Blog da Casa de Caridade Luz Divina - dirigente espiritual Vovó Luiza

15 de abril de 2013

Ogum - o Orixá dos caminhos



Ogum (em Yorubá Ògún) é, na mitologia yorubá, o Orixá ferreiro, senhor dos metais. O próprio Ogum forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para a agricultura e para a guerra.
Entenda que quando falamos dos Oguns que baixam nos Terreiros de Umbanda rodando suas espadas no ar, não são o próprio Orixá Ogum, pois não se incorpora Orixás na Umbanda, muito menos são Caboclos de Ogum, os caboclos de Ogum são índios que fazem cruzamento com este Orixá. Os Oguns que incorporam na Umbanda são os falangeiros de Ogum.
Divindade masculina ioruba, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois de Exu, está mais próxima dos seres humanos. Foi uma das primeiras figuras da religião incorporada por outros cultos, notadamente pela Umbanda, onde é muito popular. Tem sincretismo com São Jorge (tradicional guerreiro do mito católico, também lutador, destemido e cheio de iniciativa).
A relação de Ogum com os militares (é considerado o protetor de todos os guerreiros) tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo Yorubá.
Portanto, Ogum é aquele que gosta de iniciar as conquistas, mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão.
É o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, tatuadores, e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão, o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática – tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na indústria automobilística, de computação e da aviação.
Assim, Ogum não é apenas o que abre as picadas na matas e aquele que derrota os exércitos inimigos; é também aquele que abre os caminhos para a implantação de uma estrada de ferro, instala uma fábrica numa área não industrializada, promove o desenvolvimento de um novo meio de transporte, luta não só contra o homem, mas também contra o desconhecido. Ele é o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha à sua própria expansão.
Tem, junto com Exu, posição de destaque logo no início de um ritual. Tal como Exu, Ogum também ajuda a proteger o Terreiro. A força de Ogum está tanto na coragem de se lançar à luta como na objetividade que o domina nestes momentos.
Além da ajuda que pode prestar em qualquer luta, Ogum é o representante no panteão africano não só do conquistador, mas também do trabalhador braçal, do operário que transforma a matéria-prima em produto acabado. Ele é a própria apologia do ofício, do conhecimento de qualquer tecnologia com algum objetivo produtivo, do trabalhador, em geral, na sua luta contra as matérias inertes a serem modificadas.
Ogum gosta das coisas esclarecidas e às claras, dos assuntos definidos em rápidas palavras, de falar diretamente a verdade sem ter de preocupar-se em adaptar seu discurso para cada pessoa. Não é violento e agressivo, embora seja austero e firme, pois gosta da verdade e não aceita falsidades e demandas.
Ogum é o Senhor dos caminhos e realiza a abertura destes, a ordenação, o afastamento da desordem e do caos, o corte das atuações negativas, mas tudo a partir do equilíbrio íntimo dos seres perante a Lei Divina. A primeira “batalha” que Ogum ensina é vencer os vícios e a desordem interna para que, uma vez equilibrados, possamos atrair situações e relacionamentos ordenados, livres da desordem que nasce do desrespeito à Lei Maior e à Justiça Divina.
Lei e Justiça são interligadas, não se pode obter o amparo da Justiça Divina sem viver em obediência às Leis da Criação. O dragão subjugado por São Jorge, que é sincretizado com Ogum, representa exatamente o trabalho pela vitória sobre as nossas trevas interiores. O dragão é o símbolo da maldade, dos vícios, das negatividades, do ego exacerbado, da vaidade extrema, da ganância. Vencendo “o dragão”, sob o amparo de Ogum, nos habilitamos a atrair situações favoráveis, sob o amparo da Lei. Porque a Lei atua sem cessar, irradiando-se para toda a Criação. Sintonizados com a Lei, alcançamos o amparo da Lei e da Justiça do Criador. Então, os inimigos terão olhos, mãos, pés e armas, mas não conseguirão nos enxergar, não poderão nos tocar e nem nos alcançar ou ferir.
Ogum é a Lei, é a via reta. É associado ao planeta Marte e ao número 7. 
A respeito do sincretismo de Ogum com São Jorge, Fernandes, em seu artigo “Astrologia e Mitos Religiosos”, afirma que “o simbolismo, aliás, não poderia ser mais adequado: São Jorge veste uma armadura de guerra (a proteção necessária para atuar em ambientes inferiores) e monta um cavalo branco (as forças da matéria e o lado animal da personalidade, já purificados – por isso a cor branca – e colocados à serviço de desígnios elevados). Utiliza a lança e a espada (um símbolo do direcionamento da energia) e consegue vencer o dragão (as forças das trevas). A espada está ligada ao Orixá de três formas: por ser guerreiro e caçador, Ogum rege as armas em geral; por ser ferreiro, é fabricante de objetos de metal; e, finalmente, é o Orixá regente do ferro, matéria-prima para a maioria das armas. Como símbolo, a espada representa a energia mobilizada e direcionada para cortar o avanço do mal”.

Dia da semana: terça-feira
Data comemorativa: 23 de abril
Cor: vermelho (ou vermelho e branco)
Ervas: espada de São Jorge, Eucalipto, quebra-demanda, folha da mangueira
Frutas: manga espada e romã
Símbolo: espada ou escudo
Bebida: cerveja branca
Fumo: charuto
Planeta regente: Marte
Minerais: ferro e aço
Otá: granada e rubi
Campo de atuação: Lei
Campo de força: caminhos, estradas e planícies
Saudação: Ogum iê
Amalá para oferenda: cerveja branca, 7 cravos vermelhos, 7 charutos, 7 mangas espadas, 7 velas vermelhas.

Não é difícil reconhecer um filho de Ogum. Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos.
Os homens e mulheres que têm Ogum como seu Orixá de cabeça vão ter comportamentos diferentes, de acordo com os segundos e terceiros Orixás que os influencia, os adjuntós. Mesmo assim, terão alguns traços comuns: são conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, consequentemente, apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande, a franqueza absoluta, chegando mesmo à falta de tato.

11 de abril de 2013

Os Planetas e os Orixás


Os planetas interferem fortemente na personalidade e têm ligação com os Orixás. Conheça os planetas regentes dos Orixás e a função de cada um.

SOL – OXALÁ
Tem a função de expandir a consciência,  reforçar as características positivas da personalidade, atrair boas energias para o futuro, realçar a auto-estima, ter mais autoridade, segurança, equilíbrio, novas ideias, sucesso e até afirmar-se profissionalmente.

LUA – IEMANJÁ, OXUM, NANÃ
Estimular sentimentos de família, de maternidade e de proteção, aumentar a popularidade, a intuição, a espiritualidade; abrir canais com o inconsciente por meio dos sonhos.

MERCÚRIO – YORI (ERÊS)
Desenvolver a espiritualidade e acreditar na força da fé, ter sucesso nos estudos; aumentar o carisma e a auto-estima, estimular o raciocínio, a espontaneidade, a criatividade e a expressão das ideias.

MARTE – OGUM, IANSÃ
Harmonia, paz, alegria, amor, união em todos os setores da vida, ter facilidade em expressar a afetividade e se integrar com os outros, para atrair pessoas e o ser amado, para incrementar a sexualidade, a beleza e os relacionamentos.

VÊNUS – OXOSSI
Saúde, fartura, prosperidade, bom humor, jovialidade, a proteção do anjo da guarda, conforto, elevação da espiritualidade, clareza de visão, percepção do futuro; para transmitir conhecimento, ensinar; definir metas.

SATURNO – YORIMÁ (PRETOS-VELHOS, OBALUAÊ)
Desenvolver a espiritualidade, o amor pelo próximo, a fantasia, o sonho, a visão, a clarividência, o sexto sentido; superar o medo da morte.

JÚPITER – XANGÔ
Justiça, compreensão de superiores, dignidade, honra, disciplina, estabilidade a conservação de bens materiais, a realização pessoal, a abertura da mente e a satisfação das necessidades.


29 de março de 2013

Cerimônia de Fechamento de Corpo



Um ritual pouco conhecido e pouco discutido é o Fechamento de Corpo. Ele serve para imunizar-se contra acidentes, perigos, moléstias ou sortilégios. 

Para entendermos como é feito, como funciona e qual o objetivo do “fechamento de corpo”, é necessário antes que tenhamos uma pequena noção sobre o funcionamento fluídico de nosso corpo perispiritual, no qual o “fechamento” (ou “cruzamento”) se processa.

Sabemos que o nosso corpo psicossomático exterioriza e reflete os mais íntimos registros contidos no mundo mental do espírito. Esse processo é feito por intermédio do corpo perispiritual, o elo responsável pela incessante comunhão fluídica entre o espírito e o corpo físico. Esse elo, assim, tem a função de transmitir todas as sensações do espírito para o corpo físico e do corpo físico para o espírito. Por isso, consideramos esse veículo psicossomático, o perispírito, como sendo a estrutura mental de nosso corpo terreno. O corpo terreno é, então, apenas o reflexo desse nosso psicossoma, onde se encontra toda a nossa estrutura fluídica. O espírito utiliza-se do veículo fisiológico (corpo material) e do perispírito (corpo espiritual) como instrumentos para sua evolução nos diferentes estados materiais em que experimenta durante sua jornada. Esses estágios em planos materiais são essenciais para a restabilização, resgate e desenvolvimento do espírito.
O elo entre o corpo material e o perispírito se dá através dos chacras (também chamados “plexos”, “centros de força”, “centros energéticos”, ou “rodas da vida”). Os chacras são centros vitais com as funções de nutrir o corpo físico com as energias geradas principalmente por nosso mundo mental e de reger, assim, o funcionamento de nossos órgãos. Dessa forma, a maioria das nossas deficiências se encontram registradas em nosso corpo psicossomático, o qual as entidades (espíritos) utilizam como veículo para realizar cirurgias e reparos energéticos. Através da mente desequilibrada, enfraquecemos nossos chacras e permitimos a instalação da doença, ou seja, o mal funcionamento de nosso sistema.Espíritos bons se utilizam de nosso campo espiritual para realizarem tratamentos magnéticos ou de outra espécie; da mesma forma, espíritos inferiores, atraídos por nossa sintonia, podem estabelecer uma comunhão entre eles e o espírito encarnado. Nessa comunhão, o obsessor passa a ser um parasita, nutrindo-se de nossos centros vitais e gerando desânimo, falta de energia, irritação e vários outros sintomas decorrentes de nossa falta de vigília. Essa ação é conhecida como “vampirismo”, uma vez que o espírito literalmente “suga” as nossas energias através de sua instalação em nossos chacras.

Como vemos, os nossos pensamentos refletem as nossas emoções, as quais, por sua vez, refletem o nosso estado fisiológico. Nós sempre estaremos mergulhados no mundo mental que emitimos, no qual a semeadura é opcional, mas a colheita é obrigatória. Tudo no universo é sintonia e que tudo se encadeia na vida segundo as origens dos nossos sentimentos, ideias, palavras e ações. Por isso, chegamos à conclusão de que, para a reparação de nossos males físicos, urge que antes nos reeduquemos mental e emocionalmente. Existem espíritos com conhecimentos relacionados à manipulação de nossas energias e, infelizmente, vários magos antigos ainda se encontram arraigados no prazer de causar danos e empregar seus feitiços, bastando que alguém lhes forneça a vitalidade para isso. Quando uma força desse nível é canalizada para alguém e o espírito envolvido possui conhecimento de tal manipulação, a vítima se torna impotente, visto que a ação da força é independente do estado emocional da vítima.
Pelo respeito ao livre-arbítrio, o mal é permitido, mas sempre convertido em produção e crescimento. O fechamento de corpo é uma imantação de nossos centros de força que impede a ação de tais espíritos. Ao magnetizar os centros de força do médium, a entidade cria em volta deles um “escudo protetor”, o qual protege o médium sem desrespeitar a lei das sintonias, visto que o médium continua sujeito às conexões e afinidades que ele mesmo cria através de seu campo mental.

Os guias espirituais nos informam que através do fechamento do corpo podemos nos livrar de tudo, menos de nós mesmos. Por ser um grande magnetizador e conhecedor da máquina fluídica que envolve o ser humano, os guias espirituais podem utilizar do magnetismo de ervas, imantação solar e lunar, magnetismo de alguns cristais e pemba para o fechamento do corpo. Além dessas fontes, também se utilizada do magnetismo gerado ao nível planetário da Terra, uma vez que a cerimônia de fechamento de corpo é feita em um momento de grandeza energética no planeta, a sexta-feira Santa.

Devemos, assim, estar conscientes de que, ao passar pelo fechamento de corpo, não estamos livres das sintonias que atraímos.

Nosso Terreiro tem o rito de fechamento de corpo, que acontece toda sexta-feira Santa. Neste dia especial fazemos nosso ritual, com a pessoa sendo cruzada no Sal Grosso, no Carvão, Cruzamento de Pemba, Ori e Firmeza do Anjo da Guarda. É um ritual muito bonito e de muita força.

Oração do ritual de fechamento de corpo:

Salvo estou, salvo estarei
Salvo entrei, salvo sairei
são e salvo como entrou nosso senhor Jesus Cristo no rio de Jordão com São João Batista.
Na arca de Noé eu entro, com a chave de São Pedro eu me tranco.
Na cova dos leões eu entro e com a força de Xangô eu me tranco.
Nas intempéries eu entro e com a força de Iansã eu me tranco.
No mar revolto eu entro e com a força de Iemanjá eu me tranco.
Nas vicissitudes eu entro e com a força de Ogum eu me tranco.
Nas armadilhas do amor eu entro e com a força de Oxum eu me tranco.
Nas mudanças da vida eu entro e com a força de Nanã eu me tranco.
Na doença do corpo eu entro e com a força de Obaluaê eu me tranco.
Nas diferenças da família eu entro e com a força das Crianças eu me tranco.
Na arrogância eu entro e com a força dos Pretos-Velhos eu me tranco.
A Oxalá eu me entrego e com a Fé, Zambi me fecha.
Oxalá na frente, Exu nas costas
Eu cruzo todos os caminhos
Com as entidades me livrando de todo o mal e inimigos que possam se opor na minha jornada terrena.
Salvo estou, salvo estarei
Com as sete forças fechando meu corpo.

Assim seja!

18 de março de 2013

O umbandista e a Páscoa



Jesus, quando esteve no planeta Terra, trouxe uma mensagem totalmente inovadora, baseada no perdão, no amor e na caridade.
Para aquele povo ainda tão materialista e primitivo foi difícil aceitar um novo Messias manso e pacífico, quando esperava um líder guerreiro e libertador da escravidão.
Os governantes da época temeram ser ele um revolucionário que ameaçaria o poder por eles constituído.
Por estes motivos, Jesus foi condenado à morte, crucificado – maneira pela qual os criminosos eram executados naquela época. Como um Ser de elevada evolução reapareceu em espírito – não em corpo material – aos apóstolos e a várias pessoas.
Assim, ele comprovou a existência do espírito, bem como a sobrevivência após a morte física e incentivou a continuidade da divulgação de sua mensagem, missão esta desempenhada pelos apóstolos e seus seguidores.
A ciência já comprovou a impossibilidade da ressurreição, ou seja, voltar a viver no mesmo corpo físico após a morte deste, pois poucos minutos após a morte os danos causados ao cérebro são irreversíveis, já se iniciando o processo de decomposição da matéria.
Portanto, na verdade, Jesus não apareceu com seu corpo carnal, mas sim só se mostrou através de seu perispírito, o que explica o fato de só ter sido visto pelos que ele quis que o vissem. Se ele ressuscitasse em seu corpo carnal estaria contrariando as leis naturais, criadas por Deus.
Sabemos que para Deus nada é impossível, portanto, poderia Ele executar milagres.
Mas iria Ele derrogar as leis que Dele próprio emanaram?
Seria para atestar seus poderes?
O poder de Deus se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto de obras da criação e pela sábia previdência que esta criação revela, desde as partes mais gigantescas às mínimas, como a harmonia das leis que regem o universo.
Através do estudo das manifestações do Espírito compreendemos que não existem milagres, nem fatos sobrenaturais.
A Umbanda tem seus próprios fundamentos, seus rituais, sua doutrina, suas crenças e valores, portanto, não faz comemorações vinculadas a datas de outras religiões, inclusive de festividades católicas. Por isto, os umbandistas não comemoram a morte nem o “reaparecimento” de Jesus.
A Umbanda nos ajuda a entender os acontecimentos da passagem de Jesus no plano terrestre e esclarece que a Páscoa é uma festividade do calendário adotada em nossa sociedade por algumas religiões.
Para os umbandistas, a Páscoa, como qualqu
er outro período do ano, deve ser um momento de reflexão, estudos e reafirmação do compromisso com os ensinamentos da espiritualidade superior, principalmente do Criador, a fim de que cada um realize dentro de si, e no meio em que vive, o reino de paz e amor que este Ser iluminado exemplificou.

15 de março de 2013

A Luz dos Orixás



Em uma noite escura e assustadora, Ogum, o Orixá das "guerras", saiu do local onde guarda todos os caminhos e dirigiu-se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram-se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso. Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso.
— Ah, Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? — ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade. 
— Desculpe, sabe, ando meio ocupado. — respondeu um triste Ogum. 
— Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste. 
— É, vim até aqui para "desabafar" com você "mãezinha". Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a "Espada da Lei", que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das "supostas" demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles... Estou cansado... 
Ogum retirou sua espada e a colocou no chão. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda. Chorava por ninguém entender que se ele era protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria vida por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Ogum amava a humanidade, amava a vida. Mas, infelizmente, suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada a força que corta as trevas do ego e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não via nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não viam em sua lança a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna. 
Não! Infelizmente ele era entendido como o "Orixá da Guerra", um homem impiedoso que utiliza-se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram "quebras e cortes" de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isto torna-se uma guerra de vaidade, um show "pirotécnico" de forças ocultas. Muita "espada", muito "tridente", muitas "armas", pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual. Isso magoava Ogum. Como magoava... 
— Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Zambi. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá-la com a mão esquerda da soberba, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando-a em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição...
Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado... 
Logo, um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido, Obaluaê apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não aguentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia como ele, o guardião da vida, podia ser invocado para atentar contra ela. Magoava-se por sua alfanje da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens. Ele também deixou sua alfanje aos pés de Iemanjá e retirou seu manto escuro como a noite. Logo se via o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que se irradia de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que se perderam na senda do Criador. Infelizmente, os filhos de fé esquecem-se disto... 
Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar, aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas. Faziam isto em respeito a Ogum e Obaluaê, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isto por si mesmos. 
Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Zambi, que espalha as sementes de luz do seu amor. 
Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. 
Um a um, todos foram se despindo e pensando o quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás. 
Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Guia das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado da Pombo-gira, sua eterna companheira de jornada. Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente se apresentam. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face a expressão do cansaço. E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá: despiram–se de tudo. Exu e Pombo-gira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Inúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito que o próprio umbandista ajudou a criar dentro da sociedade, associando-o à figura do Diabo, então, em meio ao seu sorriso, as lágrimas também desciam. 
Iemanjá estava desesperada... Estavam todos lá pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer.
— Espere... Pensou Iemanjá — Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver esta situação. E logo Iemanjá colocou-se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou-se na frente de todos. Também despiu-se de sua roupa sagrada, para igualar-se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do mundo: 
— Zambi manda uma mensagem a todos vocês, meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem não medem esforços para disseminar estas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido por mãos de sérios e puros trabalhadores neste abençoado planeta Terra. Estes verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Estes que, muito além de apenas prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Estes que passam por cima das dificuldades materiais e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras bases de luz na crosta, aonde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão se manifestar. Estes que realmente nos compreendem e nos buscam dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro amor reside e existe. Estes incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Estes fantásticos trabalhadores anônimos espalhados pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a religião de Zambi brilhar e sorrir... 

Quando Oxalá se calou os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado e, talvez, daqui a algum tempo, muitos outros iriam se juntar neste ideal. E aquilo os alegrou tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram-se em amor e compaixão pela humanidade. 
Na Aruanda, os Caboclos, Pretos-velhos e Crianças fizeram o mesmo. Largaram tudo, também se despiram e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria, comungando a benção dos Orixás. 
Na Terra, Baianos, Marinheiros, Boiadeiros, Ciganos e todos os povos da Umbanda sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem-aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam-se. O alto os abençoava... 
Mas uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da Lei nas trevas, também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombo-giras foram tocados pelo amor dos Orixás e, com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz. 
Miríades de espíritos foram retirados do baixo–astral e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada.

Aos tolos que pensam que os Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta: os Orixás amam a humanidade inteira e por todos olham carinhosamente. Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou-se uma benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Alto, a morada celestial dos Orixás. 
Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como "armas" para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos se esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem–se disso. 
E quanto a todos aqueles que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira lembrem-se das palavras de Oxalá expressas na lenda acima. Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não têm olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade. Lembrem-se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança.
Honrem a Eles. Sejam Luz, assim como Eles!

9 de fevereiro de 2013

O Carnaval e a Quaresma para o Umbandista


CARNAVAL
Muitos me perguntam: afinal de contas, o umbandista pode ou não pode pular o carnaval? Pode se divertir nesta data? Outros afirmam que o umbandista pode se divertir desde que não use máscara ou fantasia. Isto é um mito... Bem, vamos às explicações sobre este mito.
Conheço pessoas que durante todo o ano deixam de fazer o que querem, subjugam-se a modos de vida que acham mais prático, porque aparentemente não há tantos embates. Não sentem necessidade de se situarem com os pés no chão em suas ações cotidianas, pois acreditam que atingiram zonas confortáveis de segurança na rotina das suas vidas, na interdependência do círculo familiar, na eterna tolerância ao tédio no trabalho e aparentes relações amistosas com todos ao redor. Ou seja, fingem ser o que não são... tornam-se hipócritas.
São pessoas que vivem como que na superfície da verdadeira vida. Aqueles que passam a vida a ver as sombras na parede, se formos lembrar do mito da caverna de Platão. Só que chega o carnaval e parece que na mente e no íntimo destas pessoas ocorre uma espécie de desbloqueio, e todas as barreiras morais e sociais se neutralizam, entrando em clima de “vale tudo”, como se fosse uma compensação pelo “comportamento exemplar de todo o resto do ano”. Alegam que “merecem” ser felizes por um dia e caem na folia.
Muitos se divertem sadia e equilibradamente, apenas usando o momento para abolir as preocupações e afastarem-se das obrigações e responsabilidades diárias, nem que seja por uns poucos dias. Outros, porém, cometem todo o tipo de desvarios, comprometendo-se e, às vezes, levando outros de roldão em atos de imprudência, selvageria, colocando em risco sua integridade física e moral.
Tentar resolver ou esquecer os problemas pessoais durante os dias de folia carnavalesca é o pior caminho que alguém pode tomar. Pois o carnaval, que parece na sua manifestação física como explosões de cores e alegria, traz a beleza descompromissada, mas ocorre que não há equilíbrio nas forças emocionais e passionais que estão libertas, ricocheteando no ambiente uma energia sem ajustes e sem limites, onde no meio das quais estão à espreita outros seres com as piores intenções, que absorvem avidamente estas energias, vampirizando intensamente os foliões invigilantes.
São portais que se abrem em regiões profundas e obscuras, deixando passar entidades vingativas, perversas, artífices na arte do ilusionismo, mostrando para os incautos que se “divertem”, situações de êxtase, realizações, todo tipo de engodo auxiliado pelas drogas, pelo álcool, pela sexualidade exacerbada, de modo a aprisionarem facilmente quantos estejam à descoberto de sua proteção, inseguros de seus projetos de vida, desequilibrados emocionalmente, esvaziados de verdadeiros sentimentos, minados por angústias e rancores mal resolvidos.
Os blocos, a fuzarcas, escondem verdadeiros campos de batalha nos paralelos astrais.
Não existe acaso, e a Ordem e a Lei nunca se cumprem aleatória e injustamente. Não há que se ter medo do carnaval e o posterior período da quaresma. Em diferentes pontos do planeta, desde o início dos tempos, há periodicamente estes bolsões, estes “gaps” energéticos a sugarem aqueles que precisam ser acordados e sacudidos diante das Verdades, ou o resgate daqueles que abusaram da fé de outros, negociaram com o destino que não lhes pertencia, que esqueceram valores como respeito, amizade, cortesia.
Este post não quer mostrar conceitos de falso moralismo, de ostentação de um comportamento sisudo e sombrio. Pelo contrário, o umbandista, quando alcança o auto-conhecimento e a verdadeira paz, tem um constante sorriso nos lábios, seu coração nunca está vazio, suas mãos, sempre laboriosas. Não há espaço para tédio ou rotina na sua vida, porque aprendeu a fazer acontecer, aprendeu a guiar seus dias e suas horas de maneira proveitosa, sem perder tempo em contendas menores, pelejas inúteis. Não sente necessidade de compensar nada, pois já se encontra bem e em equilíbrio. Não sente necessidade de “sair do sério”, “compensar o resto do ano”, “cair na gandaia”… Até porque sabe que por detrás do ambiente glamuroso há um outro ambiente, ávido e perigoso.
E que uns poucos dias de alienação compulsória não mudarão o cenário de um mundo que está passando por profundas modificações socioeconômicas, geológicas, ideológicas, num panorama preocupante com as frequentes catástrofes ambientais, com a miséria descortinada, e lugares com profundos estremecimentos políticos.
O Carnaval, para o umbandista, deve ser um momento de reflexão. Repensar os verdadeiros valores, observar que nada é tão precioso como os relacionamentos puros e sinceros, que se fortalecem ao passar dos anos e se renovam em meio a crises.
Pode, sim, perfeitamente ser um momento de descanso e descontração do físico, sair um pouco da rotina pesada de trabalho, estudo, numa oportunidade de maior interação com a família e amigos, na meditação saudável sobre planos, resolução de metas, construção de sonhos. Na vibração positiva pela humanidade e sua evolução, na reflexão profunda sobre seu caminho, suas certezas, suas metas. No pensamento de paz e harmonia universal, obtenção de uma reserva de serenidade, clareza de mente, esperança e fé.
Alguns umbandistas, com menos conhecimento ou que não refletem sobre os mitos repassados, acreditam que os Orixás afastam-se do planeta, e que até os Exus, nossos guardiães, “ganham liberdade” e são “soltos” (como se estivessem presos por nós! rsrsrs), não realizando sua função de proteção...
Ora, vamos ser racionais e refletir: você acredita mesmo que os Orixás, Entidades e os Exus que são designados para nos proteger, orientar, fazer caridade vão mesmo se afastar e nos deixar à mercê? Que estamos fadados a sermos pegos por kiumbas e Eguns? Faz sentido? Faz sentido o fato de, se um umbandista resolver brincar um pouco com sua família e amigos, dentro do bom senso e do equilíbrio, sem exageros, vai ser castigado ficando com um kiumba obsessor à tiracolo?   
Como umbandista, acredito que nesta época do ano abrem-se determinados portais...
O que temos que cuidar no carnaval – e em todas as épocas – é com os excessos... Mas, na época de carnaval, por causa da densa energia coletiva emanada, o pensamento excessivamente libertino que permeia a ambiência prejudica o equilíbrio, atrai espíritos vingativos, malévolos, vampirescos – daí a necessidade de maior vigilância por nossa parte. Mas é nesta época que os Exus de Lei, os Exus Guardiões, patrulham ainda mais a crosta brasileira, como o fazem em outras ocasiões em vários momentos.
Os dirigentes sérios e com conhecimento de causa orientam que, se os umbandistas forem participar das festividades carnavalescas, apresentem-se exatamente como são, sem engodos e sem ilusões, respeitando-se e respeitando os outros, sem abusos de bebidas, sem ingerir drogas e se resguardem, pois estarão conscientes que os locais estão densos, pesados de todo tipo de pensamento.
Para finalizar, vamos refletir que ao citarmos influências positivas e negativas, não devemos considerá-las exatos sinônimos de Bem e Mal. Devemos ter a compreensão que todos estaremos sempre passando do pólo negativo ao positivo, faz parte da roda da vida, um pólo se interpondo ao outro, quando se esgota o pólo negativo, já está inserido o pólo positivo. Pelo mesmo motivo aprendemos que não existe escuridão absoluta e que, quando algo chega até o fim de sua capacidade, se inicia um novo ciclo em outra direção. Todos passamos por isto e, ao passarmos pelo pólo negativo, se estivermos cheios de pensamentos desarmonizados, estaremos mais suscetíveis às suas consequências. Se ao passarmos pelo pólo positivo não tivermos nos dedicado à auto-iluminação, nada veremos, nada aproveitaremos, será como se tudo fosse igual, pois não estaremos em condição de vibrar com aqueles que estão nesta faixa. É bem diferente de ser bom ou mau.
Todos passam pelo positivo e negativo e, assim, seria grande preconceito dizer que se está sempre do lado positivo e da Luz. Estou tentando expressar que não é o fato do mundo estar circulando do lado positivo ou negativo, mas o fato de quem nós realmente somos quando passamos por estas vibrações. Logo, o que a vida traz para cada um não depende do mundo exterior ou de outras pessoas, mas o que cada um está fazendo dela, em cada minuto que estivermos encarnados.
A QUARESMA
Muitos centros de umbanda fecham ou têm o atendimento limitado no período do carnaval e quaresma, mesmo não sendo datas ligadas a nossa religião. Por que isto acontece?
A dúvida sobre o funcionamento dos Terreiros de Umbanda durante o carnaval e quaresma vem da época que os Orixás eram proibidos de serem cultuados e deveriam ser sincretizados com os santos católicos.
Como o período da quaresma corresponde a uma época de reclusão e reflexão dentro da igreja católica, muitos Terreiros de Umbanda e Candomblé ficavam em uma posição delicada junto à comunidade católica e fechavam as portas para não terem problemas com as autoridades locais e com as pessoas em geral, quando poderiam ser acusados de desrespeitosos com a religião católica.
As pessoas consideravam que as casas de santo não deveriam bater tambores ou praticar qualquer ritual na quaresma, a exemplo da igreja católica que deixa suas imagens cobertas por mantos de cor roxa em sinal de respeito e luto, onde os católicos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a ressurreição de Cristo.
Os Centros de Umbanda não precisam parar suas atividades durante a quaresma, podendo funcionar normalmente, pois não estão ligadas aos dogmas da igreja católica que determinem que não possam fazer atendimento espiritual nesta ocasião.
Devemos lembrar que estes são rituais católicos e não pertencem à religião umbandista.  A quaresma para nós vai marcar apenas o final do ano espiritual no astral, sendo esta época o encerramento de um ciclo e o início de outro.
Que cada amanhecer traga a verdadeira felicidade e bem-estar a todos, com a proteção e vibração das Forças Maiores!
Saravá!



2 de fevereiro de 2013

A Linha dos Baianos

Na Umbanda pura, sem mistura com Candomblé, Nações ou catolicismo, dia 02 de fevereiro é dia de Nosso Senhor do Bonfim - o padroeiro do Povo Baiano. Por este motivo, esta data ficou instituído, na Umbanda, como o dia de se homenagear a Linha dos Baianos.

O Baiano representa a força daquele que fica à margem da sociedade, o que sofreu e aprendeu na "escola da vida" e, portanto, pode ajudar as pessoas. O reconhecido caráter de bravura e irreverência do nordestino migrante parece ser responsável pelo fato de os baianos terem se tornado uma entidade de grande frequência e importância nas giras paulistas e de todo o país, nos últimos anos. Os baianos da Umbanda são pouco presentes na literatura umbandista. Povo de fácil relacionamento, comumente aparece em giras de Caboclos e Pretos-Velhos, sua fala é mais fácil de se entender que a fala dos caboclos. Conhecem de tudo um pouco, inclusive a Kiumbanda, por isso podem trabalhar desfazendo feitiços.


Enfrentam os invasores (kiumbas, obsessores) de frente, chamando para si toda a carga com falas do gênero "venha me enfrentar, vamos vê se tu pode comigo". Buscam sempre o encaminhamento e doutrinação, mas quando o kiumba não aceita e insiste em perturbar algum médium ou consulente, então o Baiano se encarrega de "amarrá-lo" para que não mais perturbe ou até o dia que tenha se redimido e queira realmente ser ajudado. 
Costumam dizer que se estão ali trabalhando é porque não foram santos em seu tempo na terra, e também estão ali para passarem um pouco do que sabem e principalmente aprenderem com o povo da terra. São amigos e gostam de conversar e contar casos, mas também sabem dar broncas quando vêem alguma coisa errada. 
Nas giras eles se apresentam com forte traço regionalista, principalmente em seu modo de falar cantado, diferente, eles são “do tipo que não levam desaforo pra casa”, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversando bastante, falando baixo e mansamente, são carinhosos e passam segurança ao consulente que tem fé. Os trabalhos com a corrente dos Baianos trazem muita paz, passando perseverança para vencermos as dificuldades de nossa jornada terrena. 
A Entidade pode vir na linha de Baianos e não ser necessariamente da Bahia, da mesma forma que na linha das crianças nem todas as entidades são realmente crianças. Os Baianos são das mais humanas entidades dentro do terreiro, por falar e sentir a maioria dos sentimentos dos seus consulentes. Adoram trabalhar com outras entidades como Erês, Caboclos, Marinheiros, Exus, etc. São grande admiradores da disciplina e organização dos trabalhos. São consoladores por natureza e adoram dar a disciplina de forma brusca e direta, diferente de qualquer entidade. 
Os Baianos não têm filhos de cabeça, pois são entidades auxiliares.

Cor
Laranjado
Fio de Contas
Laranjado
Ervas
Arruda, guiné, espada de São Jorge
Símbolo
Cactus
Pontos da Natureza
Campina
Flores
De cactus
Essências
Água de cheiro
Pedras
Coralina
Metal
Latão
Saúde
Psíquica e emocional
Planeta
Terra
Dia da Semana
Segunda-feira
Elemento
Terra
Chacra
Umbilical
Saudação
É da Bahia
Bebida
Água de coco, cachaça, batida de coco
Animal representativo
Galinha angolana
Comidas
Coco, cocada, farofa com carne seca
Número
2
Data Comemorativa
2 de Fevereiro
Sincretismo
Nosso Senhor do Bonfim