganham liberdade” e são “soltos” (como se estivessem presos por nós! rsrsrs), não realizando sua função de proteção...
Ora, vamos ser racionais e refletir: você acredita mesmo que os Orixás, Entidades e os Exus que são designados para nos proteger, orientar, fazer caridade vão mesmo se afastar e nos deixar à mercê? Que estamos fadados a sermos pegos por kiumbas e Eguns? Faz sentido? Faz sentido o fato de, se um umbandista resolver brincar um pouco com sua família e amigos, dentro do bom senso e do equilíbrio, sem exageros, vai ser castigado ficando com um kiumba obsessor à tiracolo?   
Como umbandista, acredito que nesta época do ano abrem-se determinados portais...
O que temos que cuidar no carnaval – e em todas as épocas – é com os excessos... Mas, na época de carnaval, por causa da densa energia coletiva emanada, o pensamento excessivamente libertino que permeia a ambiência prejudica o equilíbrio, atrai espíritos vingativos, malévolos, vampirescos – daí a necessidade de maior vigilância por nossa parte. Mas é nesta época que os Exus de Lei, os Exus Guardiões, patrulham ainda mais a crosta brasileira, como o fazem em outras ocasiões em vários momentos.
Os dirigentes sérios e com conhecimento de causa orientam que, se os umbandistas forem participar das festividades carnavalescas, apresentem-se exatamente como são, sem engodos e sem ilusões, respeitando-se e respeitando os outros, sem abusos de bebidas, sem ingerir drogas e se resguardem, pois estarão conscientes que os locais estão densos, pesados de todo tipo de pensamento.
Para finalizar, vamos refletir que ao citarmos influências positivas e negativas, não devemos considerá-las exatos sinônimos de Bem e Mal. Devemos ter a compreensão que todos estaremos sempre passando do pólo negativo ao positivo, faz parte da roda da vida, um pólo se interpondo ao outro, quando se esgota o pólo negativo, já está inserido o pólo positivo. Pelo mesmo motivo aprendemos que não existe escuridão absoluta e que, quando algo chega até o fim de sua capacidade, se inicia um novo ciclo em outra direção. Todos passamos por isto e, ao passarmos pelo pólo negativo, se estivermos cheios de pensamentos desarmonizados, estaremos mais suscetíveis às suas consequências. Se ao passarmos pelo pólo positivo não tivermos nos dedicado à auto-iluminação, nada veremos, nada aproveitaremos, será como se tudo fosse igual, pois não estaremos em condição de vibrar com aqueles que estão nesta faixa. É bem diferente de ser bom ou mau.
Todos passam pelo positivo e negativo e, assim, seria grande preconceito dizer que se está sempre do lado positivo e da Luz. Estou tentando expressar que não é o fato do mundo estar circulando do lado positivo ou negativo, mas o fato de quem nós realmente somos quando passamos por estas vibrações. Logo, o que a vida traz para cada um não depende do mundo exterior ou de outras pessoas, mas o que cada um está fazendo dela, em cada minuto que estivermos encarnados.
A QUARESMA
Muitos centros de umbanda fecham ou têm o atendimento limitado no período do carnaval e quaresma, mesmo não sendo datas ligadas a nossa religião. Por que isto acontece?
A dúvida sobre o funcionamento dos Terreiros de Umbanda durante o carnaval e quaresma vem da época que os Orixás eram proibidos de serem cultuados e deveriam ser sincretizados com os santos católicos.
Como o período da quaresma corresponde a uma época de reclusão e reflexão dentro da igreja católica, muitos Terreiros de Umbanda e Candomblé ficavam em uma posição delicada junto à comunidade católica e fechavam as portas para não terem problemas com as autoridades locais e com as pessoas em geral, quando poderiam ser acusados de desrespeitosos com a religião católica.
As pessoas consideravam que as casas de santo não deveriam bater tambores ou praticar qualquer ritual na quaresma, a exemplo da igreja católica que deixa suas imagens cobertas por mantos de cor roxa em sinal de respeito e luto, onde os católicos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a ressurreição de Cristo.
Os Centros de Umbanda não precisam parar suas atividades durante a quaresma, podendo funcionar normalmente, pois não estão ligadas aos dogmas da igreja católica que determinem que não possam fazer atendimento espiritual nesta ocasião.
Devemos lembrar que estes são rituais católicos e não pertencem à religião umbandista.  A quaresma para nós vai marcar apenas o final do ano espiritual no astral, sendo esta época o encerramento de um ciclo e o início de outro.
Que cada amanhecer traga a verdadeira felicidade e bem-estar a todos, com a proteção e vibração das Forças Maiores!
Saravá!



2 de fevereiro de 2013

A Linha dos Baianos

Na Umbanda pura, sem mistura com Candomblé, Nações ou catolicismo, dia 02 de fevereiro é dia de Nosso Senhor do Bonfim - o padroeiro do Povo Baiano. Por este motivo, esta data ficou instituído, na Umbanda, como o dia de se homenagear a Linha dos Baianos.

O Baiano representa a força daquele que fica à margem da sociedade, o que sofreu e aprendeu na "escola da vida" e, portanto, pode ajudar as pessoas. O reconhecido caráter de bravura e irreverência do nordestino migrante parece ser responsável pelo fato de os baianos terem se tornado uma entidade de grande frequência e importância nas giras paulistas e de todo o país, nos últimos anos. Os baianos da Umbanda são pouco presentes na literatura umbandista. Povo de fácil relacionamento, comumente aparece em giras de Caboclos e Pretos-Velhos, sua fala é mais fácil de se entender que a fala dos caboclos. Conhecem de tudo um pouco, inclusive a Kiumbanda, por isso podem trabalhar desfazendo feitiços.


Enfrentam os invasores (kiumbas, obsessores) de frente, chamando para si toda a carga com falas do gênero "venha me enfrentar, vamos vê se tu pode comigo". Buscam sempre o encaminhamento e doutrinação, mas quando o kiumba não aceita e insiste em perturbar algum médium ou consulente, então o Baiano se encarrega de "amarrá-lo" para que não mais perturbe ou até o dia que tenha se redimido e queira realmente ser ajudado. 
Costumam dizer que se estão ali trabalhando é porque não foram santos em seu tempo na terra, e também estão ali para passarem um pouco do que sabem e principalmente aprenderem com o povo da terra. São amigos e gostam de conversar e contar casos, mas também sabem dar broncas quando vêem alguma coisa errada. 
Nas giras eles se apresentam com forte traço regionalista, principalmente em seu modo de falar cantado, diferente, eles são “do tipo que não levam desaforo pra casa”, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversando bastante, falando baixo e mansamente, são carinhosos e passam segurança ao consulente que tem fé. Os trabalhos com a corrente dos Baianos trazem muita paz, passando perseverança para vencermos as dificuldades de nossa jornada terrena. 
A Entidade pode vir na linha de Baianos e não ser necessariamente da Bahia, da mesma forma que na linha das crianças nem todas as entidades são realmente crianças. Os Baianos são das mais humanas entidades dentro do terreiro, por falar e sentir a maioria dos sentimentos dos seus consulentes. Adoram trabalhar com outras entidades como Erês, Caboclos, Marinheiros, Exus, etc. São grande admiradores da disciplina e organização dos trabalhos. São consoladores por natureza e adoram dar a disciplina de forma brusca e direta, diferente de qualquer entidade. 
Os Baianos não têm filhos de cabeça, pois são entidades auxiliares.

Cor
Laranjado
Fio de Contas
Laranjado
Ervas
Arruda, guiné, espada de São Jorge
Símbolo
Cactus
Pontos da Natureza
Campina
Flores
De cactus
Essências
Água de cheiro
Pedras
Coralina
Metal
Latão
Saúde
Psíquica e emocional
Planeta
Terra
Dia da Semana
Segunda-feira
Elemento
Terra
Chacra
Umbilical
Saudação
É da Bahia
Bebida
Água de coco, cachaça, batida de coco
Animal representativo
Galinha angolana
Comidas
Coco, cocada, farofa com carne seca
Número
2
Data Comemorativa
2 de Fevereiro
Sincretismo
Nosso Senhor do Bonfim


27 de janeiro de 2013

Quando perdemos um ente querido...

Vamos emanar nossas energias de
paz e amparo à região de Santa
Maria/RS. Que as nossas preces
sejam ouvidas, que o socorro
espiritual chegue a cada coração.
Vamos nos unir para ajudar em
pensamento.

Sei que isto é difícil neste momento, mas com o tempo entenderá que a vida precisa ser renovada... A morte é a mudança que estabelece a renovação. 

Quando alguém parte, muitas coisas se modificam na estrutura dos que ficam e, sendo uma lei natural, ela é sempre um bem, muito embora as pessoas não queiram aceitar isso. 

Nada é mais inútil e machuca mais do que a revolta. Lembre-se de que nós não temos nenhum poder sobre a vida ou a morte. Ela é irremediável.

O inconformismo, a lamentação, a evocação reiterada de quem se foi, a tristeza e a dor podem alcançar a alma de quem partiu e dificultar-lhe a adaptação na nova vida. 

Ele também sente a sensação da perda, a necessidade de seguir adiante, mas não consegue devido aos pensamentos dos que ficaram, a sua tristeza e a sua dor.
Se ele não consegue vencer esse momento difícil, volta ao lar que deixou e fica ali, misturando as lágrimas, sem forças para seguir adiante, numa simbiose que aumenta a infelicidade de todos.

Pense nisso. 


Por mais que esteja sofrendo a separação, se alguém que você ama partiu para outro plano, libere-o agora... Recolha-se a um lugar tranquilo, visualize essa pessoa em sua frente, abrace-a, diga-lhe tudo que seu coração sente. Fale do quanto a ama e do bem que lhe deseja. Despeça-se dela com alegria e, quando recordá-la, veja-a feliz e refeita.


A morte não é o fim, a separação é temporária. Deixe-a seguir adiante e permita-se viver em paz!


"A morte é só uma mudança de estado. Depois dela, passamos a viver em outra dimensão" (Vovó Luiza)

O papel e as obrigações do Cambono



Responsabilidade
Tanto quanto o médium de incorporação, o médium cambono (que é um médium de sustentação) precisa conhecer a mediunidade e tudo o que diz respeito ao trabalho com a espiritualidade e as energias humanas, a fim de poder auxiliar eficientemente o dirigente do trabalho e os seus colegas, médiuns ou não.


Firmeza mental e emocional
Como é o responsável pela manutenção do padrão vibratório durante o trabalho, o médium cambono deve ter grande firmeza de pensamento e sentimento, a fim de evitar desequilíbrios emocionais e espirituais que poderiam botar a perder a segurança do trabalho e dos outros trabalhadores.

Equilíbrio vibratório
Como trabalha principalmente com energias – que movimenta com os seus pensamentos e sentimentos – o cambono deve ter um padrão vibratório médio elevado, a fim de poder se manter equilibrado em qualquer situação e poder ajudar o grupo, quando necessário.
Para isso, deve observar sempre a prática do Evangelho no Lar, ou algo similar, bem como a preparação necessária na noite que antecede o trabalho e no dia propriamente dito, cuidando do descanso, da alimentação, da higiene física e mental, dos banhos ritualísticos, da firmeza da sua guarda, etc.

Compromisso com a Casa, o grupo, os Guias Espirituais e os assistidos
O cambono deve lembrar-se de que, mesmo não tomando parte direta nas assistências, tem alguns compromissos a serem observados, que são:

Com a casa que trabalha: conhecer e observar os regulamentos internos a fim de segui-los. Explicá-los, quando necessário, e fazê-los cumprir, se for o caso; dando o exemplo na disciplina e na ordem dentro da Casa; colaborando, sempre que possível, com as iniciativas e campanhas da instituição.

Com o grupo de trabalhadores em que atua: evitando faltar às reuniões sem motivos justos, ou faltar sem avisar o dirigente ou o seu coordenador; procurando ser sempre pontual nos trabalhos e atividades relativas; procurando colaborar com a ordem e o bom andamento dos trabalhos.

Com os Guias Espirituais: lembrando que eles contam também com os médiuns cambonos para atuar no ambiente e nas energias necessárias aos trabalhos a serem realizados, e que, se há faltas, são obrigados a “improvisar” para cobrir a ausência. Os Guias Espirituais devem ser atendidos com presteza e respeito.

Com os assistidos: encarnados e desencarnados, que contam receber ajuda na Casa e não devem ser prejudicados pelo não comparecimento de trabalhadores. Todos deverão ser recebidos e tratados com esmero, dedicação, respeito e educação.

Ausência de preconceito
O cambono não pode ter qualquer tipo de preconceito, seja com os assistidos encarnados ou desencarnados, seja com os dirigentes, mentores, etc.
Ele não está ali para julgar ou criticar os casos que tem a oportunidade de observar, mas para colaborar para que sejam solucionados da melhor forma, de acordo com a sabedoria e a justiça de Deus.


Discrição
O cambono nunca deve relatar ou comentar, dentro ou fora da casa, as informações que ouve, os problemas dos quais fica sabendo e os casos que vê nos trabalhos de que participa. A discrição deve ser sempre observada, não só por respeito aos assistidos envolvidos, encarnados e desencarnados, como também por segurança, para que entidades envolvidas nos casos atendidos não venham a se ligar a trabalhadores, provocando desequilíbrios.
Os comentários só devem acontecer esporadicamente, de forma impessoal, como meio de se esclarecer dúvidas e transmitir novas informações a todos os trabalhadores e somente no âmbito do grupo, ao final dos trabalhos.
Exceção: comunicar somente ao dirigente espiritual da Casa, para monitoramento dos trabalhos.

Coerência
Tanto quanto o médium de incorporação, o cambono, que é médium de sustentação, deve manter conduta sadia e elevada, dentro e fora da casa em que trabalha, para que não seja alvo da cobrança de espíritos desequilibrados (eguns e kiumbas), no intuito de nos desmascarar em nossas atitudes e pensamentos.


Como vemos, as responsabilidades dos cambonos são as mesmas que a dos médiuns ostensivos e exigem deles o mesmo esforço, a mesma dedicação e a mesma responsabilidade.
Como vimos, não é tão fácil ser um cambono. Para ser um, é preciso aprender tudo sobre os Orixás, os Guias Espirituais, o Templo e, principalmente, sobre a conduta que deve adotar para, depois, se for o caso, ser um bom médium de incorporação e alcançar a evolução espiritual até o Pai Maior.

Fonte: extraído do livro “O ABC do Servidor Umbandista”

4 de janeiro de 2013

Linha de Oxossi



Já estamos na vibração de Oxossi!
A vibração de Oxossi significa ação envolvente ou circular dos viventes da Terra, ou seja, o caçador de almas, que atende na doutrina e na catequese. Suas entidades falam de maneira serena e seus passes são calmos, assim como seus conselhos e trabalhos. 

Seus pontos cantados traduzem beleza nas imagens e na música e geralmente são invocações às forças da espiritualidade e da natureza, principalmente as matas. São caracterizados pela cor verde que corresponde ao elemento verde da natureza, as matas e o povo que as habita, os índios e seus mestiços, os Caboclos.

É a força cósmica da natureza comandando a mente por intermédio dos aromas e princípios curativos das ervas, inclusive da descarga humana, por meio dos banhos e defumações purificadoras que recebem das selvas os elementos primordiais dessas magias. Na Umbanda, é sincretizado com São Sebastião.

A linha de Oxossi é famosa por ser a linha da grande maioria dos Caboclos. Oxossi é conhecido na Umbanda como o senhor das matas e de todos os Caboclos. Desta linha provém uma força de grande poder que emana diretamente de Oxossi.

Você já deve ter ouvido a expressão "Todo Caboclo é de Oxossí". Esta afirmação é porque esta linha é apadrinhada deste Orixá, mas temos caboclos que vibram para Ogum (Caboclo Araribóia, Ubirajara, etc.), que vibram para Xangô (Caboclo Sete-Pedreiras, Cachoeira, etc.), que vibram para Oxalá (Caboclo Pena-Branca, Aymoré, etc.), que vibram para Cosme e Damião (Caboclinho da Mata, Tupizinho, etc.), na linha de Iemanjá (Cabocla Estrela do Mar, Indaiá, etc.), na linha de Iansã e outras linhas.

Características

Cor
Verde
Fio de Contas
Verde
Ervas
Alecrim, Guiné, Vence Demanda, Abre Caminho, Taioba, Espinheira Santa, Jurema, Jureminha, Mangueira, Desata Nó, Erva de Oxossi, Erva da Jurema, Alfavaca, Caiçara, Eucalipto
Símbolo
arco e flecha
Pontos da Natureza (campo de força)
Matas
Flores
Flores do campo ou flores brancas
Essência
Alecrim ou alfazema
Pedras
Esmeralda, Amazonita, Quartzo Verde, Calcita Verde
Metal
Bronze
Saúde
Aparelho Respiratório
Planeta
Vênus
Dia da Semana
Quinta-feira
Elemento
Terra
Chacra
Frontal
Vibração
Vegetal
Campo de atuação
Conhecimento
Saudação
Okê Caboclo, Okê Oxossi
Bebida
Vinho branco, água de coco, água mineral
Animal representativo
coelho
Comidas
Axoxô (milho com fatias de coco), frutas, pamonha
Número
6
Data Comemorativa
20 janeiro
Sincretismo
São Sebastião

Atribuições
Oxossi é o caçador por excelência, mas é o caçador de almas, pois sua busca visa o conhecimento e o desenvolvimento espiritual. Logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados, tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso.

Oxossi é o Orixá da fartura, é ele quem traz para o homem as plantas curativas. Vibra sobre tudo que nasce sobre a terra, exceto as plantas tóxicas e venenosas.
Os Caboclos, seus enviados ao nosso plano físico, são hoje conhecidos como os caçadores e catequizadores de almas. Deles emanam o sentimento e a força para lutar e vencer qualquer situação.

Oxossi é um vencedor, traz para o povo a sobrevivência, a fartura, a cura das doenças pela natureza, a saúde plena. Esta linha representa mudanças, o movimento, tudo o que é novo e vibrante. Ligado às alterações mentais e físicas, Oxossi é o constante movimento da natureza, que está sempre em evolução, é a essência, ou seja, é aquilo que anima, que dá vida.

As Características dos Filhos de Oxossi
O filho de Oxossi apresenta arquetipicamente as características atribuídas ao Orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.

Os filhos de Oxossi são geralmente pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Têm, portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir. 

Fisicamente, os filhos de Oxossi, tendem a serem relativamente magros, um pouco nervosos, mas controlados. São reservados, tendo forte ligação com o mundo material, sem que esta tendência denote obrigatoriamente ambição e instáveis em seus amores. 

No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, a fim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. 

Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade do caçador. Assim os filhos de Oxossi trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver a observação, tão importantes para seu Orixá. Quando em perseguição a um objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos atentos. Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e disposição. 

Os filhos de Oxossi, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo. 

Os filhos de Oxossi tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo ou família. Podem ser paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família. Não é estranho que, quem tem Oxossi como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou mesmo relacionamentos emocionais muito estáveis. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente independentes, já que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas individualidades que nunca se misturam. 

Os filhos de Oxossi compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá. Gostam de viver sozinhos, preferindo receber grupos limitados de amigos. É, portanto, o tipo coerente com as pessoas que lidam bem com a realidade material, sonham pouco, têm os pés ligados à terra. 

São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma. 

O tipo psicológico do filho de Oxossi é refinado e de notável beleza. É dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias, volúveis em suas reações amorosas, muito suscetíveis e tidos como "complicados". É solitário, misterioso, discreto, introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbravador, um pioneiro. Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito emotiva e romântica.

Okê, Caboclo! Saravá, Oxossi!