Blog da Casa de Caridade Luz Divina - dirigente espiritual Vovó Luiza

8 de maio de 2012

Médium de transporte


O médium de transporte é aquele que tem a capacidade de incorporar entidades espirituais de outras pessoas, além de suas próprias, também de absorver as energias negativas e descarregá-las, com o auxílio de seus guias ou entidades esclarecidas e de luz. 
Por exemplo, quando um consulente passa por uma entidade espiritual e este guia vê que o consulente está com algum "encosto" (obsessor), então é usado o médium de transporte, onde ele "transporta" o que está no consulente para ele, e o guia de luz encaminha esta entidade "transportada" para o lugar de onde ele veio.
Contudo, para ser um médium de transporte é necessário já ser um médium desenvolvido, ser um médium pronto, do contrário, pode o médium ainda em desenvolvimento sofrer com os obsessores.

5 de maio de 2012

Pontos Cantados


Os pontos cantados (cânticos) são também uma forma de oração. Na Umbanda, uma das maneiras de nos aproximarmos das Entidades é através do canto.
Na Umbanda, estes cânticos recebem o nome de pontos.
Você sabe por que o nome "ponto”? Porque, no momento em que você canta, a sua mente está ligada ao Guia, o qual é louvado ou solicitado.
Dois segmentos: um é a sua mente e o outro a Entidade. Quando estes dois segmentos se cruzam, geralmente ocorre a incorporação. Em Geometria, o ponto é originado pela intersecção de dois segmentos – justamente no momento em que estes dois elementos se cruzam – exatamente como acontece quando você mentaliza a Entidade para a qual dedica o seu cântico na Umbanda. Por isso, os nossos apelos ou oferecimentos cantados chamam-se "pontos".
Os pontos cantados na Umbanda vieram através das próprias Entidades ou foram compostos por iniciados nesta religião, em louvor aos seus protetores - guias espirituais.
Então, cante os pontos, pois quando você canta, a sua mente está conectada com a Entidade. E no dizer de nosso Pai Oxalá:
"Buscai na música a vossa identidade. Vós sois a Melodia Divina. Tornai-vos dóceis instrumentos do vosso som e contribuireis para a grande orquestra da vida."

3 de maio de 2012

A caridade é para todos!


Hoje me peguei refletindo sobre a arrogância de certas pessoas. Aquelas que adoram bater no peito para dizer que são umbandistas, mas, na verdade, quando são postas à prova, se mostram totalmente o contrário.

Eu explico: quando começamos a frequentar um Centro somos os consulentes, vamos apenas para tomar um passe energético, ouvir conselhos dos guias e, em alguns casos, incorporar nosso guia. Só. Ficamos ali na assistência sonhando com o dia em que seremos chamados a colocar a farda branca e trabalhar no campo santo, diretamente com as entidades, na linha de frente mesmo.

Enquanto somos da assistência, todos, ou a maioria pelo menos, nos tratam bem, são cordiais, simpáticos, afinal, sem assistência não há terreiro. Ficamos imaginando como seria bom fazer parte daquela casa, daquela família, pois temos a ingênua ideia de que ali não há mentiras, joguinhos, falsidade, competição.

Grande decepção encontramos quando, após estarmos dentro do terreiro, de uniforme e tudo, alguém nos trata mal, alguém nos ignora, não dá nem boa noite e, o pior de tudo, percebemos que existem panelinhas, fofoquinhas, intrigas e ciúmes.

É claro que viver em sociedade é complicado, por menor que ela seja. As panelas são até saudáveis, uma vez que os iguais se atraem, mas não deveria haver mentiras e competição. Deveríamos nos policiar para nos melhorarmos e não nos deixar levar por intrigas e ciumeira.

Agora lhes pergunto: por que aquele consulente, antes tão bem tratado, agora que é parte de sua família parece até que virou seu inimigo? Por que a pessoa que adora bater no peito dizendo que é umbandista faz questão de destratar um irmão? Por que não trazê-lo mais para perto de você, ao invés de enxergá-lo como um concorrente? Concorrente de que, meus queridos?!

Um terreiro deve fazer apenas a caridade, independente de quem a solicite, e seu irmão merece ter de você a mesma caridade direcionada ao consulente de outrora. Não estamos em uma empresa onde cada um tem um cargo e com maracutaias conseguiremos uma promoção. É da sua casa que estamos falando, da sua família, dos seus irmãos de fé!

Portanto, parem com essa bobagem de “eu cheguei primeiro, eu tenho mais tempo de casa, eu tenho que ser o preferido do Pai, ou eu tenho que ser melhor que você”. Ninguém é melhor do que ninguém, cada um tem seu valor e se nos ajudarmos subiremos muito mais rápido. Um terreiro é feito de uma corrente de pessoas guiadas pelo amor e a caridade. Isso significa amar seus irmãos também, tratá-los com carinho e dignidade, da mesma forma que você gostaria de ser tratado.


Quanto mais seu irmão subir, mais você subirá.

E nem me venha com aquela frase: “mas na minha época era assim, meu pai de santo fazia assim, então tem que continuar igual”. A vida é movimento, nada é estático, tenha atitude! Se fizeram errado com vocês, façam diferente, façam o correto!

Nada de hipocrisia e caridade seletiva, a caridade é para todos!

Julia G.

2 de maio de 2012

Pretos Velhos - sinônimo de fé e caridade

No dia 13 de maio comemora-se o dia dos Pretos Velhos e, em sua homenagem, postamos um belo texto que exemplifica como eles costumam trabalhar...
Certa noite, um homem com um semblante triste, desesperado, chegou naquele lugar. Naquele lugar que ele tanto julgara, naquele lugar que outrora criticara, um Centro de Umbanda (...) Enquanto as cenas dos tormentos de sua vida passavam em sua mente, seu corpo ia se ajoelhando diante de um médium com características de um velhinho (...) Contou para aquela entidade todo seu sofrimento, seus olhos desesperados se encontravam com olhos daquela entidade que mostrava respeito, compreensão e atenção. Ao término do seu desabafo escutou: " Filho, já rezou? reze e tudo vai dar certo." 
Aquele homem saiu daquele lugar questionando sobre aquelas palavras, afinal, não era necessário ir a um terreiro para saber que tem que rezar. Ao mesmo tempo sentiu um ardor no seu coração, um sentimento que tudo será resolvido. Chegou em casa e rezou.
(...) Depois de alguns dias, dois garotos aprendizes da doutrina umbandista, um mais velho e seu companheiro mais novo, estavam caminhando por uma estrada que levava a um campo. Eles viram um casaco velho e um par de sapatos masculino muito gasto, ao lado da estrada. E ao longe viram o dono daquelas coisas trabalhando no campo.
O garoto mais novo sugeriu que eles deviam esconder os sapatos, e depois, sem o dono ver, ficar assistindo o pavor na cara do dono quando ele voltasse. O garoto mais velho disse que aquilo não seria tão bom, disse que aquele homem deveria ser muito pobre, pela aparência de suas vestimentas. Então depois de conversarem e encerrarem o assunto daquela sugestão, surgiu-lhes tentar uma nova experiência: Em vez de esconder os sapatos, eles iriam colocar uma quantia em dinheiro em cada um dos sapatos para ver o que o homem faria quando achasse o dinheiro. Então foi o que fizeram.
Logo o homem voltou do campo, vestiu seu casaco, escorregou um pé para dentro de um sapato, sentiu algo lhe incomodar, tirou de dentro, e viu uma certa quantia de dinheiro. Alegria e surpresa brilharam no seu rosto, então ficou olhando aquela quantia varias vezes. Olhou ao redor e não viu ninguém, então foi colocar o outro pé . Para sua grande surpresa encontrou outra quantia em dinheiro, a emoção tomou conta dele. Se ajoelhou, e rezou. Uma oração de agradecimento, no qual falou de sua esposa doente, sem ninguém poder ajudar, e seus filhos sem pão. Agradeceu a Deus fervorosamente, lembrou então daquele Preto velho. E rezou mais uma vez, agradecendo pela ajuda que veio de mãos desconhecidas e pediu as bençãos dos céus sobre aqueles que deram essa ajuda tão necessária.
Os garotos ficaram escondidos até ele ir para sua casa. Foram tocados por sua oração e sentiram um calor dentro de seus corações e logo que voltaram a caminho estrada abaixo. Um disse ao outro: "E agora, você não consegue sentir algo realmente bom?" Aprenderam juntos que pequenos atos de caridade trazem alegria.

E é assim que os Pretos Velhos trabalham: ensinando a ter fé e a fazer caridade!

Adorei as Almas!

30 de abril de 2012

Alerta sobre Animismo e Mistificação


Eis aí mais um tema que alguns pretendem fazer polêmica e, embora possamos vislumbrar sua importância, ela normalmente é deixada de lado em função de um pseudo "respeito que se deveria ter para com o animismo alheio".
Antes da abordagem gostaria de explicar, sendo bem claro para todos os que aqui chegam, que o propósito deste Blog não é o de ficar "batendo cabeça" para uma grande parte de IDEIAS SEM FUNDAMENTOS divulgadas até como "EVOLUÇÃO DA UMBANDA" que vemos serem espalhadas em livros e na própria internet. Nosso propósito é exatamente o de tentar explicar, em linguagem mais clara possível, o porquê de certos rituais, como acontecem certos fenômenos e se podem ter fundamentos ou não.
Nossa ideia é mesmo a de confrontar certos "axiomas" com a razão, para chegarmos a conclusões (ou até mesmo não), de que podem ser mesmo axiomas ou invenção ou mistificação.
Já está mais que na hora da Umbanda sair do MUNDO DOS CONTOS DE FADAS e se tornar mais RACIONAL; de deixarmos de divulgar procedimentos e teorias como "MISTÉRIOS" e os demonstrarmos, ainda que apenas pela prática, através das quais poderiam se tornar COROLÁRIOS (afirmações deduzidas de verdades demonstradas); de ficarmos aceitando tudo o que inventam como prática ritualística de Umbanda; de aceitarmos PURO ANIMISMO como MEDIUNIDADE, o que acaba por nos levar a situações até mesmo bizarras frente a pessoas que tenham um mínimo de raciocínio lógico e, principalmente aqueles que têm sede em dizer que tudo não passa de atuação do "Grande Irmão" (Guia) ou de mentes doentias.
Não raramente vemos pessoas (dirigentes e médiuns) praticar a Umbanda à luz de suas próprias verdades, mas não com o Fundamento verdadeiro da Umbanda. Mas o pior é que, quando lhes pedimos para exporem suas verdades com alguma base racional, com base nos fundamentos, acabam entrando naquela história de que "não pode ser explicado por ser eró (segredo, mistério), mas também não é como estão dizendo...” Ora, apelar para os erós (segredos), na maioria das vezes é saída pela tangente DE QUEM NÃO TEM RESPOSTA, POR NÃO TER CONHECIMENTO. E veja bem que isso não é uma crítica destrutiva. A ideia é de que seja um CONVITE AO RACIOCÍNIO, já que EM UMBANDA NÃO HÁ OVELHAS (ou pelo menos não deveria haver) e sim pessoas que pretendem (ou deveriam pretender) compreender um pouquinho mais, que seja, de todas essas práticas e ritualísticas, seus próprios objetivos a serem alcançados, ou seja, o máximo que se possa aprender para, futuramente, ANDAR COM SEUS PRÓPRIOS PÉS. O que for considerado fundamentado através do raciocínio e verificação prática, então que se pratique, enquanto o que não for... que se elimine da Umbanda.
A afirmativa de que "temos que respeitar todas as ritualísticas alheias" é correta, mas até certo ponto - o ponto em que se demonstre ter esse ou aquele ritual algum tipo de fundamento correto de nossa religião.
O que isso quer dizer é que: conhecendo-se uma determinada ritualística, têm-se TODOS OS DIREITOS DE ESTUDÁ-LA MAIS PROFUNDAMENTE E, PROVADAS SUAS VERDADES, ACEITÁ-LAS E ATÉ DELAS SE UTILIZAR. Caso contrário, demonstrar suas fragilidades (SIM, POR QUE NÃO?) e deixar para quem quiser ou puder entender, numa forma até caritativa, já que o conhecimento dessas fragilidades poderá ajudar muitos a se reciclarem em seus conceitos iniciais e, com isso ficarem MAIS CONSCIENTES DO QUE ESTÃO FAZENDO E MENOS VULNERÁVEIS.
Estou tocando nesse assunto porque algumas pessoas que dirigem os terreiros exercem práticas e "FUNDAMENTOS TEÓRICOS" baseados tão e somente em suas próprias experiências pessoais sem o devido conhecimento do que é o CORRETO e ainda dizem que "essas são as verdades". Verdades? Será que passam pelos crivos da coerência? Será que passam pelos crivos das contradições? Ou as estamos aceitando simplesmente porque quem as difundiu foi o Pai Fulano ou a Mãe Cicrana? Vamos raciocinar um pouquinho mais antes de aceitar tudo que nos cai às mãos?
Minha preocupação maior é com a IGNORÂNCIA de certos dirigentes e o excesso de “SEGREDO” com que são tratados certos assuntos por alguns, que, muito longe de virem a serem positivos, podem levar a dificuldades e quedas inconscientes, já que o apoio de práticas e fundamentos em sonhos e fantasias, mais cedo ou mais tarde vai se revelar como uma estrada sem chão. Anote isto em seu caderninho.
Pela minha prática a Umbanda é simples. É tão simples que se torna um "bicho de sete cabeças" pra quem pretende criar novos conceitos e fundamentos. E tanto é que os que assim agem acabam se contradizendo uns aos outros e contradizendo a si próprios, tal é a profusão de "novos conceitos", novas práticas e até mesmo NOVOS “ORIXÁS” que estão aparecendo por aí.
Quando iniciei meu caminho pelo Espiritismo, primeiro no Kardecismo e depois na Umbanda, havia, por parte dos dirigentes das Sessões, uma grande preocupação quanto ao ANIMISMO por entenderem eles que esse era um fenômeno através do qual o médium acabava por transmitir suas próprias ideias a despeito do que poderia estar pretendendo alguma entidade que ali estivesse, sendo que, em muitas vezes, nem estavam - na verdade as "mensagens" eram fruto do consciente ou mesmo inconsciente do PRÓPRIO MÉDIUM que, acreditando estar sendo atuado, passava aos demais suas próprias ideias e formas de pensar sobre esse ou aquele assunto.
Hoje em dia percebo, por alguns textos e por algumas incorporações, uma aceitação maior e até mesmo - por que não dizer - uma certa permissividade exagerada que, ao meu ver, em grande parte das vezes acaba fazendo com que se aprontem "médiuns" que mais são anímicos do que médiuns mesmo.
Nossa grande preocupação enquanto médiuns era, quando em atuação consciente, estar o mais relaxado possível e SEM IDEIAS PRÉ-CONCEBIDAS PARA QUALQUER ASSUNTO, já que esse fato poderia em muito atrapalhar a verdadeira mensagem que deveria ser repassada. Exemplo: a possibilidade de problemas psicológicos enraizados nos médiuns também afetarem as comunicações, bem assim como vaidades e pretensas sabedorias e conhecimentos que em muitas vezes poderiam CRIAR FALSAS MENSAGENS e, por decorrência, FALSOS ENSINAMENTOS.
O que me preocupa, nos dias de hoje, é o aumento dessa permissividade aos fenômenos anímicos em detrimento dos verdadeiramente mediúnicos, pois, podem ter certeza: são decorrências de animismo. Sempre que posso faço essa pergunta: será que os Exus são bichos para virem grunhindo, serem tortos, fazerem o mal, serem vingativos ou, ao contrário, serem NOBRES ou TODOS os NOBRES viraram Exus do outro lado?
Quando comecei Exu Sete Encruzilhadas era só isso - SETE ENCRUZILHADAS (da calunga ou da encruza). Agora já se apresentam como Exu tal da terceira porta do lado direito da calunga, Pomba Gira tal do lado esquerdo do cruzeiro, da porta esquerda da fornalha, da terceira catacumba depois da primeira curva à esquerda (isso já foi por minha conta). O que é isso? Evolução da Umbanda? Não meus irmãos. Isso é PURO ANIMISMO! Pura atuação do consciente ou inconsciente humano ou, em caso pior, MISTIFICAÇÃO do "médium" ou ação de um kiumba.
Meus caros, MUITO CUIDADO COM O ANIMISMO, mas MUITO CUIDADO MESMO! Respeitar o ANIMISMO alheio, não tentar corrigir esse defeito que muitos de nós temos, muito menos que ajudar, vai acabar mesmo é criando A UMBANDA ANÍMICA (se é que já não existe) com todas as suas consequências. Só para que tenhamos uma ideia do quanto o animismo está imperando nos dias de hoje, percebam que as Giras em que há maior participação (presença) dos médiuns (pra não falar da assistência) nos dias de hoje são: as de Crianças, as de Malandros e as de Exus. Repararam? Por que? Porque são essas as giras mais propícias a "empolgações", EXTERIORIZAÇÕES DE EGOS (ANIMISMO ou MISTIFICAÇÃO) e outros comportamentos "humanizados" e inadequados que poderão ser observados por todos os que queiram fazê-lo friamente, embora sem ideias pré-concebidas.
Por outro lado, as Giras de Caboclos e Pretos Velhos, que em minha opinião são OS VERDADEIROS REPRESENTANTES DA UMBANDA NO BRASIL, POR EXIGIREM MAIOR RESPEITO, menos brincadeiras e "gracinhas", menos fantasias (quando são entidades de Lei mesmo), menos festanças e alvoroços, comportamento mais equilibrado tanto de assistentes quanto de médiuns, em muitas vezes não alcançam a metade do público assistente e, podemos perceber que ATÉ MESMO PELO LADO DOS MÉDIUNS, não são tão procuradas.
Se falarmos então em Sessões de Estudo, é um tal de "tenho compromisso", "infelizmente não vou poder", "mais de uma Gira meu marido não vai deixar" e outras desculpas mais que nem dá pra comentar.
E desculpem-me mais uma vez certa radicalização de pensamento, pois se o faço é porque preocupa-me observar que alguns Terreiros atuais (e alguns mais antigos também), principalmente os que vivem em busca de MAIS ASSISTÊNCIA, acabam se transformando em PALCOS TEATRAIS para interpretações pseudo mediúnicas de artistas frustrados com um imenso vestuário, cenários, festas e mais festas e, se deixarem e tiverem dinheiro para tal, poses para fotos e filmagens (nada contra quando acontece às vezes mas SEM POSES DE ENTIDADES, por favor). Ou, “médiuns” que precisam mostrar que são os tais acabam fazendo TEATRO, recebendo tudo quanto é “entidade”, ao ouvir a primeira palavra do ponto já estão “incorporando” e “incorporam” de um tudo: até espirro, se alguém espirrar... “Médiuns” que gostam de chamar a atenção jogando-se no chão, fazendo mil e uma arte... e o pior são os dirigentes aceitarem isso e ainda dizerem que são bem-vindos...
O que acontece muito nos dias de hoje é que TEM MUITA GENTE BRINCANDO DE UMBANDA e isso não é nada bom - as consequências disto...
Que vai ter gente tentando justificar essas explosões de ANIMISMO ou MISTIFICAÇÕES, lá isso vai, porque, como costumam dizer, a Umbanda recebe a todos em seu seio... Agora, pra quem acha coisas como essas "muito normais", provavelmente deverá achar também normal quando as falanges de Cavalos de Ogum, Leões de Xangô, Tigres de Oxossi, Cobras de Oxum, etc. e tal, forem também mais divulgadas porque já tem gente "recebendo" isso aí, “RECEBENDO O CAVALO DE OGUM”! Pode? Vou repetir o que uma entidade, há muitos anos repetia para nós a título de aviso: "VÃO ABRINDO PORTEIRA, VÃO ABRINDO PORTEIRA, PRA VER O QUE ACONTECE!". Entenda quem puder!
Voltando ao assunto inicial e agora mais "academicamente", explicamos que MISTIFICAÇÃO é o fenômeno em que médium ou entidade incorporante (humana ou elemental) fazem parecer ao público que acontece uma coisa que realmente não acontece. Nesse aspecto, pelo lado do pseudo médium, estão incluídos aqueles que, pretendendo se mostrar com o "santo", fingem que estão incorporados repetindo trejeitos e formas de falar de entidades reais - SÃO OS IMITADORES DE ENTIDADES. Não vou me alongar nos porquês, alguns assim agem pelo fato de que seja lá qual for a desculpa, o real motivo são suas personalidades deturpadas, já que o fazem CONSCIENTEMENTE - esse é o já famoso EKÊ. Pelo lado das “entidades” que assim agem, além de terem suas personalidades deturpadas, podem ter também outras reais intenções, na grande maioria das vezes com fins obsessivos. Por que digo isso? Porque, por exemplo, se uma entidade qualquer se apresenta como Pai Manoel de Angola, se finge de Preto Velho, age como tal e não é (a não ser em alguns casos permitidos em que a entidade está sendo vigiada para que possa subir o seu degrau), pode ter certeza de que, mais cedo ou mais tarde irá demonstrar seus reais propósitos, não só em relação ao médium que lhe dá passagem como, talvez, até mesmo em relação ao grupo que venha a chefiar.
Um obsessor (ou kiumba) deste tipo, se não reconhecido rapidamente, costuma ir ganhando terreno através de "trabalhinhos bem feitos" aqui ou ali, de uma forma que, aos poucos, vá ganhando a atenção e carinho, não só do médium como de outros que o cerquem e, a tal ponto, que se amanhã (num futuro) resolver matar um boi nos dentes, todos vão achar perfeitamente normal por se tratar do "querido Pai Manoel" (que me perdoem os verdadeiros), sem perceberem que desde muito tempo atrás já estavam sendo levados, em suas práticas, aos caminhos do Baixo Astral. ANOTE ISTO TAMBÉM!
Há pouco também, tive a oportunidade de ler em um certo debate, que o Exu tal de uma certa pessoa vinha, ora como Tiriri, ora como Marabô ou qualquer coisa parecida. Onde está a lógica disto? Como é que não se percebe que, pelo menos alguma coisa está esquisita nisso aí? Ou será que só eu vejo assim? Por que um Exu de verdade tem que se apresentar ora como um, ora como outro? Animismo ou Mistificação! Pode ter certeza que não escapa de um desses dois fenômenos, ambos bastante prejudiciais a esse médium que, infelizmente acreditava ser isso "normal".
E quando vemos (com olhos da razão e não da emoção) certos "Caboclos" e "Pretos Velhos" que "carinhosamente" chegam em terra com os comportamentos mais "kiumbizados" (neologismo rápido) possíveis, com brincadeiras e piadinhas que nem Exus ou Malandros fariam? Seriam Caboclos mesmo? Ou Pretos Velhos? E ainda tem os famosos "pretos velhos" que viram exu na hora grande... rsrsrs
Quanto ao ANIMISMO, por tudo o que já escrevi antes, já se pode perceber o quanto pode ser prejudicial, tanto ao médium quanto a seus seguidores, na medida em que TODOS poderão estar recebendo informações ANÍMICAS e não MEDIÚNICAS. Em outras palavras, informações relativas ao inconsciente ou mesmo consciente do médium e não realmente DE ESPÍRITOS PROTETORES e GUIAS.
Existe uma Corrente de Pensamentos através da qual divulga-se que o animismo deve ser aceito porque: "não existe uma dicotomia (divisão) entre fenômeno anímico e fenômeno mediúnico. Na grande maioria das vezes o que ocorre é um estado intermediário com maior ou menor participação do Espírito encarnado no médium em relação ao Espírito desencarnado que por ele se expressa". Essa mesma Corrente de Pensamentos explica que, admitindo-se a pluralidade das existências (reencarnações sucessivas) o fenômeno anímico pode muito bem se manifestar quando, "em transe", o indivíduo passa a expressar seus próprios conhecimentos mais antigos (de outras encarnações), conhecimentos esses que nem imagina ter na presente encarnação e que, por isso, fica muito difícil sabermos quando uma pessoa está ANÍMICA ou MEDIUNIZADA.
Então vamos por parte e em síntese: Mediunidade MESMO existe em diversos níveis, desde o simplesmente telepático, quando o médium recebe as informações intuitivas apenas através de seu Chakra Coronário e mais raramente pelo Frontal e vai passando por vários estágios. No caso de incorporações, que é o que nos preocupa nesse momento, essa atuação NÃO COMANDA GESTOS E MOVIMENTOS DO MÉDIUM - ele recebe e interpreta o que recebeu e depois repassa.
Na medida em que o treinamento se dá e o médium aprende a se entregar mais (melhora a sintonia espiríto/médium), outros Chakras vão sendo tomados a ponto de irem sendo, inclusive e aos poucos, dominados pelas entidades. A partir daí e dependendo de muitos fatores, ele pode ir perdendo o comando das pernas, dos braços, da fala, etc. No meio disso tudo pode ir perdendo a consciência, ou por alguns lapsos de tempo ou, mesmo tendo estado consciente, ir esquecendo tudo ou quase tudo o que aconteceu antes, como acontece quando acordamos, sabemos que estávamos sonhando e, por mais que queiramos não conseguimos lembrar. Mediunidade totalmente inconsciente e em todo o tempo existe sim, mas em cerca de 1 a 2% dos casos.
Se você que está lendo raciocinar calmamente, perceberá que, na maioria das vezes, esse processo de tomada do corpo (e mente) pela entidade é lento (existem exceções) e que a PACIÊNCIA de uma grande parte de médiuns costuma ser muito curta, o que faz com que muitos deles se achem "prontinhos" com meses de treinamento (e mesmo assim não diário - alguns até uma vez por mês) ou só porque fizeram um amaci aqui, uma "obrigação" ali ... e outros até porque fizeram um cursinho aqui, outro ali ...
Percebe onde isso tudo pode parar? Percebe que médiuns que sequer incorporam verdadeiramente podem estar saindo e dando uma de "inconscientes" e acabam sendo mesmo é totalmente ANÍMICOS?
"Ah, mas se as mensagens forem positivas, então pouco importa se ele está recebendo uma entidade ou está expressando uma de suas personalidades passadas, não é?" - Ainda poderiam apelar alguns.
Vou ser o mais claro possível para quem ainda não entendeu as conseqüências disto.
Em primeiro lugar é preciso que entendamos que quanto mais consciente, maior a possibilidade de vir a ser anímico total, principalmente se pretender expor mais suas próprias ideias e atitudes do que as de quem está do outro lado. Precisamos entender também que, quanto mais anímicos, MENOS ATUADOS por PROTETORES VERDADEIROS estaremos e, por isso mesmo, MAIS VULNERÁVEIS a todos os tipos de influências estaremos.
Se uma pessoa costuma receber "suas próprias personalidades passadas" (ANIMISMO) em detrimento de reais entidades espirituais, na verdade, se ele tiver mediunidade mesmo e estando dentro de um Terreiro ou Centro Espírita, vai acabar virando um alvo de primeira para intercessões do Baixo Astral e, ainda que de início, suas mensagens possam vir a ser positivas para uns e outros (frutos de seu consciente ou subconsciente), com a chegada do Baixo (por falta de proteção de cima) a coisa vai começar a ficar esquisita. Para essas entidades anímicas que aconteciam e que precisavam ser corrigidas é que se dava o nome de "Caboclo ou Preto Velho SUBCONSCIENTE".
Quanto a "ser muito difícil sabermos quando uma pessoa está anímica ou mediunizada... fica não! Somente para os também anímicos e os que, sem preparo algum específico, acham que não dá de saber a diferença!
Esse texto não está direcionado a ninguém particularmente. São apenas observações minhas ao longo do tempo e, quem quiser, tem todo o direito de discordar em partes ou no todo.
Se queremos a Umbanda RESPEITADA, temos antes que TORNÁ-LA RESPEITÁVEL.
SARAVÁ!
Fonte: adaptado de Denis Sant'Ana

29 de abril de 2012

As velas na Umbanda


A vela, para a Umbanda, é uma força atratora e servem para ajudar a nos conectar com as Entidades e também a focar em nossos pedidos. Veja quais velas você deve acender, conforme a necessidade:

Vela azul: deve ser acesa para as Senhoras da Água (Oxum, Iemanjá) e Marinheiros quando se deseja adquirir calma, serenidade, sabedoria, desenvolver e trabalhar poderes paranormais, sensitividade, intuição e ter expansão nos projetos.

Vela amarela: deve ser acesa para Iansã quando há necessidade de cura energética, clarear a mente, abrir o intelecto, firmar os pensamentos, desenvolver a espiritualidade e ocorrer mudanças rápidas das situações.

Vela branca: representa a pureza e sinceridade. É utilizada para obtermos paz de espírito, harmonia e equilíbrio em nossas casas. Acende-se para Oxalá, Anjo de Guarda ou Pretos Velhos quando se deseja paz, limpeza, cura, reconciliação, harmonia e iluminação.

Vela laranja: deve ser acesa para os Ciganos (também serve para os Baianos) quando se precisa ter força mental, aumentar a confiança, a criatividade, o entusiasmo, o poder de atração e obter sucesso nos empreendimentos.

Vela violeta ou lilás: deve ser acesa para Nanã quando há necessidade de transmutar as energias, transformar negatividade, ter inspirações, aumentar a intuição, combater o "stress" e acalmar-se.

Vela rosa: representa a beleza, o amor, a moralidade. Deve ser acesa para Ibeiji (Cosme e Damião) em assuntos amorosos para fortificar relacionamentos afetivos e familiares. Boa cor para realizar os desejos do campo emocional e afetivo.

Vela verde: simboliza a calma, a tranquilidade e o equilíbrio. Deve ser acesa para Oxossi quando se desejar a cura espiritual, fertilidade, estabilidade e abundância.

Vela vermelha: deve ser acesa para Ogum quando se precisa de coragem, ânimo, determinação, força, ação, dinamismo, vigor, proteção, conquistar e liderar assuntos relacionados à matéria, trabalho e dinheiro, para que se tenha triunfo e evolução rápida dos acontecimentos.

Vela marrom: deve ser acesa para Xangô quando se precisa de justiça correta aos olhos de Deus e também para assuntos relacionados a trabalho e prosperidade.

Vela branca e preta: deve ser acesa para Omulu quando se precisa de cura física e também para mudança interior.

Corrente - a orquestra de Deus

Hoje gostaria de lembrá-los da importância do trabalho em equipe nas giras. 
Uma gira não é só o dirigente quem faz, mas todas as pessoas, encarnadas e desencarnadas. Cada um tem seu valor e sua função. Já vi pessoas se sentirem desmotivadas, e até pararem de frequentar os trabalhos, porque se sentiam inválidas, esquecidas. Não pensem assim!
Vamos fazer uma analogia: pense na corrente como uma orquestra.
O dirigente está ali para "reger a orquestra" no plano físico. Ele é instruído pelo mundo espiritual, que possui várias entidades e cada uma também tem sua função, e nessa orquestra todos somos músicos.
Para uma orquestra tocar magistralmente, os músicos tem que se preparar antes, afinar seus instrumentos e saber que, às vezes, alguns instrumentos tem que solar, mas isso não quer dizer que os outros são menos importantes. Eles estão ali fazendo a base da música, pois, sem essa base, não há música alguma, apenas som.

Portanto, médiuns, façam parte dessa orquestra. Afinem seu instrumento, ou seja, se preparem para as giras e realmente queiram fazer parte dela.
Não estejam na gira apenas por estar, por costume.
Quando os curimbeiros (ogans) puxarem os pontos, cantem com o coração, não pensem que cantar e tocar é trabalho apenas deles.
Quando os guias chegarem em terra os atendam com amor, com o coração aberto, não importa se você não é cambone.
Aproveitem esses momentos com os guias, eles são mágicos! Quando vocês não estiverem atuando diretamente em algum trabalho, rezem. Isso facilita o trabalho das entidades.
Enfim, participem! Não sejam apenas mais um no terreiro.
A gira é feita de um conjunto de elementos: médiuns, entidades, guias, muito amor e, principalmente, você!

Por: Júlia Guerrero